Flores do Aterro do Flamengo

O Aterro do Flamengo é o presente que ganhamos quando viemos morar no Bairro. Depois de deixar um condomínio da Barra muito bem arborizado e vizinho do canal e mar, ele foi minha consolação para a necessidade do verde da natureza que tinha no Perda de Itaúna. Ambos os cenários, aliás, um verde com muito de planejamento humano. Provavelmente hoje os ecologistas não permitiriam as intervenções humanas que deram origem aos dois jardins.

Os jardins do Aterro tem a preciosa contribuição original de Burle Marx que realmente fez uma urbanização extraordinária que vem se mantendo ao longo do tempo em um raro exemplo de preservação de ambiente urbano que já dura mais de 50 anos. 

Não sei se obedecendo a uma programação do próprio Burle Marx, para que fosse lembrado 50 anos depois, está florindo no Aterro a
Corypha umbraculifera

Naturalmente outros observaram o espetáculo que parece está acontecendo também em dose dupla noutro local do Aterro já que foto que vi era de duas palmeiras florindo ao mesmo tempo. Eu só vi uma e já é um espetáculo digno de admiração. 

Uma amiga me mandou o trecho que reproduzo abaixo. Não menciona o autor.

“Um grandioso e raro espetáculo da natureza está em cena no Rio de Janeiro. Trata-se da floração de palmeiras Corypha umbraculifera, ou palma talipot, no Aterro do Flamengo. Trazida do Sri Lanka por Roberto Burle Marx, autor do projeto paisagístico do parque, ela floresce uma única vez na vida, cerca de cinquenta anos depois de plantada. Em seguida, inicia um longo processo de morte. Os cachos da palma talipot contêm aproximadamente 1 milhão de microflores e ficam no topo da palmeira, formando uma copa de tonalidade castanha de até 8 metros de diâmetro e 4 metros de altura. Nos dois anos que separam essa explosão de flores de sua morte, a palmeira produz uma tonelada de sementes, a forma que a natureza encontrou para garantir a sobrevivência de uma espécie que leva tanto tempo para se reproduzir.”

Procurei na internet e achei o texto, mas não soube identificar o autor.

https://deskgram.cc/explore/tags/coryphaumbraculifera

Aí você pode encontrar ouras fotos. Outro endereço interessante é: 

http://www.thjardins.com.br/php/shopping_produtos_detalhe.php?produto=1260&categoria=37&categoria_pai=&produto_nome=SEMENTE(S)-DE-CORYPHA-UMBRACULIFERA-TALIPOT,-PALMEIRA-TALIPOT,-PALMEIRA-PARASOL

No site estão à venda sementes da palmeira (4 sementes custam R$ 58,50). Mas seu jardim não pode ser modesto, as palmeiras atingem a altura de 20 a 30 metros e o diâmetro pode chegar a 1,30m. E só plantar e esperar florescer. Me chame para ver, estarei com uns 125 anos. 

Você pode também ir apanhar as sementes, como são milhões produzidas você poderá obter uns 50 milhões de reais por milhão de sementes.

Procurando um pouco mais na internet, encontrei uma referência que deve ser a mãe do texto reproduzido em vários locais. É um artigo da Veja cujo endereço não está mais disponível. A reprodução está bastante completa e relata que a primeira floração ocorreu nos anos noventa, O exemplar da Veja deve ser o de 09/12/2009. Na época das 50 existentes no Aterro 12 estavam em floração. “Em 1998, a Fundação Parques e Jardins, órgão responsável pela manutenção dos parques da cidade, usou as sementes para fazer novas mudas. Delas surgiram sete exemplares de palma talipot, que também foram plantados no Aterro e hoje medem cerca de 5 metros de altura.”

Finalizando a referência http://promoveconhecimento.blogspot.com/2011/06/conhecimento-botanica.html diz:

“O que lhe dá destaque nos projetos paisagísticos é a exuberância. “Tudo nela é exageradamente grande”, diz o botânico Ricardo Reis, especialista em palmeiras. Foram os imensos leques formados por suas folhas que colocaram as palmeiras talipot entre as espécies escolhidas por Burle Marx, que ao plantá-las já tinha mais de 50 anos e sabia que não as veria florir. “Ele comentava que para isso era preciso mais que uma vida”, conta o arquiteto Haruyoshi Ono, parceiro do paisagista em seus principais projetos.”

Ora, Burle Marx era menos otimista que eu. Nasceu em 1909 e morreu em 1994 com quase 85 anos. Quem sabe se não viu uma talipot florescer. Ao que se informa, aqui as palmeiras florescem (e morrem) mais cedo. As mais apressadas com 40 anos. No lugar de origem elas são conhecidas como palmeiras dos 100 anos e parece que florescem com 80. As plantadas em 1989 vão florescer daqui há dez anos. Quem sabe eu chego na idade do Burle Marx…

Carlos Feu Alvim

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