{"id":5296,"date":"2023-06-09T19:09:39","date_gmt":"2023-06-09T22:09:39","guid":{"rendered":"http:\/\/ecen.com.br\/?page_id=5296"},"modified":"2023-06-14T16:38:52","modified_gmt":"2023-06-14T19:38:52","slug":"ee-108","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/eee.org.br\/?page_id=5296","title":{"rendered":"E&#038;E 108"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"5296\" class=\"elementor elementor-5296\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-section-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-44997753 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"44997753\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-row\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-3f80bd49\" data-id=\"3f80bd49\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-column-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-706df3c2 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"706df3c2\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n\t\t\t\t<!-- wp:image {\"id\":4945,\"sizeSlug\":\"full\",\"linkDestination\":\"none\"} -->\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"990\" height=\"844\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/produco_do_pressal.png\" alt=\"Procu\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no Brasil\" class=\"wp-image-4945\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/produco_do_pressal.png 990w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/produco_do_pressal-300x256.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/produco_do_pressal-768x655.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/produco_do_pressal-600x512.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/figure>\n<!-- \/wp:image -->\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-87e222b elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"87e222b\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container 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anteriores)<\/p>\n<p>Revis\u00e3o de Abril de 2023<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-3b4b032 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"3b4b032\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-row\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-723c5e1\" data-id=\"723c5e1\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-column-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6e1696e elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6e1696e\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n\t\t\t\t<p><strong>Editorial:<\/strong><\/p>\n<h2>Ciclo do Petr\u00f3leo no Brasil?<\/h2>\n<p>A descoberta do Pr\u00e9-Sal despertou a esperan\u00e7a de que estar\u00edamos iniciando, nesta terceira d\u00e9cada do s\u00e9culo 21, um novo ciclo de riqueza no Brasil, alavancado pelo petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Nosso sonho era que o ciclo de petr\u00f3leo n\u00e3o seria como os demais ciclos econ\u00f4micos de nossa Hist\u00f3ria. Neles, na fase de ascens\u00e3o, os excedentes gerados enriqueciam uns poucos e, na decad\u00eancia, fic\u00e1vamos expostos a um problema duplo: a queda nos excedentes e os problemas sociais da m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de renda gerada no ciclo. Al\u00e9m disso, em quase todos os ciclos a maior parte da riqueza foi acumulada no exterior.<\/p>\n<p>Um bom exemplo hist\u00f3rico \u00e9 o do ciclo do ouro que durou todo o s\u00e9culo dezoito. O uruguaio Eduardo Galeano sintetizou bem esse ciclo na frase: \u201cO ouro brasileiro deixou buracos no Brasil, templos em Portugal e f\u00e1bricas na Inglaterra.\u201d<\/p>\n<p>O n\u00ba 108 da Revista E&amp;E pretende reabrir o debate sobre as perspectivas para o Ciclo de Petr\u00f3leo no qual supostamente estamos ingressando. O modelo, concebido para a explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo do Pr\u00e9-Sal, foi exposto nesta revista em v\u00e1rios artigos.