{"id":4155,"date":"2020-06-06T23:37:26","date_gmt":"2020-06-07T02:37:26","guid":{"rendered":"http:\/\/ecen.com.br\/?page_id=4155"},"modified":"2021-06-10T21:35:47","modified_gmt":"2021-06-11T00:35:47","slug":"ee-104","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/eee.org.br\/?page_id=4155","title":{"rendered":"E&#038;E 104 Desmatamento da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"4155\" class=\"elementor elementor-4155\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-section-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-1e56029 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"1e56029\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-row\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-bb53bf3\" data-id=\"bb53bf3\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-column-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d327e2e elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"d327e2e\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n\t\t\t\t<p>E&amp;E 104 Julho a setembro de 2019\u00a0<\/p><p><a href=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/eee104web.pdf\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-4157 size-full\" title=\"capa E&amp;E 104\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/capaeee104_001.png\" alt=\"E&amp;E 104\" width=\"1825\" height=\"2554\" data-wp-pid=\"4157\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/capaeee104_001.png 1825w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/capaeee104_001-214x300.png 214w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/capaeee104_001-732x1024.png 732w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/capaeee104_001-768x1075.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/capaeee104_001-1098x1536.png 1098w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/capaeee104_001-1463x2048.png 1463w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/capaeee104_001-800x1120.png 800w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/capaeee104_001-1200x1679.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/capaeee104_001-600x840.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/a><\/p><p><a href=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/eee104web.pdf\">Ver ou Baixar E&amp;E 104 em pdf<\/a>.<\/p><p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>Economia e Energia <\/em><\/strong><strong><em>\u00a0\u2013 <\/em><\/strong><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><a href=\"http:\/\/ecen.com\"><strong><em>http:\/\/ecen.com<\/em><\/strong><\/a><strong><em>.br<\/em><\/strong><\/p><p>N\u00ba 104, julho a setembro de 2019<br \/>ISSN 1518-2932 Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/eee.org.br\">http:\/\/eee.org.br<\/a> e <a href=\"http:\/\/ecen.com\">http:\/\/ecen.com<\/a> (n\u00fameros anteriores)<\/p><p>Palavra do Editor<\/p><h1><a name=\"_Toc21351816\"><\/a><strong>FALSA CRISE DE DESMATAMENTO,<br \/>PROBLEMA REAL<\/strong><\/h1><p>A crise de desmatamento da Amaz\u00f4nia no Governo Bolsonaro envolve alarmes de desmatamento e de inc\u00eandios e \u00e9 factualmente falsa por duas raz\u00f5es:<\/p><ul><li>Os focos de inc\u00eandio est\u00e3o 11% acima da m\u00e9dia at\u00e9 agosto<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, mas isso est\u00e1 dentro da normalidade e n\u00e3o indica, obrigatoriamente, aumento do desmatamento; prova disso: no ano passado (2018) o n\u00famero de focos foi 40% menor que o do ano anterior e o desmatamento aumentou.<\/li><li>O desmatamento voltou a crescer desde 2015 e isso n\u00e3o pode ser atribu\u00eddo aos meses de Governo Bolsonaro; al\u00e9m disso, o n\u00edvel de desmatamento projetado n\u00e3o deve ultrapassar a 30% do j\u00e1 alcan\u00e7ado em outros governos.<\/li><\/ul><p>Existe, no entanto, <strong>um problema real que se deve reconhecer: h\u00e1 uma retomada no desmatamento e isso j\u00e1 dura cinco anos<\/strong><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. A E&amp;E j\u00e1 havia apontado essa tend\u00eancia h\u00e1 dois anos.<\/p><p>Se n\u00e3o h\u00e1 raz\u00f5es t\u00e9cnicas para apontar uma crise de desmatamento, \u00e9 inevit\u00e1vel admitir a exist\u00eancia de uma crise pol\u00edtica que ultrapassou nossas fronteiras e j\u00e1 motivou manifesta\u00e7\u00f5es de governos relevantes no cen\u00e1rio internacional como da Alemanha, Noruega e Fran\u00e7a.<\/p><p>Contribui para isso o discurso considerado \u201cantiambientalista\u201d de membros do governo. Esse discurso provoca rea\u00e7\u00f5es e a bipolariza\u00e7\u00e3o resultante leva a que o governo seja naturalmente responsabilizado por eventos negativos na \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o Brasil assumiu, a nosso ver sem a necess\u00e1ria discuss\u00e3o com a sociedade, compromissos \u201cvolunt\u00e1rios\u201d pelos quais agora \u00e9 cobrado.<\/p><p>O problema atingiu essa propor\u00e7\u00e3o depois que o Presidente da Rep\u00fablica, questionado por jornalista sobre um alerta de desmatamento do m\u00eas de junho que havia dobrado em rela\u00e7\u00e3o ao do ano anterior, aceitou a provoca\u00e7\u00e3o e, na resposta, levantou a suspeita que o indicador do pr\u00f3prio governo seria desonesto. A quest\u00e3o colocada referia-se a um m\u00eas fora do padr\u00e3o e poderia ter sido facilmente contestada com as estat\u00edsticas j\u00e1 dispon\u00edveis.<\/p><p>Com a rea\u00e7\u00e3o p\u00fablica do ent\u00e3o diretor do INPE, a pol\u00eamica interna foi encampada por vozes internacionais que se levantaram contra a pol\u00edtica atual que estaria destruindo a floresta amaz\u00f4nica ao negligenciar o controle do desmatamento. Isto foi o que bastou para que fossem relan\u00e7adas ideias de internacionaliza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia.<\/p><p>Posteriormente, foi ensaiada uma nova crise relativa aos alertas de inc\u00eandios florestais que t\u00eam caracter\u00edsticas sazonais e n\u00e3o est\u00e3o diretamente vinculados ao desmatamento, como demonstra a compara\u00e7\u00e3o dos dois fen\u00f4menos ao longo dos anos. Al\u00e9m disso, o indicador estava dentro do esperado para o m\u00eas.<\/p><p>Os n\u00fameros hist\u00f3ricos do desmatamento da chamada Amaz\u00f4nia Legal no Brasil revelam um desmatamento crescente, com picos nos in\u00edcios dos governos FHC (1993) e Lula (2004). Em seguida, houve um de vigoroso combate ao desmatamento. No per\u00edodo 2004 a 2015, a \u00e1rea desmatada anual caiu a um quinto do valor de pico.<\/p><p>O pico de desmatamento de 2004 criou a necessidade de um mecanismo de alerta contra o desmatamento, a exemplo do j\u00e1 existente de alerta contra inc\u00eandios florestais. A partir de 2015, o sistema conta com mecanismos de alerta de desmatamento e de \u00e1reas degradadas, que permitem prevenir e reprimir o desmatamento com a\u00e7\u00f5es locais. Isso tornou poss\u00edvel conter a tempo o desflorestamento mediante a\u00e7\u00e3o conjunta de v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os governamentais.<\/p><p>Ao quantificarmos aqui os problemas dos alarmes a focos de inc\u00eandio e do desmatamento, buscamos uma abordagem racional do problema que possa servir de defesa a nossos interesses. Temos sido bons e fi\u00e9is guardi\u00f5es da Amaz\u00f4nia e, por essa raz\u00e3o, temos o direito a defend\u00ea-la da cobi\u00e7a externa. Defesa que s\u00f3 ser\u00e1 eficaz usando os preciosos conhecimentos que institui\u00e7\u00f5es de pesquisa como o INPE v\u00eam colocando \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o.