{"id":5146,"date":"2022-02-17T11:11:33","date_gmt":"2022-02-17T14:11:33","guid":{"rendered":"http:\/\/ecen.com.br\/?page_id=5146"},"modified":"2023-06-09T15:47:54","modified_gmt":"2023-06-09T18:47:54","slug":"ee-109","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/eee.org.br\/?page_id=5146","title":{"rendered":"E&#038;E 109"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Economia &amp; Energia&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<br \/>\n<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/eee109.pdf\">Baixar E&amp;E 109&nbsp; em Vers\u00e3o PDF<\/a><\/p>\n<p><strong><em>Mat\u00e9ria em discuss\u00e3o: <\/em><\/strong><\/p>\n<h2>D\u00favidas sobre novo ciclo de crescimento do metano na atmosfera<\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Carlos Feu Alvim e Olga Mafra<\/em><\/p>\n<h3><strong>Resumo<\/strong><\/h3>\n<p>As emiss\u00f5es dos diferentes gases causadores do efeito estufa s\u00e3o expressas em equivalente a g\u00e1s carb\u00f4nico (tonelada de CO2 equivalente). Os diferentes coeficientes utilizados para convers\u00e3o do metano em CO2 s\u00e3o testemunhos da pol\u00eamica que ainda desperta o tema. Para o Brasil, esses coeficientes fazem uma enorme diferen\u00e7a. O assunto j\u00e1 foi tratado em diversos exemplares desta revista a partir de 2006, quando fizemos uma proje\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera que j\u00e1 estaria em um processo de estabiliza\u00e7\u00e3o, tendendo para um valor m\u00e1ximo de 1900 partes por bilh\u00e3o (ppb) na atmosfera terrestre. Essa tend\u00eancia hist\u00f3rica contrariava as proje\u00e7\u00f5es dos relat\u00f3rios de assessoramento do IPCC. Neste trabalho, aproveitamos os novos dados dispon\u00edveis para verificar a validade dessa expectativa e discutir a hip\u00f3tese de um novo ciclo de crescimento do teor de metano na atmosfera.<\/p>\n<p><strong>Palavras-Chave<\/strong><\/p>\n<p>Aquecimento global, metano, IPCC, gases de efeito estufa, modelos de proje\u00e7\u00e3o, emiss\u00f5es<\/p>\n<p>____________________________________<\/p>\n<h2>Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>O assunto <strong>relev\u00e2ncia do metano na conten\u00e7\u00e3o do efeito estufa<\/strong> j\u00e1 foi tratado em diversos exemplares dessa revista. No primeiro deles, em 2006, fizemos uma proje\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera terrestre que j\u00e1 estaria em um processo de estabiliza\u00e7\u00e3o, tendendo para um valor m\u00e1ximo de 1900 partes por bilh\u00e3o (ppb).<\/p>\n<p>Neste trabalho, aproveitamos os novos dados dispon\u00edveis para fazer o resumo das publica\u00e7\u00f5es anteriores, verificar a validade dessa expectativa e discutir a hip\u00f3tese de um novo ciclo de crescimento da concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera.<\/p>\n<p>A E&amp;E vem tratando desse tema sistematicamente e apontado falhas graves nas proje\u00e7\u00f5es adotadas pelo IPCC para o metano. Os principais artigos s\u00e3o:<\/p>\n<p>E&amp;E \u2116 55 de abril-maio de 2006: <a href=\"https:\/\/ecen.com\/eee55\/eee55p\/metano_na_atmosfera.htm\">A Evolu\u00e7\u00e3o da Concentra\u00e7\u00e3o de Metano na Atmosfera<\/a>, Carlos Feu Alvim, Omar Campos Ferreira e Jos\u00e9 Israel Vargas.<\/p>\n<p>E&amp;E \u2116 65 de dezembro de 2006 a janeiro de 2007: <a href=\"https:\/\/ecen.com\/eee65\/eee65p\/revisitando%20a%20concentracao%20do%20metano%20na%20atmosfera.htm\">Revisitando a Concentra\u00e7\u00e3o do Metano na Atmosfera,<\/a> Carlos Feu Alvim, Omar Campos Ferreira e Jos\u00e9 Israel Vargas.<\/p>\n<p>E&amp;E \u2116 100 de julho-setembro de 2018: <a href=\"http:\/\/ecen.com.br\/?page_id=2681\">Efeito Estufa: Persistem d\u00favidas sobre o papel do metano<\/a>, Carlos Feu Alvim e Olga Mafra.<\/p>\n<p>E&amp;E \u2116 101 de outubro-dezembro de 2018: <a href=\"http:\/\/ecen.com.br\/?p=2839#_ftn2\">Efeito Estufa: Uma Morat\u00f3ria para o Metano<\/a>, Carlos Feu Alvim e Olga Mafra.<\/p>\n<p>Nos tr\u00eas primeiros artigos, foram feitas proje\u00e7\u00f5es e\/ou compara\u00e7\u00f5es de proje\u00e7\u00f5es com os resultados de medidas; j\u00e1 o artigo da E&amp;E 101 \u00e9 de opini\u00e3o, onde os autores manifestam que n\u00e3o existia justificativa cient\u00edfica para fazer o esfor\u00e7o que o Brasil se prop\u00f4s, na Confer\u00eancia de Paris, de reduzir \u00e0 metade a emiss\u00e3o espec\u00edfica do g\u00e1s metano nas atividades agropecu\u00e1rias.<\/p>\n<p>Nos estudos anteriores, chamamos \u00e0 aten\u00e7\u00e3o para o fato de que o aquecimento global \u00e9 um assunto de longo prazo, no qual o tempo t\u00edpico de avalia\u00e7\u00e3o de impacto \u00e9 da ordem de um s\u00e9culo; nos referimos ainda ao uso inadequado de coeficientes de equival\u00eancias do metano com o g\u00e1s carb\u00f4nico baseado em seu poder de absor\u00e7\u00e3o imediato e n\u00e3o em seu efeito de longo prazo. Isto \u00e9 particularmente importante quando se trata de compensar a emiss\u00e3o de CO2 com a supress\u00e3o de emiss\u00f5es de metano.