<\/p>\n<p>Uma compila\u00e7\u00e3o do que publicamos est\u00e1 reunida no livro \u201cO Pr\u00e9-Sal e o desenvolvimento do Brasil: Rompendo as Amarras\u201d dispon\u00edvel no site Brasil 2049. Este modelo influenciou o arcabou\u00e7o legal constru\u00eddo para o Setor que, nesses anos de obscurantismo, vem sendo criminosamente desmontado.<\/p>\n<p>Com o petr\u00f3leo do Pr\u00e9-Sal podia e ainda pode ser diferente. Esse petr\u00f3leo de \u00e1guas e solos profundos n\u00e3o \u00e9 uma <em>commoditie<\/em> qualquer. Exige a montante e a jusante uma sofisticada tecnologia na qual a Petrobr\u00e1s \u00e9 internacionalmente reconhecida como pioneira. Na linguagem da ind\u00fastria do petr\u00f3leo, a Petrobras dominou as fases <em>upstream, midstream e downstream <\/em>ou seja, todas as fases da cadeia do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Isso quer dizer que a empresa petrol\u00edfera brasileira domina o cerne da tecnologia. Com isso, \u00e9 capaz de especificar suas necessidades a fornecedores aqui e no exterior e, quando necess\u00e1rio, de formar uma rede industrial local de fornecedores e s\u00f3cios privados para atender suas necessidades. Para isso, conta tamb\u00e9m com excelente Centro de Pesquisa associado a redes tecnol\u00f3gicas universit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Como exemplo dessa capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o, est\u00e1 a ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o Naval que teve uma fase de ouro com as encomendas realizadas a partir da exig\u00eancia de conte\u00fado local e est\u00e1 hoje quase inteiramente ociosa.<\/p>\n<p>Na explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal est\u00e1vamos diante de dois modelos: o da Noruega e o da Holanda. No primeiro pa\u00eds, a explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo serviu de base para instalar uma ind\u00fastria petrol\u00edfera pujante, sob a lideran\u00e7a da estatal Statoiol (hoje Equinor). Na expans\u00e3o da extra\u00e7\u00e3o a prefer\u00eancia foi dada para empresa nacional. A Equinor hoje exerce atividade mundial, inclusive no Brasil. No segundo, o afluxo de divisas tornou n\u00e3o competitiva a produ\u00e7\u00e3o local e provocou uma crise social. Terminada a entrada de recursos oriundos do petr\u00f3leo, a Holanda se viu mais pobre que antes. Imagin\u00e1vamos que o Brasil seria a Noruega dos tr\u00f3picos. Enquanto isso, do outro lado do Atl\u00e2ntico, a Nig\u00e9ria e outros pa\u00edses, beneficiados com excelentes reservas, tomavam o caminho contr\u00e1rio, radicalizando a \u201cdoen\u00e7a holandesa\u201d.<\/p>\n<p>De 2015 para c\u00e1, demos passos catastr\u00f3ficos para anular esse sonho que parece estar acabando justamente quando o petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal j\u00e1 \u00e9 uma realidade e domina a produ\u00e7\u00e3o nacional. Esse petr\u00f3leo, que ainda pode ser nosso, \u00e9 um definitivo caminho para romper as amarras para o desenvolvimento.<\/p>\n<p>O Petr\u00f3leo e a Eletricidade foram energias, em torno das quais se uniram todas as for\u00e7as da brasilidade, civil e militar e os capitais p\u00fablicos e privados.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s das empresas mistas Petrobras e Eletrobras, o Brasil alcan\u00e7ou o dom\u00ednio de toda a cadeia produtiva do Petr\u00f3leo e G\u00e1s e estabeleceu a maior rede mundial integrada de energia el\u00e9trica. Na verdade, Petrobras e Eletrobras foram pontes que atravessaram, em trajet\u00f3ria surpreendente e quase inexplic\u00e1vel, a rota que come\u00e7ou com Vargas, se consolidou no Regime Militar, chegando at\u00e9 tempos mais democr\u00e1ticos, consagrada na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988.