<\/p><p><em>Carlos Feu Alvim<\/em><\/p><p>____________________<\/p><p><strong>\u00a0<\/strong><\/p><p><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p><p><a href=\"#_Toc21351816\"><strong>FALSA CRISE DE DESMATAMENTO, PROBLEMA REAL<\/strong><\/a><\/p><p><a href=\"#_Toc21351817\"><strong>NOVA ONDA DE DESFLORESTAMENTO NA AMAZ\u00d4NIA O QUE DIZEM OS DADOS OBJETIVOS<\/strong><\/a><\/p><p><a href=\"#_Toc21351818\"><em>Resumo<\/em><\/a><br \/><a href=\"#_Toc21351819\"><em>Palavras Chave:<\/em><\/a><\/p><p><a href=\"#_Toc21351820\"><strong>1<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a><\/p><p><a href=\"#_Toc21351821\"><strong>2<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Os Pol\u00eamicos Resultados de 2019<\/strong><\/a><\/p><p><a href=\"#_Toc21351822\"><strong>3<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Incorpora\u00e7\u00e3o dos dados 2017 a 2019<\/strong><\/a><\/p><p><a href=\"#_Toc21351823\"><strong>4<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Enfrentando a Crise<\/strong><\/a><\/p><p><a href=\"#_Toc21351824\"><strong>5<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/a><\/p><p><a href=\"#_Toc21351825\">6\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Bibliografia<\/a><\/p><p><a href=\"#_Toc21351826\"><em>Nota sobre a Fake Crisis:<\/em><\/a><\/p><p><a href=\"#_Toc21351827\">A Falsa Crise dos Focos de Inc\u00eandio na Amaz\u00f4nia<\/a><\/p><p>___________________<\/p><p><strong>\u00a0<\/strong><\/p><p><em>Mat\u00e9ria em discuss\u00e3o:\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p><h1><a name=\"_Toc465934207\"><\/a><a name=\"_Toc474687909\"><\/a><strong>\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><a name=\"_Toc21351817\"><\/a><strong>NOVA ONDA DE DESFLORESTAMENTO NA AMAZ\u00d4NIA O QUE DIZEM OS DADOS OBJETIVOS<\/strong><\/h1><p><em>Carlos Feu Alvim, Jos\u00e9 Israel Vargas e Olga Mafra<\/em><\/p><h3><a name=\"_Toc21351818\"><\/a><i>Resumo<\/i><\/h3><p>Em 2012 e 2017, em artigos sob a coordena\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Israel Vargas, apresentamos a an\u00e1lise e revis\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o dos dados de desflorestamento anuais na Amaz\u00f4nia, usando uma modelagem log\u00edstica de Volterra. A conclus\u00e3o da primeira an\u00e1lise na revista <a href=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/eee86p.pdf\">E&amp;E 86<\/a> \u00e9 que o desflorestamento caiu, entre 2004 e 2012 , mais do que o previsto pela expectativa hist\u00f3rica. J\u00e1 na revis\u00e3o\u00a0 da <a href=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/eee95p.pdf\">E&amp;E 95<\/a>, constatou-se que, quase simultaneamente com a Confer\u00eancia do Clima de Paris (COP 21 em 2015), iniciava-se uma aparente retomada do desflorestamento da Amaz\u00f4nia, levantando inquietudes sobre o comportamento futuro. Nas duas ocasi\u00f5es anteriores, foi feita uma proje\u00e7\u00e3o da trajet\u00f3ria de desmatamento esperada dentro do modelo adotado. Nesta revisita, a extrapola\u00e7\u00e3o anterior \u00e9 mantida e comparada com os novos dados dispon\u00edveis. Foi confirmada a retomada do desflorestamento da Amaz\u00f4nia em um n\u00edvel que ainda pode ser considerado como uma oscila\u00e7\u00e3o na tend\u00eancia de queda, mas que pode evoluir para um pulso de desmatamento como j\u00e1 aconteceu anteriormente. A inten\u00e7\u00e3o deste trabalho \u00e9 contribuir com a racionalidade dos dados para uma discuss\u00e3o que est\u00e1 tomando rumo considerado destrutivo para as leg\u00edtimas aspira\u00e7\u00f5es e interesses do Brasil e do pr\u00f3prio Planeta.<\/p><h3><a name=\"_Toc21351819\"><\/a><i>Palavras Chave:<\/i><\/h3><p>Amaz\u00f4nia, desmatamento, desflorestamento, modelagem log\u00edstica, an\u00e1lise quantitativa.<\/p><p>____________<\/p><h1><a name=\"_Toc21351820\"><\/a><strong>1\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h1><p>O desflorestamento<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> da Amaz\u00f4nia no Brasil foi objeto de an\u00e1lise nesta revista, sob a coordena\u00e7\u00e3o de J. I. Vargas, na <a href=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/eee86p.pdf\">E&amp;E 86<\/a> (Vargas, et al., 2012) e na revista <a href=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/eee95p.pdf\">E&amp;E 95<\/a> (Vargas, et al., 2017). Nelas foi feita a avalia\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o desse desflorestamento com aux\u00edlio de uma modelagem matem\u00e1tica simples, desenvolvida por Volterra (Volterra, 1931) para tratar a ocupa\u00e7\u00e3o de um nicho ambiental por um organismo vivo.<\/p><p>Essa abordagem tem sido aplicada com \u00eaxito por C. Marchetti e J. I. Vargas em diversos fen\u00f4menos complexos envolvendo vari\u00e1veis econ\u00f4micas e sociais. Os detalhes sobre a metodologia est\u00e3o amplamente descritos nos dois trabalhos anteriores.<\/p><p>Na primeira avalia\u00e7\u00e3o (setembro de 2012), os dados cumulativos representados em um gr\u00e1fico mostravam uma curva ao longo do tempo em &#8220;S&#8221;, indicativa de tend\u00eancia de estacionamento da \u00e1rea desmatada. Na segunda avalia\u00e7\u00e3o (junho de 2017), foi confirmada a tend\u00eancia de conten\u00e7\u00e3o do desmatamento e constatada frenagem nesse processo mais r\u00e1pida que a esperada. Essa queda no desmatamento, entre 2004 e 2012, teria resultado do reconhecimento da import\u00e2ncia pol\u00edtica do problema. Isso se refletiu nos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, refor\u00e7ado na Confer\u00eancia do Clima de Paris.<\/p><p>Tamb\u00e9m na segunda avalia\u00e7\u00e3o, os resultados dos anos anteriores j\u00e1 indicavam uma retomada do desmatamento e o artigo se encerrava com a quest\u00e3o: <strong>Uma nova onda de desflorestamento?<\/strong><\/p><p>Agora, em 2019, uma grande pol\u00eamica sobre o assunto se instalou e nos estimulou a voltar a tratar do tema. A pol\u00eamica se estabeleceu baseada na divulga\u00e7\u00e3o de dados de alerta mensais que, isoladamente, s\u00e3o inadequados para avaliar tend\u00eancias de desmatamento. \u00c9 bom real\u00e7ar que o gr\u00e1fico de desmatamento anual j\u00e1 apresentara outros picos e vales no processo que causaram alarme na \u00e9poca, mas n\u00e3o reverteram a tend\u00eancia de longo prazo que era a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento anual<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p><p>Para entender a base da pol\u00eamica criada, cabe esclarecer que os dados divulgados mensalmente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais &#8211; INPE s\u00e3o de natureza diferente dos dados anuais. O dado mensal \u00e9 um <strong>alerta de desmatamento<\/strong> baseado em imagens por sat\u00e9lite que assinalam \u00e1reas com ind\u00edcios de desmatamento. O dado anual \u00e9 de <strong>acr\u00e9scimo da \u00e1rea desmatada<\/strong> e reflete dados extra\u00eddos de imagens de sat\u00e9lite, verificados estatisticamente no campo para evitar problemas de m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Deve-se real\u00e7ar que a experi\u00eancia acumulada no processo de an\u00e1lise e controle por verifica\u00e7\u00e3o no local assinalado vai tornando essa an\u00e1lise preliminar cada vez mais confi\u00e1vel. Existe outro aspecto a ser considerado nos dados mensais, que \u00e9 a cobertura de nuvens que prejudica a coleta de dados em alguns meses. Isso pode fazer com que os resultados de um m\u00eas acumulem varia\u00e7\u00f5es que n\u00e3o puderam ser computadas no m\u00eas ou meses anteriores, onde predominava a escassa visibilidade.<\/p><p>Ao final do artigo anterior (E&amp;E 95, abril-junho 2017) havia um chamado \u00e0 aten\u00e7\u00e3o para os <strong>sinais de retomada do desmatamento amaz\u00f4nico.<\/strong> O destaque a seguir transcreve nossa advert\u00eancia:<\/p><table width=\"100%\"><tbody><tr><td><p>\u201cEste comportamento deve ser monitorado para prevenir eventuais press\u00f5es que deslocariam o equil\u00edbrio alcan\u00e7ado e poderiam desencadear um novo ciclo de desmatamento semelhante ao ocorrido nas \u00faltimas d\u00e9cadas que teve seu auge em torno da virada do s\u00e9culo\u201d.