<\/p>\n<p>Discutimos que, sendo as emiss\u00f5es dos diferentes gases expressas em equivalente a g\u00e1s carb\u00f4nico (tonelada de CO2 equivalente), os coeficientes usados s\u00e3o muito importantes para avaliar medidas propostas para emiss\u00f5es de metano. A diferen\u00e7a existente nos coeficientes utilizados para convers\u00e3o do metano (GWP 100 anos = 28 e GTP = 4 e agora GWP 20 anos = 88<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>) \u00e9 testemunho da pol\u00eamica que ainda desperta o tema. Para o Brasil, esses coeficientes fazem uma enorme diferen\u00e7a.<\/p>\n<h2>A Falha dos Modelos do IPCC para Proje\u00e7\u00e3o da Concentra\u00e7\u00e3o de Metano<\/h2>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es emp\u00edricas, como a nossa, sobre o comportamento do teor de metano devem ser consideradas como a continua\u00e7\u00e3o de uma tend\u00eancia hist\u00f3rica vigente at\u00e9 o \u00faltimo ano do ajuste. N\u00e3o podemos, de forma alguma, pretender que ela supere os sofisticados modelos destinados a descrever o comportamento do teor de metano no longo prazo. O que fazemos s\u00e3o compara\u00e7\u00f5es da tend\u00eancia hist\u00f3rica e dos resultados observados com os resultados dos modelos adotados pelo IPCC nos seus quatro primeiros Relat\u00f3rios de Assessoramento do IPCC.<\/p>\n<p>A falha desses modelos \u00e9, implicitamente, reconhecida no Quinto Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o do IPCC (Figura 1 neste trabalho).<\/p>\n<p>Como pode ser visto na Figura 1, os valores reais ficaram sistematicamente abaixo de TODOS os cen\u00e1rios das proje\u00e7\u00f5es e isso n\u00e3o se deveu a retra\u00e7\u00e3o nas emiss\u00f5es de metano.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Figura1EEE109.jpg\" alt=\"Projecoesmetanoeobservado\" width=\"466\" height=\"315\" data-wp-pid=\"5157\" data-pin-nopin=\"nopin\"><\/strong>Figura 1: Teores em partes por bilh\u00e3o (ppb) de m\u00e9dias globais de concentra\u00e7\u00e3o de metano (CH4), desde 1950, comparada com proje\u00e7\u00f5es de relat\u00f3rios de avalia\u00e7\u00e3o pr\u00e9vios ao Quinto Relat\u00f3rio de Assessoramento do IPCC.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Tradu\u00e7\u00e3o da Legenda da figura original.6a: Concentra\u00e7\u00f5es m\u00e9dias de CH4 observadas globalmente e anualmente em partes por bilh\u00e3o (ppb) desde 1950, em compara\u00e7\u00e3o com as proje\u00e7\u00f5es das avalia\u00e7\u00f5es anteriores do IPCC. As concentra\u00e7\u00f5es anuais globais de CH4 observadas s\u00e3o mostradas em azul escuro. O sombreamento mostra a maior faixa projetada do modelo de concentra\u00e7\u00f5es globais anuais de CH4 de 1950 a 2035 do FAR (Figura A.3 do Anexo do IPCC, 1990); SAR (Tabela 2.5 a in Schimel et al., 1966); TAR (Anexo II do IPCC, 2001); e dos cen\u00e1rios A2, A1B e B1 apresentados no AR4 (Figura 10.26 em Meehl et al., 2007). As barras do lado direito do gr\u00e1fico mostram o intervalo completo fornecido para 2035 para cada relat\u00f3rio de avalia\u00e7\u00e3o. S\u00e3o apresentados os anos de publica\u00e7\u00e3o dos relat\u00f3rios de avalia\u00e7\u00e3o. Consulte o Ap\u00eandice 1.A (do Quinto Relat\u00f3rio de Assessoramento) para obter detalhes sobre os dados e c\u00e1lculos usados para criar esta figura.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>_____________________<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Nota da E&amp;E:<\/em><br \/>\n<em>FAR First Assessment Report &#8211; IPCC<\/em><br \/>\n<em>SAR Second Assessment Report &#8211; IPCC<\/em><br \/>\n<em>TAR Third Assessment Report &#8211; IPCC<\/em><br \/>\n<em>AR4 Fourth Assessment Report &#8211; IPCC<\/em><br \/>\n<em>AR5 Fifth Assessment Report &nbsp;&#8211; IPCC<\/em><\/p>\n<p>_____________________<\/p>\n<h2>Nova Relev\u00e2ncia para o Metano no Efeito Estufa<\/h2>\n<p>Segundo a Folha de S. Paulo,&nbsp;\u201co Brasil assinou o compromisso global sobre o metano, ap\u00f3s press\u00e3o dos Estados Unidos, que sugeriu privilegiar acordos comerciais com os signat\u00e1rios do compromisso\u201d. O Itamaraty teria se mostrado incomodado em assinar um documento pronto, n\u00e3o tendo sido poss\u00edvel negociar seus termos.<\/p>\n<p>O metano \u00e9 um componente importante no invent\u00e1rio das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa anuais, atribu\u00eddas ao Brasil. A maior fonte de nossas emiss\u00f5es no setor agr\u00edcola \u00e9 o g\u00e1s metano provenientes da digest\u00e3o do nosso gado, especialmente o bovino. Toda pol\u00edtica de redu\u00e7\u00e3o do metano afeta diretamente nossos interesses de grande produtor de carne.