<\/p>\n<p>Nestes tempos dif\u00edceis, a brasilidade ainda resiste \u00e0 obscuridade e aos que querem entregar por uma ninharia o controle do patrim\u00f4nio constru\u00eddo com nosso capital a n\u00e3o residentes e at\u00e9 estatais de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>L\u00e1 se v\u00e3o, ardilosamente, peda\u00e7os da Petrobras. J\u00e1 a Eletrobras, est\u00e1 por pouco de ser varrida da hist\u00f3ria nacional. Em ambos os casos, deixando lugar a monop\u00f3lios ou oligop\u00f3lios que tendem a ficar sob controle de n\u00e3o residentes.<\/p>\n<p>S\u00f3 em torno da brasilidade podemos reunir de novo os brasileiros que, nascidos aqui ou n\u00e3o, escolheram construir aqui sua vida, fam\u00edlia e resid\u00eancia.<\/p>\n<p><em>Carlos Feu Alvim<\/em><\/p>\n<p>Livro dispon\u00edvel na internet:\u00a0<br \/><a href=\"https:\/\/brasil2049.com\/o-pre-sal-e-o-desenvolvimento-do-brasil\/\"><strong>O Pr\u00e9-Sal e o desenvolvimento do Brasil: <br \/>Rompendo as Amarras<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Fantine e Carlos Feu Alvim<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/brasil2049.com\/o-pre-sal-e-o-desenvolvimento-do-brasil\/\">https:\/\/brasil2049.com\/o-pre-sal-e-o-desenvolvimento-do-brasil\/<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-4953 size-full\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/presal.png\" alt=\"\" width=\"1254\" height=\"860\" data-wp-pid=\"4953\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/presal.png 1254w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/presal-300x206.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/presal-1024x702.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/presal-768x527.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/presal-1200x823.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/presal-600x411.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-080a338 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"080a338\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-row\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-db01f5b\" data-id=\"db01f5b\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-column-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e8df61b elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"e8df61b\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n\t\t\t\t<p><strong>Nota da revis\u00e3o deste n\u00famero da E&amp;E, em Abril de 2023<\/strong><\/p>\n<p>Esta apresenta\u00e7\u00e3o teve como ponto de partida palestra sobre o ciclo do petr\u00f3leo apresentada no \u201cWebin\u00e1rio\u201d do Cembra \u2013 Centro de Excel\u00eancia para o Mar Brasileiro em 18 de mar\u00e7o de 2021 como prepara\u00e7\u00e3o para a 3\u00aa Edi\u00e7\u00e3o do livro Brasil e o Mar no S\u00e9culo XXI. Nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentar uma vers\u00e3o completa e ampliada de toda a palestra. Outros pontos dever\u00e3o ser aprofundados em pr\u00f3ximos artigos.<\/p>\n<p><br \/>V\u00eddeo Cembra Energia nos oceanos:<\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ce43-jG7FbU&t=10997s<\/p>\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-b8c783d elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"b8c783d\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-row\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-5cd5036\" data-id=\"5cd5036\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-column-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3cbe356 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"3cbe356\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n\t\t\t\t<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Artigo:<\/strong><\/p>\n<h1>Os ciclos de energia no mundo<\/h1>\n<p><em>Carlos Feu Alvim, Olga Mafra e Jos\u00e9 Israel Vargas<\/em><\/p>\n<h3><span style=\"text-decoration: underline;\">Sum\u00e1rio<\/span><\/h3>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><a href=\"#_Toc135480333\"><strong>Os ciclos dos energ\u00e9ticos e\u00a0 a resili\u00eancia dos f\u00f3sseis<\/strong>. <\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc135480334\"><strong>As transi\u00e7\u00f5es entre as energias prim\u00e1rias<\/strong>. <\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc135480335\"><strong>Ajuste preliminar para chegar a proje\u00e7\u00f5es<\/strong>. <\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc135480336\"><strong>Evolu\u00e7\u00e3o da matriz energ\u00e9tica mundial expressa em exajoules<\/strong>.