<\/p><p style=\"padding-left: 40px;\">\u00a0\u201cEsta aten\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria j\u00e1 que, <strong>os resultados para os dois \u00faltimos anos (2015 e 2016) mostram aumentos de \u00e1reas desflorestadas<\/strong> nesses anos na Amaz\u00f4nia Brasileira. Recentemente, foram propostas medidas de afrouxamento das restri\u00e7\u00f5es ao desmatamento, como a da MP, aprovada pelo Senado em 25 de maio de 2017 e vetada pelo Presidente Temer, que alterava os limites da Floresta Nacional do Jamanxim. Isso pode sinalizar uma tend\u00eancia de negligenciar restri\u00e7\u00f5es ao desmatamento e comprometer as metas volunt\u00e1rias apresentadas pelo Brasil em Paris, dando in\u00edcio a um novo ciclo de desflorestamento na Amaz\u00f4nia\u201d.<\/p><p style=\"padding-left: 40px;\">J. I. Vargas, R. Grandsire e C. Feu Alvim em <a href=\"http:\/\/ecen.com.br\/?page_id=458\">E&amp;E 95<\/a><\/p><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><p>\u00a0Esta nota mostra que esta tend\u00eancia de aumento de desmatamento est\u00e1 confirmada, mas ainda pode ser considerada como uma oscila\u00e7\u00e3o dentro da tend\u00eancia de longo prazo.<strong><br \/><\/strong><\/p><h1><strong>2\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><strong>\u00a0<a name=\"_Toc21351821\"><\/a>Os Pol\u00eamicos Resultados de 2019<\/strong><\/h1><p>Os \u00faltimos resultados apresentados pelo INPE de <strong>alertas de desmatamento<\/strong> mostravam um aumento de quase 100% na \u00e1rea atingida, como indicado na Figura 1. Esse aumento surge da compara\u00e7\u00e3o dos dados de junho de 2019 com junho de 2018.<\/p><p>Um coment\u00e1rio apressado do Presidente da Rep\u00fablica a uma pergunta de jornalista desencadeou uma s\u00e9rie de discuss\u00f5es que atingiram escala internacional nas quais os dados hist\u00f3ricos foram quase esquecidos.<\/p><p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3746\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/deter040719b.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"390\" data-wp-pid=\"3746\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/deter040719b.jpg 700w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/deter040719b-300x167.jpg 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/deter040719b-600x334.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p><p>Figura 1: Comparativo do alerta de desmatamento do m\u00eas de junho com o mesmo m\u00eas de anos anteriores na publica\u00e7\u00e3o do site do INPE<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a><\/p><p>Na mesma forma de apresenta\u00e7\u00e3o da Figura 1, o INPE colocou em seu <em>site<\/em> gr\u00e1ficos similares, abrangendo mais meses, os quais tamb\u00e9m indicavam o crescimento do desmatamento, mas em uma intensidade muito menor. No ambiente de \u201cdiscuss\u00e3o de bar\u201d que tomou o Pa\u00eds e o Mundo essas \u201ctecnicalidades\u201d foram tamb\u00e9m desprezadas.<\/p><p>O INPE fornece ainda \u201c<strong>alertas de desmatamento + degrada\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d que inclui \u00e1reas onde h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de redu\u00e7\u00e3o da densidade florestal. A \u00e1rea correspondente a esse tipo de alerta atingiu, no m\u00eas de junho, 2072 km2. Esse dado tamb\u00e9m aparece na discuss\u00e3o na m\u00eddia, confundido com o de desmatamento.<\/p><p>\u00c9 um erro relativamente comum confundir \u00e1reas para as quais s\u00e3o emitidos <strong>alertas de desmatamento<\/strong> com a <strong>\u00e1rea de desmatamento<\/strong> propriamente dita. S\u00f3 a verifica\u00e7\u00e3o local, realizada com crit\u00e9rios estat\u00edsticos adequados, permite avaliar a \u00e1rea de desmatamento. Esse \u00e9 o dado que interessa do ponto de vista de danos \u00e0 natureza. Esse procedimento que alia os dados de sat\u00e9lite a verifica\u00e7\u00f5es locais, com aux\u00edlio de servi\u00e7os prestados por \u00f3rg\u00e3os como a Embrapa e o Ibama, \u00e9 que torna os dados brasileiros particularmente confi\u00e1veis. A an\u00e1lise espectral de reflex\u00e3o da luz emitida pelo solo ajuda a quantificar o processo.<\/p><p>A raz\u00e3o pela qual s\u00e3o divulgados os alertas \u00e9 que eles constituem um instrumento muito \u00fatil na preven\u00e7\u00e3o, mitiga\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o do desmatamento. Eles s\u00e3o muitas vezes capazes de indicar \u00e1reas onde a a\u00e7\u00e3o predadora do homem deva ser reprimida e \u00e1reas onde o per\u00edodo de seca favorece o in\u00edcio da combust\u00e3o e sua propaga\u00e7\u00e3o.<\/p><p>A inclus\u00e3o dos <strong>alertas de degrada\u00e7\u00e3o<\/strong> aperfei\u00e7oou a capacidade de detec\u00e7\u00e3o da extra\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de madeira de lei ou de outras a\u00e7\u00f5es lesivas \u00e0 floresta como, por exemplo, seria a aplica\u00e7\u00e3o de produtos qu\u00edmicos que facilitam o desmate. Ambos os alertas aparecem na imprensa confundidos com desmatamento. Tamb\u00e9m ambos est\u00e3o sujeitos a incertezas, mas os de degrada\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais sutis e, em consequ\u00eancia, mais sujeitos a erros.<\/p><p>No <em>site<\/em> do INPE, s\u00e3o mostrados os gr\u00e1ficos, dos alertas de desmatamento, para quatro anos, n\u00e3o s\u00f3 para o m\u00eas de junho (Figura 1), como para o trimestre (abril a junho) e os ocorridos ap\u00f3s o in\u00edcio da esta\u00e7\u00e3o de queimadas (m\u00eas de agosto do ano anterior at\u00e9 junho do ano corrente). Os dados constam da Tabela 1.<\/p><p>Tabela 1: Alertas de Desmatamento do INPE, por Per\u00edodos, em km2<br \/>de 2016 at\u00e9 junho de 2019<\/p><table><tbody><tr><td width=\"78\">\u00a0<\/td><td width=\"109\"><p><strong>Desmatamento<\/strong><\/p><\/td><td colspan=\"3\" width=\"231\"><p><strong>Alertas de Desmatamento<\/strong><\/p><\/td><\/tr><tr><td width=\"78\">\u00a0<\/td><td width=\"109\"><p><strong>ANUAL<\/strong><\/p><\/td><td width=\"81\"><p><strong>JUNHO<\/strong><a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p><\/td><td width=\"78\"><p><strong>ABR-JUN<\/strong><\/p><\/td><td width=\"72\"><p><strong>AGO-JUN<\/strong><\/p><\/td><\/tr><tr><td width=\"78\"><p><strong>2016<\/strong><\/p><\/td><td width=\"109\"><p><strong>7393<\/strong><\/p><\/td><td width=\"81\"><p>969<\/p><\/td><td width=\"78\"><p>1800<\/p><\/td><td width=\"72\"><p>4639<\/p><\/td><\/tr><tr><td width=\"78\"><p><strong>2017<\/strong><\/p><\/td><td width=\"109\"><p><strong>6947<\/strong><\/p><\/td><td width=\"81\"><p>610<\/p><\/td><td width=\"78\"><p>1099<\/p><\/td><td width=\"72\"><p>4182<\/p><\/td><\/tr><tr><td width=\"78\"><p><strong>2018<\/strong><\/p><\/td><td width=\"109\"><p><strong>7536<\/strong><\/p><\/td><td width=\"81\"><p>480<\/p><\/td><td width=\"78\"><p>1528<\/p><\/td><td width=\"72\"><p>3976<\/p><\/td><\/tr><tr><td width=\"78\"><p><strong>2019<\/strong><\/p><\/td><td width=\"109\"><p>&#8212;<\/p><\/td><td width=\"81\"><p>920<\/p><\/td><td width=\"78\"><p>1907<\/p><\/td><td width=\"72\"><p>4575<\/p><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><p>Fonte: site do INPE visitado em agosto de 2019<\/p><p>O aumento de 2018 para 2019 que foi de 92% (quase 100%) para junho, foi de 25% para o trimestre e apenas 15% para os 11 meses de agosto a junho. Ou seja, se os alertas indicam, para todos os per\u00edodos, um aumento de desmatamento em 2019, sua dispers\u00e3o indica que a magnitude do crescimento da taxa de desmatamento est\u00e1 longe de ser estabelecida. Al\u00e9m disto, ainda resta a outra metade do ano para apurar.<\/p><p>A Tabela 1 mostra ainda que o dado de junho de 2018 foi excepcionalmente baixo para o m\u00eas e o valor deste ano apenas o segundo mais alto nos 4 anos. Ou seja, a alta taxa de crescimento de alertas para junho deste ano (relativa a junho do ano passado), parece corresponder muito mais ao baixo valor observado no ano passado (480 km2) que ao valor alto de 2019 (920 km2), como pode ser notado na Tabela 1<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. \u00a0<\/p><p>O uso dos alertas para avaliar o desmatamento parte do princ\u00edpio de que \u201conde tem fuma\u00e7a tem fogo\u201d. Mas, ainda usando essa analogia, s\u00f3 a presen\u00e7a dos bombeiros vai indicar se realmente houve o sinistro ou se o alarme, ou o alerta, era falso. A hip\u00f3tese de que os alertas possam ser usados para avaliar o efetivo desmatamento pode ser testada usando os valores da Tabela 1 relativos aos outros anos.