<\/p>\n<p>O Brasil vem assumindo compromissos, na \u00e1rea de emiss\u00f5es, com risco de perda de competitividade internacional. Esse assunto n\u00e3o pode ser tratado com ligeireza como, infelizmente, costuma ser tratado pelo Brasil e at\u00e9 no n\u00edvel internacional. Esse parece ser o caso do citado compromisso de reduzir as emiss\u00f5es de metano; embora, a rigor, como justificou o Itamaraty na ocasi\u00e3o da ades\u00e3o do Brasil, ele j\u00e1 constasse dos compromissos brasileiros volunt\u00e1rios assumidos anteriormente.<\/p>\n<p>Da \u00faltima publica\u00e7\u00e3o para esta, temos mais tr\u00eas anos de medidas de teor de metano na atmosfera que voltou a crescer. Trataremos aqui de discutir se isto representa uma retomada da tend\u00eancia anteriormente prevista ou se trata de um outro ciclo de crescimento.<\/p>\n<p>Para isso, vamos fazer, rapidamente, uma \u201chist\u00f3ria em quadrinhos\u201d dos resultados e proje\u00e7\u00f5es nos tr\u00eas primeiros artigos<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[2]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>A Figura 2 (E&amp;E N\u00ba 53), mostra a evolu\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera (medida em partes por bilh\u00e3o em volume). S\u00e3o dados que cobrem mil anos. As amostras foram recolhidas em geleiras tanto da Groenl\u00e2ndia como da Ant\u00e1rtica e diretamente da atmosfera o na esta\u00e7\u00e3o do Cabo Grim (Tasm\u00e2nia) e Ant\u00e1rtica.<\/p>\n<p>Os resultados experimentais (Figura 2) mostram que, ap\u00f3s oito s\u00e9culos de estabilidade, os teores de metano come\u00e7aram a crescer por volta do ano 1800. Esse crescimento coincide com o per\u00edodo da revolu\u00e7\u00e3o industrial. Esta \u00e9, ali\u00e1s, uma das mais fortes evid\u00eancias da influ\u00eancia da atividade humana na composi\u00e7\u00e3o da atmosfera.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Figura2_EEE109JPEG.jpg\" alt=\"Figura sobre teor de metano por quase um s\u00e9culo\" width=\"416\" height=\"300\" data-wp-pid=\"5170\" data-pin-nopin=\"nopin\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Figura 2: Teor de metano na atmosfera a partir do ar contido em amostras de geleiras, Ant\u00e1rtica e da Groenl\u00e2ndia, e de amostras ambientais, na Ant\u00e1rtica e Tasm\u00e2nia (E&amp;E 55)<\/p>\n<p>Os dados das geleiras resultam da retirada de amostras de cilindros ou n\u00facleos de gelo (em ingl\u00eas <em>ice core<\/em><a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[3]<\/sup><\/a>), acumulados ao longo dos s\u00e9culos pela neve ali depositada. S\u00e3o como \u201cc\u00e1psulas do tempo\u201d que a pr\u00f3pria natureza guardou. O ar contido no gelo \u00e9 t\u00e3o mais antigo quanto mais profundo seja colhida a amostra.<\/p>\n<p>O comportamento dos dados da Ant\u00e1rtica e Groel\u00e2ndia s\u00e3o semelhantes, ao longo do tempo, e isso permitiu que concentr\u00e1ssemos nossa an\u00e1lise em dados colhidos apenas no Polo Sul.<\/p>\n<p>Os valores representados na Figura 3 foram obtidos de um mesmo lugar (Ant\u00e1rtica) e tratados por uma mesma metodologia (ar capturado em geleira, datado por composi\u00e7\u00e3o isot\u00f3pica). Por essas raz\u00f5es, eles s\u00e3o muito adequados para que se conhe\u00e7a o comportamento do teor de metano por um per\u00edodo muito longo (quase um mil\u00eanio).<\/p>\n<p>A Figura 3 re\u00fane os resultados do teor de metano em fun\u00e7\u00e3o do tempo (em azul) e sua varia\u00e7\u00e3o por unidade de tempo (em magenta). A escala da esquerda corresponde ao valor cumulativo (teor em ppb) e escala da direita o valor diferencial, ou seja, a varia\u00e7\u00e3o do teor por unidade de tempo (em ppb\/ano).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Figgura3_EEE109.png.jpg\" alt=\"Figura de evolu\u00e7\u00e3o do teor de metano e sua varia\u00e7\u00e3o anual na atmosfera\" width=\"416\" height=\"300\" data-wp-pid=\"5171\" data-pin-nopin=\"nopin\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Figura 3: Teor de metano e acr\u00e9scimo anual na atmosfera, no per\u00edodo 1900 a 1996, em ppb e ppb\/ano (E&amp;E 55)<\/p>\n<p>A Figura 4 mostra o ajuste realizado, para o per\u00edodo 1940 a 1996, utilizando a curva log\u00edstica (E&amp;E \u2116 53). A figura utiliza uma escala que torna a fun\u00e7\u00e3o uma reta<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[4]<\/sup><\/a> o que facilita o ajuste.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Figura4_EE109.png\" alt=\"ajuste para teor de metano \" width=\"412\" height=\"263\" data-wp-pid=\"5176\" data-pin-nopin=\"nopin\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Figura 4: Ajuste da Curva Fisher-Pry aos valores da concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera para determina\u00e7\u00e3o de coeficientes que definem a evolu\u00e7\u00e3o do teor de metano ao longo dos anos.