<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc135480337\"><strong>A m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o da energia entre pa\u00edses e pessoas<\/strong>. <\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc135480338\"><strong>Conclus\u00f5es Preliminares<\/strong>.<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc135480339\">Bibliografia<\/a><\/p>\n<p>________________________________________<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><a name=\"_Toc68733054\"><\/a>Resumo:<\/p>\n<p>Praticamente em toda a exist\u00eancia humana (<em>homo sapiens<\/em>), estimada em 300 mil anos<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0(Handwerk, 2021), a fonte energ\u00e9tica quase exclusiva foi a diretamente dispon\u00edvel na natureza, a energia solar; seja na forma direta (luz e calor) seja na acumulada pela biomassa (alimentos e lenha).<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o das fontes h\u00eddrica e e\u00f3lica, fundamentalmente energia solar acumulada na natureza, remonta ao in\u00edcio da civiliza\u00e7\u00e3o, ou seja, h\u00e1 cerca cinco a dez mil\u00eanios\u00a0(Samuel, 2013).<\/p>\n<p>Somente a partir da segunda metade do s\u00e9culo XVII, h\u00e1 cerca de 250 anos, foram introduzidas, com maior intensidade, as chamadas fontes f\u00f3sseis: carv\u00e3o mineral, petr\u00f3leo e g\u00e1s natural, que propiciaram a eclos\u00e3o da era industrial. Vale lembrar que as fontes f\u00f3sseis s\u00e3o, a rigor, essencialmente energia solar, acumulada h\u00e1 mil\u00eanios no solo terrestre.<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de 70 anos, a energia nuclear come\u00e7ou a ser utilizada na gera\u00e7\u00e3o de eletricidade. Esta \u00faltima \u00e9 a \u00fanica fonte, com participa\u00e7\u00e3o significativa, que n\u00e3o prov\u00eam diretamente da energia solar que incide sobre o Planeta Terra.<\/p>\n<p>As fontes de energia v\u00eam se sucedendo em ciclos, cujo comportamento mundial e regional, \u00e9 necess\u00e1rio conhecer para orientar o planejamento energ\u00e9tico dos pa\u00edses, principalmente para aqueles ditos em desenvolvimento como o Brasil.<\/p>\n<p>A ideia de ciclos relacionados a atividades socioecon\u00f4micas \u00e9 atrativa na medida que permite uma vis\u00e3o macro de fen\u00f4menos muito complexos que envolvem a sociedade humana. S\u00e3o famosos os ciclos de Kondratiev no trabalho pioneiro <em>The Long Waves in Economic Live<\/em> (Kondratiev, 1935) que pretendem descrever os ciclos econ\u00f4micos. Cesare Marchetti\u00a0(Marchetti C. , 1979) estendeu a an\u00e1lise de ciclos a diversos fen\u00f4menos socioecon\u00f4micos a maioria relacionados ao hemisf\u00e9rio ocidental e Jos\u00e9 Israel Vargas (Vargas, A Prospectiva Tecnol\u00f3gica: Previs\u00e3o com um Simples Modelo Matem\u00e1tico, 2004) aplicou estas ideias a v\u00e1rios casos, muitos deles envolvendo fen\u00f4menos brasileiros.<\/p>\n<p>Neste artigo, comparamos as proje\u00e7\u00f5es feitas para as participa\u00e7\u00f5es das diferentes energias no consumo mundial, baseados em dados at\u00e9 1985 e extrapolados at\u00e9 2050. As proje\u00e7\u00f5es da \u00e9poca s\u00e3o comparadas com o efetivamente ocorrido no per\u00edodo 1965 a 2021.