<\/p><p>Essa abordagem foi realizada com aux\u00edlio da Tabela 2, que usa a taxa de crescimento observada nos diversos per\u00edodos para fazer \u201cprevis\u00f5es\u201d de varia\u00e7\u00e3o anual de desmatamento. Esses valores podem ser comparados com a varia\u00e7\u00e3o efetivamente estimada para o ano (primeira coluna). As previs\u00f5es de desmatamento anual a partir dos dados intermedi\u00e1rios de alerta s\u00e3o, nesses dois anos de aplica\u00e7\u00e3o da metodologia, assaz decepcionantes.<\/p><p>Tabela 2: Varia\u00e7\u00e3o das Taxas de Desmatamento por Per\u00edodo<\/p><table width=\"100%\"><tbody><tr><td width=\"72\">\u00a0<\/td><td width=\"72\"><p>Taxa<br \/>Apurada<\/p><\/td><td colspan=\"3\" width=\"236\"><p>Taxas Estimadas a partir de dados por per\u00edodo<\/p><\/td><\/tr><tr><td width=\"72\">\u00a0<\/td><td width=\"72\"><p>ANUAL<\/p><\/td><td width=\"93\"><p>JUNHO<\/p><\/td><td width=\"72\"><p>ABR-JUN<\/p><\/td><td width=\"71\"><p>AGO-JUN<\/p><\/td><\/tr><tr><td width=\"72\"><p>2017<\/p><\/td><td width=\"72\"><p>-6%<\/p><\/td><td width=\"93\"><p>-37%<\/p><\/td><td width=\"72\"><p>-39%<\/p><\/td><td width=\"71\"><p>-10%<\/p><\/td><\/tr><tr><td width=\"72\"><p>2018<\/p><\/td><td width=\"72\"><p>8%<\/p><\/td><td width=\"93\"><p>-21%<\/p><\/td><td width=\"72\"><p>39%<\/p><\/td><td width=\"71\"><p>-5%<\/p><\/td><\/tr><tr><td width=\"72\"><p>2019<\/p><\/td><td width=\"72\"><p>&#8212;<\/p><\/td><td width=\"93\"><p>92%<\/p><\/td><td width=\"72\"><p><strong>25%<\/strong><\/p><\/td><td width=\"71\"><p>15%<\/p><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><p>Se tomados os alertas de junho como se fossem a efetiva indica\u00e7\u00e3o do desmatamento anual, o valor para junho de 2017 (-37%) nos levaria a comemorar uma queda de 37% no desmatamento enquanto a queda efetiva no ano foi de apenas 6% (primeira coluna). Tamb\u00e9m em 2018, tomando os dados de junho, estar\u00edamos comemorando uma queda de 21% quando, na verdade, a apura\u00e7\u00e3o anual revelaria um aumento de 8% no desmatamento.<\/p><p>A diferen\u00e7a para o ano de 2019, \u00e9 que todas as proje\u00e7\u00f5es indicam uma maior taxa de desmatamento, ao contr\u00e1rio do que aconteceu nos anos anteriores, onde os sinais para os diferentes per\u00edodos eram contradit\u00f3rios. Isso \u00e9 um forte ind\u00edcio de que realmente deve haver um aumento de desmatamento no ano em curso, que refletir\u00e1 no \u00edndice anual, a menos que medidas dr\u00e1sticas sejam adotadas pelos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis, no restante do ano.<\/p><p>O valor parcial que melhor reproduz a varia\u00e7\u00e3o anual parece ser como \u00e9 natural, o do maior per\u00edodo. O problema \u00e9 que ele inclui dados do ano anterior. Levando isto em conta, escolhemos usar, como pr\u00e9via do desmatamento em 2019, o aumento de 25% da taxa de alertas de desmatamento do trimestre. A faixa de erro estaria em cerca de +\/- 30% o que d\u00e1 ideia da incerteza existente nestes dados.<\/p><p>O ensaio aqui realizado sugere a necessidade de um trabalho sistem\u00e1tico, incluindo o controle de campo dos dados mensais de alarme, ao longo do ano, para buscar estimar antecipadamente o desmatamento anual. Este indicador serviria para orientar as decis\u00f5es pol\u00edticas pertinentes. Os dados mensais de alarme permitiriam determinar a proje\u00e7\u00e3o do valor do ano em curso. Na apresenta\u00e7\u00e3o dos dados, deveria ser indicada a margem de erro esperada. Isso facilitaria as interpreta\u00e7\u00f5es e evitaria, ou pelo menos atenuaria, conclus\u00f5es apressadas.<\/p><table width=\"100%\"><tbody><tr><td><p>Para os dados econ\u00f4micos mais cr\u00edticos o IBGE adota a pol\u00edtica de processar os dados em sigilo e divulgar, com uma anteced\u00eancia de algumas horas, os resultados para a autoridade econ\u00f4mica correspondente. Como o cronograma \u00e9 anunciado com anteced\u00eancia, os t\u00e9cnicos dos organismos econ\u00f4micos respons\u00e1veis pela \u00e1rea t\u00eam a capacidade de, em algumas horas, oferecer aos jornalistas a interpreta\u00e7\u00e3o do que \u00e9 divulgado. No caso, o sigilo e o curto tempo de avalia\u00e7\u00e3o evitam interfer\u00eancias pol\u00edticas que possam macular os resultados. O exemplo poderia ser adotado para dados ambientais que apresentam sensibilidade semelhante.<\/p><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><p>Ou seja, pode-se ter armado \u201cuma tempestade em copo d\u2019\u00e1gua\u201d em torno de um resultado intermedi\u00e1rio com limitada significa\u00e7\u00e3o. Paradoxalmente, esse destaque exagerado que se deu ao epis\u00f3dio pode servir agora para chamar a aten\u00e7\u00e3o para uma retomada do desmatamento, menos espetacular do que a ocorrida no recente epis\u00f3dio, que lamentavelmente j\u00e1 se sustenta nos \u00faltimos quatro anos<span style=\"text-decoration: line-through;\">.<\/span> Esse assunto ser\u00e1 abordado no pr\u00f3ximo item.<\/p><h1><a name=\"_Toc21351822\"><\/a><strong>3\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><strong>Incorpora\u00e7\u00e3o dos dados 2017 a 2019<\/strong><\/h1><p>O trabalho anterior (<a href=\"http:\/\/ecen.com.br\/?page_id=458\">E&amp;E 95<\/a>) reviu as proje\u00e7\u00f5es para os pr\u00f3ximos anos. Nesta nova an\u00e1lise, vamos manter essa proje\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9, ali\u00e1s, \u00fatil para testar a confiabilidade das proje\u00e7\u00f5es anteriores. Naquele trabalho foram considerados somente dados at\u00e9 2016.<\/p><p>Nesta revis\u00e3o, foi poss\u00edvel atualizar o dado atinente \u00e0 2016 e incorporar aqueles referentes ao desmatamento de 2017, 2018 e 2019 (valor preliminar para o \u00faltimo ano). Os dados referentes ao desmatamento da Amaz\u00f4nia Legal, levantados pelo INPE e pela EMBRAPA (Prodes\/INPE-Embrapa, 2017), s\u00e3o mostrados na Figura 2.<\/p><p>A comunidade cient\u00edfica nacional e internacional, t\u00eam uma aten\u00e7\u00e3o especial para a evolu\u00e7\u00e3o do desflorestamento na regi\u00e3o amaz\u00f4nica. Nas avalia\u00e7\u00f5es feitas pelo Governo, o desmatamento, chegou a ser a principal respons\u00e1vel pela contribui\u00e7\u00e3o brasileira aos gases de efeito estufa. Al\u00e9m de sua contribui\u00e7\u00e3o para o aquecimento global, estima-se que a destrui\u00e7\u00e3o da floresta tenha influ\u00eancia marcante no clima do continente como um todo e, particularmente, no regime pluvial de nosso pa\u00eds.<\/p><p>No gr\u00e1fico da Figura 2, constam os dados observados a partir de 1988. O tratamento anual do desmatamento na Amaz\u00f4nia vinha sendo predominantemente qualitativo, at\u00e9 1989, quando se iniciou a fotointerpreta\u00e7\u00e3o de imagens obtidas pelo sat\u00e9lite Landsat 5, pelo INPE. Esse trabalho contribuiu para a elabora\u00e7\u00e3o da Comunica\u00e7\u00e3o Nacional para a Conven\u00e7\u00e3o Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima da Comunica\u00e7\u00e3o do Brasil, em 1994 (Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia, 2004). Segundo este relat\u00f3rio, a contribui\u00e7\u00e3o do desmatamento, ocorrido at\u00e9 ent\u00e3o (470 mil km2), responderia por cerca de 50% das emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa, pelo Brasil no per\u00edodo.<\/p><p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3656\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura1.png\" alt=\"\" width=\"779\" height=\"639\" data-wp-pid=\"3656\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura1.png 779w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura1-300x246.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura1-768x630.