<\/p>\n<p>A curva apresenta o ponto de inflex\u00e3o no ano de 1975 (<strong>to<\/strong>) e <strong>t<\/strong> \u00e9 o tempo, medido em anos; \u0394t = 69 anos que corresponde ao intervalo entre 10% e 90% do teor m\u00e1ximo esperado.<\/p>\n<p>A Figura 5 mostra, em escala linear, o ajuste realizado com dados da figura anterior. O valor Ymax que corresponderia ao \u201cnicho\u201d, n\u00edvel de equil\u00edbrio esperado para o teor de metano. Ymax foi estimado em 936 ppb que, somados ao valor inicial de 954 ppb (m\u00e9dia teores de 1900 a 1940), projetam um valor m\u00e1ximo de 1890 ppb, ao longo do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Figura5_EEE109jpeg.png.jpg\" alt=\"Fogira 05, proje\u00e7\u00e3o do teor do metano\" width=\"406\" height=\"258\" data-wp-pid=\"5180\" data-pin-nopin=\"nopin\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Figura 5: Dados do ajuste mostrado na figura anterior projetando um valor m\u00e1ximo 1900 ppb de CH4 na atmosfera (E&amp;E 53).<\/p>\n<p>O TAR\/IPCC<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[5]<\/a> apresentou os valores projetados para o teor m\u00e9dio de metano na atmosfera em diversos cen\u00e1rios, alguns associados \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de metano por aplica\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas espec\u00edficas. As proje\u00e7\u00f5es do IPCC s\u00e3o comparadas, juntamente com a proje\u00e7\u00e3o E&amp;E 53, com o efetivamente ocorrido na Figura 6.<\/p>\n<p>Escala ampliada, mostrando o per\u00edodo 1985-2010<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Figura6a_EEE109.jpg\" alt=\"figura 6a teor de metano \" width=\"344\" height=\"269\" data-wp-pid=\"5182\" data-pin-nopin=\"nopin\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Figura6b_EEE109.jpg2_.jpg\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"236\" data-wp-pid=\"5184\" data-pin-nopin=\"nopin\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Figura 6: Compara\u00e7\u00e3o de proje\u00e7\u00f5es do TAR e da E&amp;E com o comportamento do teor de metano verificado (E&amp;E 65)<\/p>\n<p>Pode-se perceber que o ponto de partida do TAR \u00e9 o ano de 2000. J\u00e1 o do nosso ajuste at\u00e9 1996 n\u00e3o toma o ponto j\u00e1 medido como ponto obrigat\u00f3rio de partida.<\/p>\n<p>O detalhe importante, mostrado na parte inferior da Figura 6, \u00e9 que a totalidade das cen\u00e1rios considerados previa um grande aumento do teor de metano nos primeiros anos, o que n\u00e3o se verificou. Tamb\u00e9m mostra que o crescimento do teor de metano na atmosfera havia praticamente \u201czerado\u201d apesar da pouca efetividade do controle da emiss\u00e3o de metano no per\u00edodo.<\/p>\n<p>A Figura 7, do Quarto Relat\u00f3rio do Grupo 1 do IPCC, mostra os dados do teor de metano e sua varia\u00e7\u00e3o anual, entre 1984 e 2006. Na ocasi\u00e3o do lan\u00e7amento do TAR, em 2001, os dados eram dispon\u00edveis at\u00e9 2000. A curva superior do gr\u00e1fico j\u00e1 indica uma tend\u00eancia de satura\u00e7\u00e3o no crescimento do teor que foi confirmada nos anos seguintes. Coerentemente com isso, observa-se uma tend\u00eancia de queda na varia\u00e7\u00e3o anual. No entanto, no momento de elabora\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio, o s\u00fabito crescimento de 1998 deve ter exercido forte influ\u00eancia sobre os modeladores<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca da publica\u00e7\u00e3o da E&amp;E 65 (segundo artigo), j\u00e1 estava dispon\u00edvel o Quarto Relat\u00f3rio de Assessoramento do IPCC e o gr\u00e1fico (Figura 7 neste relat\u00f3rio) j\u00e1 constava no artigo. Na E&amp;E 65, tamb\u00e9m destacamos, manifesta\u00e7\u00f5es do grupo t\u00e9cnico no Quarto Relat\u00f3rio que mostravam sua perplexidade sobre o que teria provocado a estagna\u00e7\u00e3o do teor de metano atmosf\u00e9rico a partir do ano 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Figura7_EEE109.jpg\" alt=\"Fotura7: teores de metano e sua varia\u00e7\u00e3o\" width=\"369\" height=\"272\" data-wp-pid=\"5185\" data-pin-nopin=\"nopin\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Figura 7:&nbsp; Crescimento da concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera e valores anuais de concentra\u00e7\u00e3o para duas s\u00e9ries de medidas. (Fonte IPCC Quarto Relat\u00f3rio de Assessoramento).<\/p>\n<p>N\u00e3o sabemos se os resultados das medidas nos glaci\u00e1rios foram levados em conta na calibra\u00e7\u00e3o dos modelos utilizados. Provavelmente n\u00e3o, porque eles j\u00e1 mostravam uma queda, desde 1975, na taxa de crescimento do teor de metano, como mostra a Figura 6. Simplesmente, nada indicava, na observa\u00e7\u00e3o emp\u00edrica anterior, as hip\u00f3teses de crescimento projetadas pelo modelo adotado pelo IPCC<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[7]<\/a>. No TAR n\u00e3o h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o sobre a verifica\u00e7\u00e3o dessa necess\u00e1ria ader\u00eancia do modelo aos dados do passado.