<\/p>\n<p>Como resultado, conclui-se que o processo de substitui\u00e7\u00e3o entre energ\u00e9ticos persiste, mas a dura\u00e7\u00e3o dos ciclos dos combust\u00edveis f\u00f3sseis parece superar, em muito, \u00e0s proje\u00e7\u00f5es que se faziam logo ap\u00f3s \u00e0 crise mundial de pre\u00e7os de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Para os que levam a s\u00e9rio alega\u00e7\u00e3o que a queda da demanda de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural justificaria apressar a produ\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal, mostramos que o argumento n\u00e3o se sustenta frente ao comportamento da demanda mundial onde o petr\u00f3leo e g\u00e1s natural seguir\u00e3o predominantes por v\u00e1rias d\u00e9cadas. \u00c9 o que mostra a in\u00e9rcia do comportamento do consumo das fontes energ\u00e9ticas ao longo de mais de meio s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Esse comportamento tamb\u00e9m nos leva a encarar, com algum ceticismo, os resultados dos esfor\u00e7os mundiais acumulados na conten\u00e7\u00e3o do efeito estufa quando se constata o pouco que foi feito neste sentido, ao longo dos quase 30 anos, desde a Confer\u00eancia Rio 92.<\/p>\n<p>Palavras-Chave:<\/p>\n<p>Energia prim\u00e1ria, energia, ciclos energ\u00e9ticos, carv\u00e3o, petr\u00f3leo, g\u00e1s natural, energias renov\u00e1veis, hidroeletricidade, energia nuclear. combust\u00edveis f\u00f3sseis, combust\u00edveis n\u00e3o-f\u00f3sseis<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5298 size-full\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/kondratievilustr1.png\" alt=\"Cirvas de Kondratiev produ\u00e7\u00e3o e consumo de carv\u00e3o e gusa na Fran\u00e7a e Inglaterra \" width=\"476\" height=\"626\" data-wp-pid=\"5298\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/kondratievilustr1.png 476w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/kondratievilustr1-228x300.png 228w\" sizes=\"(max-width: 476px) 100vw, 476px\" \/><\/p>\n<p><em>Ilustra\u00e7\u00e3o 1. Ciclos de carv\u00e3o e de gusa no trabalho pioneiro de Kondratiev <\/em>(Kondratiev, 1935)<em> sobre as Ondas de Longa Dura\u00e7\u00e3o na Economia<\/em><em><br \/><\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<pre>O Petr\u00f3leo e g\u00e1s natural seguem predominantes<\/pre>\n<h3><a name=\"_Toc135480333\"><\/a><strong>Os ciclos dos energ\u00e9ticos e <br \/>a resili\u00eancia dos f\u00f3sseis<\/strong><\/h3>\n<p>As fontes prim\u00e1rias de energia concorrem entre si tanto no n\u00edvel nacional como no global. Nessa competi\u00e7\u00e3o, influem as caracter\u00edsticas das fontes, sua disponibilidade em cada pa\u00eds e seu custo. Ultimamente, as quest\u00f5es sobre o impacto ambiental t\u00eam alcan\u00e7ado maior relev\u00e2ncia, por outro lado, o risco de desabastecimento voltou a ser considerado explicitamente pelos pa\u00edses na elei\u00e7\u00e3o dos energ\u00e9ticos.<\/p>\n<p>O petr\u00f3leo, como energia finita, esgotar\u00e1 seu ciclo. As estat\u00edsticas indicam que ele <strong>passou pelo m\u00e1ximo de participa\u00e7\u00e3o no consumo mundial<\/strong> quando atingiu 50% do mercado em 1973. Neste mesmo ano, a participa\u00e7\u00e3o do conjunto Petr\u00f3leo e G\u00e1s &#8211; P&amp;G atingiu 67%. Ou seja, o petr\u00f3leo atendia a metade das necessidades de consumo global e o conjunto P&amp;G atendia dois ter\u00e7os dessa demanda.<\/p>\n<p>Em 1973, eclodiu a Guerra do Yom Kipur, envolvendo primariamente \u00e1rabes e israelenses. A interven\u00e7\u00e3o do Ocidente em favor de Israel provocou restri\u00e7\u00f5es de exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e o choque de pre\u00e7os que quadriplicou o valor de seu barril. A exist\u00eancia da OPEP &#8211; Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo &#8211; OPEP, fundada em 1960, permitiu, pela primeira vez, uma a\u00e7\u00e3o comum de um cartel de pa\u00edses que conseguiu impor pre\u00e7os de uma <em>commodity<\/em> na escala mundial. O mundo se convenceu que a depend\u00eancia de um \u00fanico tipo de produto, concentrado em uma regi\u00e3o conflituosa era um risco e, sob a lideran\u00e7a dos pa\u00edses ricos da OCDE, foi estabelecida uma pol\u00edtica de diversificar geograficamente as reservas e de reduzir a depend\u00eancia mundial de P&amp;G.