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura1-600x492.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p><p>Figura 2: Evolu\u00e7\u00e3o do desmatamento anual da Amaz\u00f4nia Legal<\/p><p>Com os dados anuais e a estimativa do desmatamento at\u00e9 ent\u00e3o, foi poss\u00edvel avaliar, no trabalho anterior, a evolu\u00e7\u00e3o do desmatamento hist\u00f3rico acumulado na Amaz\u00f4nia Legal.<\/p><p>A Figura 3 mostra a evolu\u00e7\u00e3o do desmatamento acumulado e o ajuste realizado para a descri\u00e7\u00e3o da trajet\u00f3ria prov\u00e1vel ao longo do tempo. O desmatamento evoluiria para atingir uma \u00e1rea total de 891 mil km2 da Amaz\u00f4nia Legal. Esse valor m\u00e1ximo (nicho) \u00e9 um dos par\u00e2metros principais a ser ajustado. O outro par\u00e2metro (delta) refere-se ao tempo transcorrido entre 10% e 90% do desmatamento potencialmente realiz\u00e1vel (do nicho) estimado em 47 anos. Ambos os fatores s\u00e3o indicados na Figura 3.<\/p><p>A metodologia de estabelecer a curva de tend\u00eancia \u00e9 simplesmente aplicar aos dados dispon\u00edveis o melhor ajuste para o tipo de fun\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica utilizada (log\u00edstica). \u00a0<\/p><p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3747\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura3_104.png\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"716\" data-wp-pid=\"3747\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura3_104.png 800w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura3_104-300x269.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura3_104-768x687.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura3_104-600x537.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p><p>Figura 3: Desmatamento acumulado na Amaz\u00f4nia Legal e ajuste baseado em uma curva log\u00edstica, mostrando a tend\u00eancia de se limitar a expans\u00e3o do desmatamento.<\/p><p>Pelo ajuste, o total desmatado da regi\u00e3o amaz\u00f4nica at\u00e9 2018 \u00e9 de 796 mil km2, correspondentes a 19,4% da \u00e1rea total da Amaz\u00f4nia (estimada em 4,109 milh\u00f5es de km2)<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. A previs\u00e3o da \u00e1rea final desmatada corresponde a 22% da \u00e1rea da Amaz\u00f4nia.<\/p><p>Dentro dessa perspectiva de m\u00e9dio prazo os dados sobre o desflorestamento mostram uma evolu\u00e7\u00e3o relativamente positiva j\u00e1 que haveria uma preserva\u00e7\u00e3o de quase 80% de uma floresta nativa o que \u00e9 excepcional em termos mundiais. J\u00e1 a a\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria sobre a biodiversidade ainda permanece largamente ignorada, n\u00e3o s\u00f3 devido \u00e0 enorme variedade e complexidade desse bioma, mas tamb\u00e9m aos ainda limitados esfor\u00e7os cient\u00edficos realizados para elucid\u00e1-la.<\/p><p>Pode-se observar que os dados reais apresentam uma oscila\u00e7\u00e3o em torno do ajuste e estar\u00edamos, pois, passando de um per\u00edodo em que a evolu\u00e7\u00e3o real estava menor que a da tend\u00eancia, para uma a fase um pouco acima da previs\u00e3o. Essas oscila\u00e7\u00f5es em torno da m\u00e9dia j\u00e1 foram muito bem exploradas por C. Marchetti e J. I. Vargas, conforme comentado no artigo anterior.<\/p><p>Tais oscila\u00e7\u00f5es tornam-se mais vis\u00edveis quando comparadas com aquelas apresentadas atrav\u00e9s da representa\u00e7\u00e3o de Fisher Pry mostrada na Figura 4. No caso, o ajuste foi automaticamente refeito quando foram introduzidos os dados dos \u00faltimos anos. O ajuste obtido \u00e9, no entanto, muito pr\u00f3ximo do anterior. A Figura 4 ilustra tamb\u00e9m a metodologia usada para o ajuste e proje\u00e7\u00e3o.<\/p><p>As curvas mostradas nas Figuras 3 e 4 correspondem aos dados acumulados de desmatamento, ou seja, \u00e0 integral dos dados de acr\u00e9scimos anuais de desmatamento mostrados na Figura 2, acrescida de uma estimativa do valor, na data inicial do fen\u00f4meno em foco. A curva das varia\u00e7\u00f5es, dita diferencial, \u00e9 mostrada na Figura 5, juntamente com o ajuste usado no artigo anterior (dados limitados a 2016).<\/p><p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3658\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura4_104.png\" alt=\"\" width=\"783\" height=\"772\" data-wp-pid=\"3658\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura4_104.png 783w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura4_104-300x296.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura4_104-768x757.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura4_104-100x100.png 100w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura4_104-600x592.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p><p>Figura 4: Representa\u00e7\u00e3o Fisher-Pry da fun\u00e7\u00e3o log\u00edstica do desmatamento da Floresta Amaz\u00f4nica (1977 \u2013 2018).<\/p><p>A tend\u00eancia observada na Figura 3 parece coerente com a estabiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea desmatada na Floresta Amaz\u00f4nica acertada pelas autoridades brasileiras na Confer\u00eancia de Paris. Apenas o tempo de estabiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um pouco maior. Uma melhor ideia da significa\u00e7\u00e3o desse ajuste, em termos de desflorestamento anual \u00e9 o mostrada na Figura 5, que representa a evolu\u00e7\u00e3o desses valores<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>.<\/p><p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3748\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Imagem1.png\" alt=\"Desmatamento da Amaz\u00f4nia ao longo do tempo\" width=\"787\" height=\"708\" data-wp-pid=\"3748\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Imagem1.png 787w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Imagem1-300x270.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Imagem1-768x691.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Imagem1-600x540.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p><p>Figura 5: Compara\u00e7\u00e3o do desflorestamento anual verificado com o ajuste log\u00edstico<\/p><p>A Figura 5 fornece uma melhor ideia da tend\u00eancia da taxa de desmatamento. Ela permite distinguir varia\u00e7\u00f5es ocorridas, muito sujeitas a circunst\u00e2ncias econ\u00f4micas e pol\u00edticas, sobrepostas a uma tend\u00eancia de longo prazo. A curva ajustada passou por um m\u00e1ximo em 1992, tendendo a zero menos drasticamente do que se poderia desejar, por\u00e9m, mais coerente com os processos normais de evolu\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos sociais complexos, tratados pela modelagem log\u00edstica aqui utilizada.<\/p><p>Vale a pena analisar os picos e vales do processo e suas circunst\u00e2ncias: O ano de 1991 \u00e9 o segundo da Administra\u00e7\u00e3o Collor que sofreu forte recess\u00e3o em seu primeiro ano e foi precedida por grave crise econ\u00f4mica e financeira. Os dados da Figura 5, n\u00e3o mostram o poss\u00edvel pico no desmatamento. O ano de 1995, m\u00e1ximo de desmatamento, foi o primeiro ano do Governo FHC; o ano 2004, o segundo do Governo Lula tendo sido precedido por profunda crise financeira na transi\u00e7\u00e3o dos governos. Estamos assistindo, n\u00e3o resta mais d\u00favida agora, a retomada do desmatamento que prov\u00e9m do governo anterior imerso em uma profunda crise econ\u00f4mica; o in\u00edcio do desmatamento coincide praticamente com o da crise. Tentativas de associar atividades econ\u00f4micas e desmatamento da Amaz\u00f4nia tamb\u00e9m foram feitas como parte de nossas an\u00e1lises anteriores, com limitado \u00eaxito.<\/p><h1><a name=\"_Toc21351823\"><\/a><strong>4\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><strong>Enfrentando a Crise<\/strong><\/h1><p>Mesmo tendo sido provavelmente provocada pelo uso equivocado dos indicadores anunciados do desmatamento, ocorreu uma escalada de pronunciamentos, tanto internos quanto externos para a configura\u00e7\u00e3o da atual crise.