<\/p>\n<p>Quanto a proje\u00e7\u00e3o E&amp;E, embora apontasse para uma estabiliza\u00e7\u00e3o do teor, ao longo do tempo, ela estaria acontecendo muito antes do esperado, j\u00e1 a modelagem adotada no TAR ignorava a tend\u00eancia j\u00e1 existente.<\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o de nossa revis\u00e3o anterior, feita em 2018 (E&amp;E \u2116 100), a concentra\u00e7\u00e3o j\u00e1 havia retomado o crescimento. Persistia, n\u00e3o obstante, a d\u00favida se est\u00e1vamos diante de uma retomada no crescimento ou, simplesmente, em uma oscila\u00e7\u00e3o como as que j\u00e1 aconteceram no passado. Se for uma oscila\u00e7\u00e3o, a tend\u00eancia de estabilidade do teor de metano no longo prazo estaria preservada.<\/p>\n<p>Na revis\u00e3o feita na E&amp;E 100, acrescentamos novos valores e os comparamos com a proje\u00e7\u00e3o j\u00e1 mostrada em n\u00fameros anteriores, baseada nos resultados at\u00e9 1996. A Figura 8, \u00e9 an\u00e1loga \u00e0 publicada na E&amp;E 100, apenas acrescentando os valores dos tr\u00eas \u00faltimos anos, agora dispon\u00edveis e mudando a normaliza\u00e7\u00e3o entre os dois conjuntos de medidas.<\/p>\n<p>Neste trabalho, foi acrescentado aos valores obtidos na geleira da Ant\u00e1rtica um valor constante de 67 ppb, para evitar a descontinuidade entre os dois conjuntos de dados utilizados<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[8]<\/a>. O valor m\u00e1ximo esperado para o teor passou a ser de 1890+67= 1957 ppb. O comportamento do teor de metano no ar e de sua varia\u00e7\u00e3o anual s\u00e3o mostrados na Figura 8.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/teordemetanojpeg.jpg\" alt=\"Teor de metano e sua varia\u00e7\u00e3o at\u00e9 2020\" width=\"700\" height=\"433\" data-wp-pid=\"5186\" data-pin-nopin=\"nopin\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Figura 8: Valores do teor de metano e de seu acr\u00e9scimo anual, atualizado at\u00e9 o ano 2020, a partir da E&amp;E 100, complementados com tr\u00eas anos adicionais (valores atmosf\u00e9ricos em verde)<\/p>\n<p>A Figura 8 re\u00fane o conjunto de dados relativos ao teor do metano na atmosfera em amostras ambientais na troposfera. ao n\u00edvel do mar, sobre o oceano, sendo as amostras coletas nas geleiras correspondentes ao ar capturado pr\u00f3ximo do n\u00edvel do solo<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p>Os dois tipos de medida, ar retido nas geleiras da Ant\u00e1rtica e m\u00e9dia de amostras ambientais, mostrados na Figura 8, t\u00eam a vantagem de evitar a influ\u00eancia de fen\u00f4menos locais. Com efeito, as varia\u00e7\u00f5es locais s\u00e3o importantes, como t\u00eam mostrado o conjunto de dados de concentra\u00e7\u00e3o de metano coletados em diferentes regi\u00f5es nos \u00faltimos anos. A ado\u00e7\u00e3o da m\u00e9dia mundial das medidas sobre os oceanos dilui as varia\u00e7\u00f5es localizadas. Para as amostras coletadas no Polo Sul, \u00e9 a dist\u00e2ncia que permite essa homogeneiza\u00e7\u00e3o. Com efeito, esta regi\u00e3o est\u00e1 muito longe de aglomera\u00e7\u00f5es humanas e de unidades de produ\u00e7\u00e3o industriais ou agr\u00edcolas; s\u00e3o amostras coletadas \u201cno fim do mundo\u201d, como os pr\u00f3prios vizinhos, chilenos e argentinos costumam chamar as terras pr\u00f3ximas do Polo Sul.<\/p>\n<h2>O que Esperar do Futuro<\/h2>\n<p>A Figura 8 admite dois tipos de interpreta\u00e7\u00e3o. Quando olhamos os dados globais do teor de metano (curva superior) somos levados a crer que existe uma tend\u00eancia de estabiliza\u00e7\u00e3o e, o ocorrido entre 1990 e 2010, foi uma oscila\u00e7\u00e3o negativa na tend\u00eancia mostrada pela curva na cor preta.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 ocorrendo em 2010 a 2020 seria uma oscila\u00e7\u00e3o positiva, da mesma natureza da oscila\u00e7\u00e3o negativa ocorrida no per\u00edodo anterior, e estar\u00edamos recuperando a tend\u00eancia de longo prazo que apresentamos na E&amp;E \u2116 53 segundo a qual o teor estaria se estabilizando. Note-se que o valor limite projetado pelos resultados anteriores (1960 ppb) ainda n\u00e3o foi atingido.<\/p>\n<p>Para que fique claro, estamos, aparentemente, na presen\u00e7a de dois desvios no comportamento do teor de metano, de 1990 a 2010, abaixo do esperado e de 2010 a 2020, acima do esperado.<\/p>\n<p>J\u00e1 quando olhamos a curva diferencial (de baixo) na Figura 8, ficamos com a impress\u00e3o de que estamos diante de uma \u201csegunda onda\u201d de crescimento do teor de metano na atmosfera.<\/p>\n<p>Qual seria o procedimento cient\u00edfico para resolver este dilema? Na nossa opini\u00e3o, formular um modelo que explique tanto o comportamento passado como o futuro. N\u00e3o parece aceit\u00e1vel que continuemos (como aparentemente fizeram os relat\u00f3rios do IPCC do primeiro ao quarto) projetando o futuro com base em modelos que n\u00e3o conseguem explicar o passado.<\/p>\n<p>Deve-se reconhecer, no entanto, que, pelo menos a partir do quinto relat\u00f3rio (AR5) o IPCC tem explicitado a discuss\u00e3o, como prova a Figura 1. No texto do sexto relat\u00f3rio do IPCC (AR6), o assunto volta ao debate e \u00e9 mostrada a Figura 9 que busca explicar o ocorrido com base na varia\u00e7\u00e3o da parte da gera\u00e7\u00e3o de metano n\u00e3o devida \u00e0s atividades de responsabilidade humana e dos \u201csumidouros\u201d (absor\u00e7\u00e3o do metano, em grande parte devida a fen\u00f4menos naturais).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/metano_periodos.png\" alt=\"Balan\u00e7o de metano na atmosfera por per\u00edodosra\" width=\"1183\" height=\"721\" data-wp-pid=\"5189\" data-pin-nopin=\"nopin\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Figura 9: Figura do Sexto Relat\u00f3rio do IPCC que busca explicar com base no comportamento das fontes e sumidouros naturais e da emiss\u00e3o antropog\u00eanica as varia\u00e7\u00f5es do teor de metano.<\/p>\n<p>A Figura 9 nos permite chamar a aten\u00e7\u00e3o para as margens de erro na apura\u00e7\u00e3o das fontes (emiss\u00f5es) e sumidouros. Podemos constatar que as margens de erro em cada medida superam sempre o valor da \u201cemiss\u00e3o l\u00edquida\u201d em cada per\u00edodo<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[10]<\/a>. A figura nos mostra tamb\u00e9m a evolu\u00e7\u00e3o do teor de metano na atmosfera e podemos notar que, a apura\u00e7\u00e3o do teor m\u00e9dio de metano \u00e9 bastante regular. Mesmo oscila\u00e7\u00f5es vis\u00edveis na curva, s\u00e3o de natureza sazonal<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[11]<\/a>, presumivelmente devidas a capturas sazonais de metano<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[12]<\/a>.<\/p>\n<p>Um aspecto a ser considerado do ponto de vista global do efeito estufa \u00e9 que o aumento do valor integrado (teor de metano) n\u00e3o parece ser alarmante. De 1990 (\u00e9poca da Confer\u00eancia do Rio) at\u00e9 hoje (2021) o teor de metano cresceu 189 ppb, ou seja, 11% em 30 anos<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[13]<\/a>.<\/p>\n<p>Como a contribui\u00e7\u00e3o do metano, no efeito estufa antropog\u00eanico, representa 15% da contribui\u00e7\u00e3o total, estamos falando de um acr\u00e9scimo de 1,6% no estoque atmosf\u00e9rico de gases de efeito estufa induzido pela atividade humana em 30 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Na Figura 10, completamos a compara\u00e7\u00e3o dos dados reais com as proje\u00e7\u00f5es do TAR e do ajuste E&amp;E dos dados at\u00e9 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Figura10_EEE109.png\" alt=\"Compara\u00e7\u00e3o do teor de metano previsto at\u00e9 2020 e valores reais\" width=\"676\" height=\"599\" data-wp-pid=\"5190\" data-pin-nopin=\"nopin\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Figura 10: Os valores reais do teor de metano s\u00e3o inferiores \u00e0s proje\u00e7\u00f5es mais otimistas do IPCC no Terceiro Relat\u00f3rio<\/p>\n<p>Em resumo, existem ainda d\u00favidas substanciais sobre o que dever\u00e1 acontecer nos pr\u00f3ximos anos com o teor de metano na atmosfera se nenhuma provid\u00eancia for tomada. Evidentemente houve uma falha nos modelos utilizados anteriormente que deveriam, minimamente, ser capazes de explicar o passado.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio deveria ter levantado a quest\u00e3o sobre a legitimidade de tomar medidas, envolvendo gastos de bilh\u00f5es de d\u00f3lares, em pa\u00edses como o Brasil de imensos problemas sociais, com a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de metano. \u00c9 particularmente temer\u00e1ria a pol\u00edtica de compensar emiss\u00f5es de CO2, de longo prazo, por conten\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de metano de curto prazo.<\/p>\n<p>Foram essas d\u00favidas que motivaram o artigo da E&amp;E \u2116 101 em que os autores propuseram uma morat\u00f3ria nas medidas que envolvem grandes custos baseadas em simula\u00e7\u00f5es cuja capacidade de descrever o passado e o futuro desperte grandes d\u00favidas. O rec\u00e9m-publicado Sexto Relat\u00f3rio de Assessoramento do Grupo 1 do IPCC, do qual tratamos no pr\u00f3ximo artigo, lan\u00e7a algumas luzes sobre o assunto, como adiantado na Figura 9.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m discutiremos a proposta patrocinada pelo Governo Americano, com ades\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia, que prop\u00f5e prioridade para o metano, justamente o contr\u00e1rio do que defendemos na E&amp;E 101 que seria a morat\u00f3ria de pa\u00edses em desenvolvimento para o metano.