<\/p><p>O alarme atual em torno do tema n\u00e3o se deve a uma indica\u00e7\u00e3o clara fornecida pelos \u00edndices, mas a uma interpreta\u00e7\u00e3o precipitada da compara\u00e7\u00e3o de dados referentes a um m\u00eas de junho, com valores anormalmente baixos de 2018, com poss\u00edvel ocorr\u00eancia de \u00edndice excepcionalmente alto do mesmo m\u00eas em 2019. As amostragens de outros per\u00edodos n\u00e3o confirmam a possibilidade da realidade de aumento de quase 100% no desmatamento anual como o alegado.<\/p><p>A situa\u00e7\u00e3o criada tem, como anteriormente apontado motiva\u00e7\u00f5es pol\u00edticas no Brasil e no exterior, agravadas por erros de comunica\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Governo. Com efeito, existe, da parte do Governo Federal, um discurso que pode ser interpretado como de perda de import\u00e2ncia da pol\u00edtica de prote\u00e7\u00e3o ambiental, atitude considerada \u201cpoliticamente correta\u201d e, como tal, pass\u00edvel de rejei\u00e7\u00e3o pelo governos atual. Do outro lado, manifesta-se leg\u00edtima preocupa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, interna e externa, com a preserva\u00e7\u00e3o da natureza, somando-se interesses pol\u00edticos da oposi\u00e7\u00e3o em contrariar o governo, al\u00e9m daqueles externos em disseminar a pretensa incapacidade do Brasil de realizar a prote\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia.<\/p><p>Os dados ambientais oficiais, necess\u00e1rios \u00e0 defesa da posi\u00e7\u00e3o brasileira s\u00e3o dispon\u00edveis, mas foram postos em d\u00favida nas discuss\u00f5es ocorridas no \u00e2mbito do pr\u00f3prio Governo. Esse desencontro tamb\u00e9m dificulta a tomada de medidas efetivas de repress\u00e3o aos crimes ambientais, por si j\u00e1 complexos, agravados pela atual falta de recursos necess\u00e1rios aos exames de poss\u00edvel desmatamento nos locais indicados pelo sistema de vigil\u00e2ncia e ao pr\u00f3prio combate dos inc\u00eandios.<\/p><p>Dados hist\u00f3ricos dispon\u00edveis a respeito do desflorestamento ao longo de tr\u00eas d\u00e9cadas indicam comportamento que \u00e9 t\u00edpico de situa\u00e7\u00f5es em que o equil\u00edbrio se estabelece por um jogo de for\u00e7as e interesses complexos. A tend\u00eancia de longo prazo, em 30 anos indica \u00eaxito na conten\u00e7\u00e3o do desmatamento amaz\u00f4nico como assinala o ajuste mostrado na Figura 5 e anteriores.<\/p><p>Sempre existe, no entanto, o perigo real de que um descuido institucional na defesa das florestas possa vir a causar grave perda da cobertura florestal como nos epis\u00f3dios de 1995 e 2004, ambos em in\u00edcio de governo.<\/p><p>Por outro lado, os compromissos brasileiros assumidos na Confer\u00eancia de Paris que se estendem at\u00e9 o final de 2030 de zerar a contribui\u00e7\u00e3o florestal \u00e0 emiss\u00e3o correspondente de CO2 podem n\u00e3o ser realiz\u00e1veis.<\/p><p>Pode-se de fato perceber na Figura 5 que a tend\u00eancia ali projetada n\u00e3o prev\u00ea para aquela data alcan\u00e7ar-se o desmatamento zero, prometido para a Amaz\u00f4nia. Medidas de reflorestamento na pr\u00f3pria Amaz\u00f4nia bem como em outros biomas, poderiam compensar os excessos das emiss\u00f5es possibilitando assim o alcance das referidas metas. O que certamente n\u00e3o acontecer\u00e1 em quadro de recess\u00e3o econ\u00f4mica levando a eventual ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica de reposi\u00e7\u00e3o florestal a tornar-se excessivamente t\u00edmida mesmo na exist\u00eancia de recursos devido \u00e0 sua limita\u00e7\u00e3o pela lenta supera\u00e7\u00e3o da atual crise econ\u00f4mica. N\u00e3o interessa tamb\u00e9m a ningu\u00e9m que as metas globais de emiss\u00e3o adotadas pelo Brasil se cumpram gra\u00e7as \u00e0 recess\u00e3o t\u00e3o prolongada que venha compensar as prov\u00e1veis emiss\u00f5es florestais.<\/p><p>Na mesma revista em que foi analisado o desflorestamento (E&amp;E 95), tamb\u00e9m foram apontadas as previs\u00edveis dificuldades do cumprimento das metas estabelecidas, sobretudo se forem criadas condi\u00e7\u00f5es de uma nova expans\u00e3o da economia que \u00e9 absolutamente vital para o bem-estar e a paz social da Na\u00e7\u00e3o. Vale repetir as conclus\u00f5es do artigo \u201cAs Metas brasileiras de emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa e a Contribui\u00e7\u00e3o Nacionalmente Determinada &#8211; CND do Brasil\u201d:<\/p><table width=\"100%\"><tbody><tr><td><p style=\"padding-left: 40px;\">A intensidade de emiss\u00f5es (relativas ao PIB) no Brasil j\u00e1 se encontra em um patamar muito baixo em raz\u00e3o da forte participa\u00e7\u00e3o de fontes de energia renov\u00e1veis em nossa Matriz Energ\u00e9tica. Manter os atuais coeficientes j\u00e1 \u00e9 um desafio para muitos setores. N\u00e3o parece racional a passividade nos setores produtivos na aceita\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es adicionais em alguns destes itens. Talvez muitos acreditem que recursos externos ou do pr\u00f3prio governo mitiguem ou resolvam os problemas. Trata-se certamente de pura ilus\u00e3o.<\/p><p style=\"padding-left: 40px;\">As metas que se transformaram em compromisso, s\u00e3o ambiciosas como solicitadas aos pa\u00edses (pela ONU). As metas Emiss\u00f5es\/PIB setoriais podem se revelar incompat\u00edveis com o crescimento. A recente tentativa de modifica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o sobre o uso da terra na Amaz\u00f4nia \u00e9 talvez a primeira rea\u00e7\u00e3o organizada de setores econ\u00f4micos contra medidas associadas \u00e0s emiss\u00f5es de GEE. Seria melhor para o conceito internacional do Pa\u00eds que as metas merecessem uma discuss\u00e3o mais profunda antes de serem assumidas.<\/p><p style=\"padding-left: 40px;\"><em>Carlos Feu Alvim e Olga Mafra na E&amp;E 95<\/em><\/p><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><p>Infelizmente, isso n\u00e3o ocorreu. A atitude das for\u00e7as produtivas brasileiras foi a \u201calegre aceita\u00e7\u00e3o\u201d sem contesta\u00e7\u00e3o dos compromissos assumidos. Deve-se reconhecer que as metas foram fixadas sem o necess\u00e1rio di\u00e1logo com os setores interessados da sociedade. Isso aconteceu n\u00e3o obstante as tentativas do Minist\u00e9rio de Meio Ambiente de propiciar os foros de discuss\u00e3o que esbarraram na incapacidade de di\u00e1logo fundamentado em fatos. E tamb\u00e9m, \u00e9 claro devido ao escasso tempo dispon\u00edvel e da falta da prepara\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica que possibilitasse uma discuss\u00e3o aprofundada com os setores produtivos.<\/p><p>Para atenuar as poss\u00edveis preocupa\u00e7\u00f5es resultantes dessas limita\u00e7\u00f5es, alegou-se que estavam sendo fixadas <strong>apenas inten\u00e7\u00f5es<\/strong> de contribui\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria e n\u00e3o compromissos.<\/p><p>A realidade est\u00e1 demonstrando que mesmo compromissos volunt\u00e1rios assumidos pelo Pa\u00eds acabam se tornando obriga\u00e7\u00f5es pass\u00edveis muitas vezes de justificar retalia\u00e7\u00f5es.<\/p><p>Outro fator a considerar \u00e9 que, mesmo sendo mantidos os compromissos, s\u00e3o esperadas oscila\u00e7\u00f5es em torno da trajet\u00f3ria prevista para alcan\u00e7ar as metas. Em sistemas que obedecem a equil\u00edbrio din\u00e2mico de vari\u00e1veis socioecon\u00f4micas, nem sempre \u00e9 poss\u00edvel atingir as metas definidas. Isto deve ser encarado de forma natural e a apura\u00e7\u00e3o constante dos progressos alcan\u00e7ados e as justificativas do que est\u00e1 acontecendo auxiliam a alcan\u00e7ar este equil\u00edbrio. Outros pa\u00edses dever\u00e3o rever suas pr\u00f3prias metas, o que pode ser alcan\u00e7ado em um clima de concerta\u00e7\u00e3o.<\/p><h1><a name=\"_Toc21351824\"><\/a><strong>5\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h1><p>A situa\u00e7\u00e3o presente encerra amea\u00e7as \u00e0 imagem externa do Pa\u00eds e pode acarretar danos \u00e0 Soberania Nacional.