<\/p>\n<p>Ainda no escopo do presente trabalho colocamos, no Anexo, uma compara\u00e7\u00e3o entre o crescimento do metano e o do CO2 que, por si s\u00f3, j\u00e1 refor\u00e7a a d\u00favida sobre a prioridade ao metano.<\/p>\n<h2>Anexo: Compara\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o dos teores de CH4 e CO2 no mundo<\/h2>\n<table width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><em>As discussed in Dlugokencky et al. (2009), trends in CH4 showed a stabilization from 1999 to 2006, but CH4 concentrations have been increasing again starting in 2007. Because at the time the scenarios were developed (e.g., the SRES scenarios were developed in 2000), it was thought that past trends would continue, the scenarios used and the resulting model projections assumed in FAR through AR4 all show larger increases than those observed.<\/em><\/p>\n<p>Conforme discutido em Dlugokencky et al. (2009), a tend\u00eancia das concentra\u00e7\u00f5es de CH4 foi de estabiliza\u00e7\u00e3o entre 1999 e 2006, mas elas voltaram a aumentar a partir de 2007. Como na \u00e9poca em que os cen\u00e1rios foram desenvolvidos (por exemplo, os cen\u00e1rios SRES foram desenvolvidos em 2000), pensava-se que as tend\u00eancias passadas continuariam, os cen\u00e1rios usados e as proje\u00e7\u00f5es do modelo resultantes assumidas em FAR at\u00e9 AR4 mostram aumentos maiores do que os observados.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>A Figura A1 mostra a evolu\u00e7\u00e3o do teor metano &#8211; CH4 na atmosfera comparado com o do di\u00f3xido de carbono &#8211; CO2 e suas proje\u00e7\u00f5es em quatro dos Relat\u00f3rios de Assessoramento do IPCC. Aten\u00e7\u00e3o para a diferen\u00e7a de escala j\u00e1 que o CH4 \u00e9 medido em parte por bilh\u00e3o (ppb) e o CO2 em parte por milh\u00e3o (ppm), ambos em volume. Ou seja, em uma mesma unidade estamos falando, para o ano de 2010 em 1,8 ppm de CH4 (45 ppm de CO2 equivalente) e 400 ppm de CO2.<\/p>\n<p>Enquanto o crescimento real se coloca, como se espera, no centro das proje\u00e7\u00f5es para CO2, as proje\u00e7\u00f5es para o CH4 est\u00e3o totalmente fora do realmente ocorrido.<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Fig1-06.jpg\" alt=\"Copara\u00e7\u00e3o teor de metano real com proje\u00e7\u00f5es do IPCC\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Fig1-05co2.jpg\" alt=\"Evolu\u00e7\u00e3o observada do teor de CO2 comparada com proje\u00e7\u00f5es\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Figura A1: Figuras do Quinto Relat\u00f3rios de Assessoramento AR5 do IPCC para valores observados (em azul escuro) e as proje\u00e7\u00f5es de concentra\u00e7\u00e3o de CH4 e CO2<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo 1 do relat\u00f3rio AR5 (Quinto Relat\u00f3rio de Assessoramento do IPCC) os resultados s\u00e3o comentados.<\/p>\n<p>Como mostramos no nosso texto e a pr\u00f3pria Figura A1 deixa claro, a inclina\u00e7\u00e3o da curva das concentra\u00e7\u00f5es de metano j\u00e1 mostrava uma tend\u00eancia de queda nos anos anteriores ao Primeiro Relat\u00f3rio (FAR). No Terceiro Relat\u00f3rio (TAR) a tend\u00eancia hist\u00f3rica j\u00e1 indicava a estabiliza\u00e7\u00e3o. Foi necess\u00e1rio, no entanto chegar ao Quinto Relat\u00f3rio de assessoramento (AR5) para, explicitamente, reconhecer a falha nas proje\u00e7\u00f5es. Na Figura A1, a an\u00e1lise visual da inclina\u00e7\u00e3o da curva das \u201cobserva\u00e7\u00f5es\u201d parece indicar um valor maior um pouco antes ou um pouco depois de 1980.<\/p>\n<p>J\u00e1 a curva de g\u00e1s carb\u00f4nico tem um comportamento bastante diferente que sugere que a varia\u00e7\u00e3o anual talvez ainda n\u00e3o tenha passado por um m\u00e1ximo (que seria assinalado por um ponto de maior inclina\u00e7\u00e3o ao longo da curva, seguido de sua redu\u00e7\u00e3o nos anos seguintes).<\/p>\n<p>Fundamentalmente, os modelos utilizados supuseram que a capacidade de absor\u00e7\u00e3o do CH4 se esgotaria pela exaust\u00e3o da capacidade de absor\u00e7\u00e3o (ligada ao radical OH) que a pr\u00f3pria maior presen\u00e7a do metano provocaria. Deve-se considerar que, tamb\u00e9m no caso do CO2, a satura\u00e7\u00e3o dos mecanismos de absor\u00e7\u00e3o desse g\u00e1s \u00e9 considerada nos modelos o que multiplica seu efeito. O fracasso de proje\u00e7\u00e3o no caso do metano deveria inspirar prud\u00eancia sobre algumas das proje\u00e7\u00f5es adotadas para o g\u00e1s carb\u00f4nico que sup\u00f5em uma retroalimenta\u00e7\u00e3o que agrava os efeitos deste g\u00e1s.<\/p>\n<p>Para que n\u00e3o fiquem d\u00favidas, este ensaio n\u00e3o est\u00e1 colocando em discuss\u00e3o a import\u00e2ncia do assunto aquecimento global, j\u00e1 que a evolu\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de CO2, tamb\u00e9m mostrada na Figura A1, n\u00e3o d\u00e1 sinal de esgotamento do processo de acumula\u00e7\u00e3o de CO2 na atmosfera. Ao contr\u00e1rio, ele vem crescendo aproximadamente no mesmo ritmo hist\u00f3rico como demonstra o gr\u00e1fico da parte inferior da Figura A1. O que, implicitamente, estamos contestando \u00e9 a prioridade dada ao metano.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> United Nations Environment Programme and Climate and Clean Air Coalition (2021). Global Methane Assessment: Benefits and Costs of Mitigating Methane Emissions. Nairobi: United Nations Environment Programme. Documento que serviu de base para proposi\u00e7\u00e3o do Presidente Biden dos EUA, relativa \u00e1 redu\u00e7\u00e3o do uso do metano.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[2]<\/a>Maiores esclarecimentos sobre nossos estudos podem ser obtidos nos v\u00ednculos inclu\u00eddos na lista das quatro publica\u00e7\u00f5es na E&amp;E.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[3]<\/a> \u201cIce cores are cylinders of ice drilled from ice sheets and glaciers. They are essentially frozen time capsules that allow scientists to reconstruct climate far into the past\u201d. <a href=\"https:\/\/icecores.org\/about-ice-cores\">https:\/\/icecores.org\/about-ice-cores<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[4]<\/a> Y(t) = Ymax\/[1 + Exp(-a(t-to))]<\/p>\n<p>onde Y(t) \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o do tempo <strong>t<\/strong>, medido em anos, sendo <strong>a<\/strong> e <strong>to<\/strong> constantes.&nbsp; <strong>Ymax<\/strong> \u00e9 o valor m\u00e1ximo da fun\u00e7\u00e3o denominada log\u00edstica. Fazendo-se f = Y\/Ymax, tem-se Ln (f\/(1-f)) = a (t &#8211; to) que permite o ajuste de uma reta aos dados de Ln(f\/(1-f) em fun\u00e7\u00e3o do tempo.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[5]<\/a> Third Assessment Report (TAR) to the Intergovernamental Panel of Climate Change (IPCC)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[6]<\/a> Quem acompanhou os documentos preliminares do relat\u00f3rio, pode notar que as proje\u00e7\u00f5es de crescimento foram elaboradas anteriormente, sob o impacto da forte varia\u00e7\u00e3o por volta de 1998, mostrada no gr\u00e1fico. Para o relat\u00f3rio, as proje\u00e7\u00f5es simplesmente mudaram o \u201cponto de partida\u201d das curvas.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[7]<\/a> Ver no anexo discuss\u00e3o sobre a argumenta\u00e7\u00e3o do AR5 sobre manuten\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia observada.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[8]<\/a> Na E&amp;E 100 a \u201crenormaliza\u00e7\u00e3o\u201d foi feita subtraindo 67 ppb dos dados atmosf\u00e9ricos; esse valor corresponde \u00e0 diferen\u00e7a entre a m\u00e9dia dos resultados para os anos 1994 a 1995.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[9]<\/a> Portanto, amostras coletadas na troposfera, a menos 10 km de altitude.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[10]<\/a> Na linguem das pesquisas eleitorais, em todos os casos, haveria \u201cempate t\u00e9cnico\u201d entre fontes e sumidouros.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[11]<\/a> Picos e vales correspondem aos mesmos meses do ano.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[12]<\/a> As medidas de teor de metano sofreram grande incremento nos \u00faltimos anos com a instala\u00e7\u00e3o de uma rede de sat\u00e9lites capazes de medir a evolu\u00e7\u00e3o dos teores, mostrados ao longo do tempo em um mapa \u201ccolorido\u201d com os teores eles oferecem figuras muito interessante sobre seu comportamento.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[13]<\/a> Varia\u00e7\u00e3o do teor entre 1990 e 2020 sobre o teor de 1990, isto \u00e9 (1884-1695)\/1695 = 11%.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economia &amp; Energia&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Baixar E&amp;E 109&nbsp; em Vers\u00e3o PDF Mat\u00e9ria em discuss\u00e3o: D\u00favidas sobre novo ciclo de crescimento do metano na atmosfera Carlos Feu Alvim e Olga Mafra Resumo As emiss\u00f5es dos diferentes gases causadores do efeito estufa s\u00e3o expressas em equivalente a g\u00e1s carb\u00f4nico (tonelada de CO2 equivalente). &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"http:\/\/eee.org.br\/?page_id=5146\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;E&#038;E 109&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5187,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/5146"}],"collection":[{"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5146"}],"version-history":[{"count":48,"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/5146\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5295,"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/5146\/revisions\/5295"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5187"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}