<\/p><p>Ela dever\u00e1 ser enfrentada com seriedade, preferentemente com recursos pr\u00f3prios. A entrada desordenada de equipes de \u201csalvamento\u201d da Amaz\u00f4nia pode produzir danos importantes \u00e0 vis\u00e3o de nossa capacidade de lidar com o problema. A eventual ajuda externa \u00e9 bem-vinda, desde que sob o controle nacional.<\/p><p>Deve-se reconhecer que o Governo parece ter compreendido a gravidade da situa\u00e7\u00e3o, embora ela tenha sido ativada com o que nos parece uma falsa vis\u00e3o. Isso motivou um pronunciamento presidencial e reuni\u00f5es de coordena\u00e7\u00e3o no mais alto n\u00edvel governamental.<\/p><p>\u00c9 muito importante que seja mantida a credibilidade de nossas institui\u00e7\u00f5es encarregadas da apura\u00e7\u00e3o e verifica\u00e7\u00e3o dos compromissos internacionais assumidos bem como dos mecanismos, t\u00e9cnicos ou de for\u00e7a do Estado, a fim de corrigir os eventuais desvios das leis pertinentes. Inc\u00faria na observ\u00e2ncia desta posi\u00e7\u00e3o poderia propiciar aos cr\u00edticos externos novos motivos para suscitar suspeitas fortalecendo suas eventuais cobi\u00e7as. A manuten\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os de controle ambientais competentes e independentes constitui nossa primeira linha de defesa.<\/p><p>Essa consci\u00eancia deve permear tanto nesses \u00f3rg\u00e3os de Estado, como nas demais autoridades governamentais, em geral abrangendo, \u00e9 claro, a totalidade da sociedade nacional.<\/p><h1><a name=\"_Toc21351825\"><\/a>6\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Bibliografia<\/h1><p><strong>Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia. 2004.<\/strong> <em>Comunica\u00e7\u00e3o Nacional Inicial do Brasil, \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a de Clima. <\/em>Bras\u00edlia\u00a0: MCT, 2004.<\/p><p><strong>Prodes\/INPE-Embrapa. 2017.<\/strong> Taxas anuais de desmatamento &#8211; 1988 at\u00e9 2016 (km2\/ano). <em>INPE. <\/em>[Online] INPE-Embrapa, 2017. http:\/\/www.obt.inpe.br\/prodes\/prodes_1988_2016n.htm.<\/p><p><strong>Vargas, J. I. e Gorgozinho, P. M. 2012.<\/strong> Modelagem Matem\u00e1tica Simples do Desmatamento da Amaz\u00f4nia. <em>Economia e Energia E&amp;E. <\/em>[Online] Setembro de 2012. http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/eee86p.pdf.<\/p><p><strong>Vargas, J. I., Grandsire, R. e Alvim, C Feu. 2017.<\/strong> Acompanhamento da evolu\u00e7\u00e3o do eesflorestamento da Amaz\u00f4nia usando modelagem matem\u00e1tica simples. <em>Economia Energia &#8211; E&amp;E 95. <\/em>[Online] setembro de 2017. http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/eee95p.pdf.<\/p><p><strong>Volterra, V,. 1931.<\/strong> <em>Le\u00e7ons sur la th\u00e9orie math\u00e9matique de la lute pour la vie. <\/em>Paris,\u00a0: Gauthier-Villars, 1931.<\/p><h3><a name=\"_Toc21351826\"><\/a><i>Nota sobre a Fake Crisis:<\/i><\/h3><h1><a name=\"_Toc21351827\"><\/a>A Falsa Crise dos Focos de Inc\u00eandio na Amaz\u00f4nia<\/h1><p>Depois da Crise de Desmatamento que teve origem em uma interpreta\u00e7\u00e3o equivocada de um indicador mensal, parece que estamos agora assistindo (agosto de 2019) uma falsa crise de focos de inc\u00eandio florestal na Amaz\u00f4nia.<\/p><p>No artigo \u201cmostramos que a retomada do desmatamento n\u00e3o \u00e9 de agora, come\u00e7ou em 2015. Quase nada a ver com o aumento de quase 100% do alarme de desmatamento em junho.<\/p><p>J\u00e1 a crise dos focos de inc\u00eandio, n\u00e3o h\u00e1 sinal dela at\u00e9 esse 31 de agosto de 2019. Para desmentir essa crise n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio recorrer a Angela Merkel e seus sat\u00e9lites europeus. O INPE apresenta em seu site um belo aplicativo sobre queimadas no Brasil e no mundo.<\/p><p><a href=\"http:\/\/queimadas.dgi.inpe.br\/queimadas\/portal-static\/estatisticas_estados\/\">http:\/\/queimadas.dgi.inpe.br\/queimadas\/portal-static\/estatisticas_estados\/<\/a><\/p><p>O site mostra, praticamente em tempo real, dia a dia, o mapa de todos os focos de inc\u00eandio, escolhendo o sat\u00e9lite com melhor cobertura para a \u00e1rea. O software usado permite a classifica\u00e7\u00e3o de cada foco e, com dois dias de atraso, oferece a localiza\u00e7\u00e3o das nuvens. \u00c9 um mapa interativo que possibilita obter a localiza\u00e7\u00e3o de cada tipo de foco de inc\u00eandio.<\/p><p>O INPE\u00a0faz parte de uma rede que inclui v\u00e1rios sat\u00e9lites que se revezam na medida dos pontos de inc\u00eandio cuja localiza\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica \u00e9 logicamente f\u00e1cil.\u00a0<\/p><p>Apresenta tabela com as estat\u00edsticas m\u00eas a m\u00eas desde 1989. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel comparar a situa\u00e7\u00e3o do Brasil com a de outros pa\u00edses e regi\u00f5es. Possibilita ainda tra\u00e7ar a curva sazonal dos inc\u00eandios e a de m\u00e1ximos e m\u00ednimos. A Figura 1, extra\u00edda do site do INPE, mostra a situa\u00e7\u00e3o\u00a0para a Amaz\u00f4nia Legal comparando o ano atual com as m\u00e9dias, m\u00ednimas e m\u00e1ximas dos anos anteriores.<\/p><p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3749\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura1i_104.png\" alt=\"\" width=\"591\" height=\"352\" data-wp-pid=\"3749\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura1i_104.png 591w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura1i_104-300x179.png 300w\" sizes=\"(max-width: 591px) 100vw, 591px\" \/><\/p><p>Figura 1: Focos de Inc\u00eandio de 2019 comparado com os valores mensais m\u00e9dios, m\u00e1ximos e m\u00ednimos<\/p><p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3677\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura2i_104.png\" alt=\"Focos de inc\u00eandio na Amaz\u00f4nia em 2019 comparados com a m\u00e9dia\" width=\"650\" height=\"458\" data-wp-pid=\"3677\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura2i_104.png 650w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura2i_104-300x211.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura2i_104-600x423.png 600w\" sizes=\"(max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/p><p>Figura 2: Focos de inc\u00eandio, valor acumulados para 2019 comparados com os m\u00e9dios<\/p><p>Pode-se observar que os valores at\u00e9 agosto de focos de inc\u00eandio est\u00e3o dentro da normalidade sazonal. Essa compara\u00e7\u00e3o \u00e9 mais f\u00e1cil nos valores mensais acumulados mostrados na Figura 2.<\/p><p>At\u00e9 31 de agosto de 2019 o total acumulado \u00e9 de 63.109 e o m\u00e9dio hist\u00f3rico \u00e9 de 56.748, ou seja, o de 2019 est\u00e1 cerca de 11% maior que do ano m\u00e9dio. Isto est\u00e1 dentro da dispers\u00e3o normal esperada.\u00a0<\/p><p>A Figura 3 mostra os valores anuais de focos de inc\u00eandio detectados para cada ano. Para 2019 indicou-se tamb\u00e9m o valor esperado para 2019 se o restante do ano for normal. \u00c9 um valor 5% acima da m\u00e9dia.<\/p><p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3750\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/figura3ii_104.png\" alt=\"\" width=\"864\" height=\"560\" data-wp-pid=\"3750\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/figura3ii_104.png 864w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/figura3ii_104-300x194.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/figura3ii_104-768x498.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/figura3ii_104-800x519.png 800w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/figura3ii_104-600x389.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p><p>Figura 3: Focos de inc\u00eandio por ano, com valor extrapolado para final de 2019<\/p><p>Ou seja, definitivamente os inc\u00eandios florestais de 2019 est\u00e3o dentro da normalidade. A crise \u00e9 falsa. Pelo menos, at\u00e9 agora. Isto \u00e9 que se pode deduzir dos resultados at\u00e9 o final do m\u00eas de agosto, devendo-se prestar a aten\u00e7\u00e3o no m\u00eas de setembro, usualmente o pico anual em focos de inc\u00eandio.<\/p><p>Os que desejam criar um alarme, perderam uma bela oportunidade com um fundo de realidade: o m\u00eas de mar\u00e7o de 2019 apresentou recorde hist\u00f3rico de focos de inc\u00eandio para o m\u00eas. Os meses seguintes trouxeram o total acumulado no ano para a m\u00e9dia dos 20 anos que se disp\u00f5e da medida.<\/p><p>Ainda no assunto de compara\u00e7\u00f5es pontuais, se o aumento de focos for tomado em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado (2018) pode-se estar cometendo um engano metodol\u00f3gico. O gr\u00e1fico mostra que 2018 est\u00e1 muito abaixo da m\u00e9dia. Por exemplo, se confirmado valor para 2019 (pr\u00f3ximo ao m\u00e9dio hist\u00f3rico), o valor deste ano ser\u00e1 73% maior que o do ano passado que, justamente por estar muito abaixo da m\u00e9dia, n\u00e3o deve ser tomado como refer\u00eancia.\u00a0<\/p><p>Sem um crit\u00e9rio de an\u00e1lise objetivo, a interpreta\u00e7\u00e3o das estat\u00edsticas passa por subjetivismos, muitas vezes apaixonados. Por essa raz\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1ria uma intermedia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, como a frequentemente usada na divulga\u00e7\u00e3o de not\u00edcias econ\u00f4mico-financeiras, para dar a conhecer as not\u00edcias ambientais.<\/p><p><strong>Focos de Inc\u00eandio X Desmatamento<\/strong><\/p><p>O desmatamento pode, eventualmente, resultar de uma trag\u00e9dia ambiental, causada por inc\u00eandios acidentais ou n\u00e3o, e facilitada por condi\u00e7\u00f5es excepcionais para sua propaga\u00e7\u00e3o. Para estes casos, resta o esfor\u00e7o de debelar os focos perigosos, as vezes sem \u00eaxito, conforme acompanhamos na cobertura mundial desses eventos nos pa\u00edses centrais. O desmatamento que mais preocupa \u00e9 o que resulta da a\u00e7\u00e3o deliberada. Esse tipo de a\u00e7\u00e3o \u00e9 a que persiste e se estende nos anos seguintes porque traz retorno econ\u00f4mico para seus autores.<\/p><p>As a\u00e7\u00f5es para se contrapor a um tipo ou outro de desmatamento s\u00e3o de diferente natureza, embora ambas se aproveitem dos alertas aos focos de inc\u00eandio. A partir de 1998, existem as duas estat\u00edsticas, de focos de inc\u00eandio e do desmatamento, e a compara\u00e7\u00e3o entre elas fornece informa\u00e7\u00f5es \u00fateis. Na Figura 4 est\u00e1 indicada a evolu\u00e7\u00e3o dos dois tipos de evento a partir de 1998.<\/p><p>A menos do per\u00edodo em torno do pico de desmatamento de 2004, n\u00e3o h\u00e1 uma correla\u00e7\u00e3o muito vis\u00edvel entre as duas vari\u00e1veis. Chama a aten\u00e7\u00e3o o ano de 2018 cujo \u00edndice de focos de inc\u00eandio est\u00e1 40% abaixo da do ano anterior e da m\u00e9dia hist\u00f3rica e que, no entanto, registrou aumento do desmatamento. A maioria das compara\u00e7\u00f5es feitas na imprensa \u00e9 com o ano de 2018, visivelmente um ano at\u00edpico que n\u00e3o serve de refer\u00eancia. \u00a0<\/p><p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3751\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Figura1_dxf.png\" alt=\"\" width=\"652\" height=\"510\" data-wp-pid=\"3751\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Figura1_dxf.png 652w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Figura1_dxf-300x235.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Figura1_dxf-600x469.png 600w\" sizes=\"(max-width: 652px) 100vw, 652px\" \/><\/p><p>Figura 4: Desmatamento anual e focos de inc\u00eandio na Amaz\u00f4nia Legal Fonte: <em>site<\/em> do INPE; os valores para 2019 s\u00e3o projetados.<\/p><p>A tentativa de estabelecer alguma correla\u00e7\u00e3o entre o n\u00famero de focos de inc\u00eandio durante o ano com o desmatamento estimado para o mesmo ano mostra uma correla\u00e7\u00e3o muito fraca (R2 pouco menor que 0,2).<\/p><p>Ou seja, nem o \u00edndice de focos inc\u00eandio de 2019 est\u00e1 fora do normal hist\u00f3rico, nem ele \u00e9 um indicativo v\u00e1lido para monitorar o desmatamento. O importante na avalia\u00e7\u00e3o de desmatamento s\u00e3o os indicadores espec\u00edficos de desmatamentos divulgados pelo INPE que j\u00e1 acumulou uma bagagem experimental de testes no terreno que outras fontes n\u00e3o t\u00eam para o Brasil e cuja seriedade \u00e9 a melhor defesa do Pa\u00eds contra os mal-informados e mal-intencionados.\u00a0<\/p><p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Os resultados de focos de inc\u00eandio para setembro de 2019, divulgados pelo INPE no encerramento dessa edi\u00e7\u00e3o, estiveram 30% abaixo da m\u00e9dia para o m\u00eas o que trouxe o acumulado para 6% abaixo da m\u00e9dia anual at\u00e9 a data.<\/p><p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Por conta disso, o presidente Temer havia tomado um pito da Primeira Ministra da Noruega em junho 2017, \u00e0quela altura imerecido.<\/p><p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> O termo desflorestamento \u00e9 mais apropriado para o que se quer medir na Amaz\u00f4nia, por for\u00e7a de uso, o termo desmatamento, correntemente usado no mesmo sentido, ser\u00e1 muitas vezes usado neste trabalho em substitui\u00e7\u00e3o ao desflorestamento.<\/p><p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Os dados recentes aqui analisados parecem, no entanto, n\u00e3o se enquadrar inteiramente como oscila\u00e7\u00f5es de curta dura\u00e7\u00e3o, como as anteriormente observadas, e devem ser acompanhados com aten\u00e7\u00e3o.<\/p><p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.obt.inpe.br\/OBT\/noticias-obt-inpe\/alertas-do-deter-na-amazonia-em-junho-somam-2-072-03-km2\">http:\/\/www.obt.inpe.br\/OBT\/noticias-obt-inpe\/alertas-do-deter-na-amazonia-em-junho-somam-2-072-03-km2<\/a><\/p><p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Dados referentes ao m\u00eas de junho estimados a partir da Figura 1.<\/p><p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Essa dificuldade refor\u00e7a o problema de se tomar um m\u00eas isolado para avaliar a varia\u00e7\u00e3o de desmatamento. O INPE costuma advertir em todos os seus boletins de desmatamento para um problema adicional que \u00e9 a forte influ\u00eancia das condi\u00e7\u00f5es de visibilidade sobre o valor da avalia\u00e7\u00e3o mensal.<\/p><p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Marta Salomon e T\u00e2nia Monteiro, Maior parte de \u00e1rea desmatada da Amaz\u00f4nia virou pasto, Estado de S\u00e3o Paulo, 03\/09\/2011 \u201ccitando relat\u00f3rio Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) apresentado ontem ao Pal\u00e1cio do Planalto no dia anterior\u02dc.<\/p><p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Corresponde \u00e1 Figura 2 com a curva de ajuste.<\/p>\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E&amp;E 104 Julho a setembro de 2019\u00a0 Ver ou Baixar E&amp;E 104 em pdf. \u00a0Economia e Energia \u00a0\u2013 \u00a0http:\/\/ecen.com.br N\u00ba 104, julho a setembro de 2019ISSN 1518-2932 Dispon\u00edvel em: http:\/\/eee.org.br e http:\/\/ecen.com (n\u00fameros anteriores) Palavra do Editor FALSA CRISE DE DESMATAMENTO,PROBLEMA REAL A crise de desmatamento da Amaz\u00f4nia no Governo Bolsonaro envolve alarmes de desmatamento &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"http:\/\/eee.org.br\/?page_id=4155\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;E&#038;E 104 Desmatamento da Amaz\u00f4nia&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/4155"}],"collection":[{"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4155"}],"version-history":[{"count":15,"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/4155\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4830,"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/4155\/revisions\/4830"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4155"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}