<\/p>\n<p>A Figura 1 mostra as previs\u00f5es de Marchetti (Marchetti C. , 1979) para a substitui\u00e7\u00e3o entre as fontes prim\u00e1rias de energia, <strong>baseada nos dados at\u00e9 1948<\/strong>\u00a0(Marchetti C. , 1985). A participa\u00e7\u00e3o F dos combust\u00edveis no consumo mundial \u00e9 representado em uma escala, dita log\u00edstica, log(F\/(1-F)).<\/p>\n<p>Podemos ver, claramente, os ciclos energ\u00e9ticos acoplando os valores hist\u00f3ricos de consumo e a suposta continuidade para os anos seguintes. Essas proje\u00e7\u00f5es com dados at\u00e9 1948 s\u00e3o comparadas com o consumo efetivo por fonte prim\u00e1ria de 1958 a 1980. Petr\u00f3leo e g\u00e1s natural (GN) seguiam trajet\u00f3rias paralelas que refletem o fato de que o GN esteve, em uma primeira fase, associado \u00e0 extra\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>O g\u00e1s natural, associado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, era inicialmente queimado no local de extra\u00e7\u00e3o. Aos poucos, foi criada uma estrutura de transporte e distribui\u00e7\u00e3o que gerou um mercado pr\u00f3prio para o g\u00e1s natural. Adicionalmente, algumas instala\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas ao local de extra\u00e7\u00e3o tornaram poss\u00edvel seu maior aproveitamento j\u00e1 na origem.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5299\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/figura1_108.png\" alt=\"Participa\u00e7\u00e3o das Energias Prim\u00e1rias no Consumo Mundial; Proje\u00e7\u00e3o Marchetti 1948\" width=\"1438\" height=\"1045\" data-wp-pid=\"5299\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/figura1_108.png 1238w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/figura1_108-300x218.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/figura1_108-1024x744.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/figura1_108-768x558.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/figura1_108-1200x872.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/figura1_108-600x436.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/strong><\/p>\n<p>Figura 1: Proje\u00e7\u00f5es de Marchetti (com dados at\u00e9 1948) e compara\u00e7\u00e3o com dados de consumo at\u00e9 1984<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de um mercado espec\u00edfico para o g\u00e1s natural, inicialmente associado, possibilitou a explora\u00e7\u00e3o do GN n\u00e3o associado e isso vem ampliando sua participa\u00e7\u00e3o na matriz energ\u00e9tica mundial. Esse g\u00e1s (n\u00e3o associado) \u00e9 extra\u00eddo em po\u00e7os em que ele \u00e9 principal produto, com isto passou a ter um crescimento independente do petr\u00f3leo e tenderia a super\u00e1-lo em participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Marchetti considerou que teria havido uma coincid\u00eancia satisfat\u00f3ria entre as proje\u00e7\u00f5es e o consumo efetivo no per\u00edodo por ele estudado. Com efeito, o comportamento das participa\u00e7\u00f5es de lenha, carv\u00e3o, petr\u00f3leo e g\u00e1s natural foi previsto corretamente. Particularmente estava certa a previs\u00e3o que a participa\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo passaria por um m\u00e1ximo nos anos setenta. A energia nuclear penetrava em ritmo superior ao previsto, mas isso pode ser considerado normal nessa fase inicial do ciclo.<\/p>\n<p>Ou seja, na maior parte dos casos, as tend\u00eancias apontadas se confirmaram como mostra o gr\u00e1fico. A concord\u00e2ncia torna-se mais not\u00e1vel, quando se considera que o per\u00edodo de previs\u00e3o (1948 a 1984) foi de mudan\u00e7as relevantes na composi\u00e7\u00e3o do mercado de combust\u00edveis.<\/p>\n<p>No entanto, olhando-se mais de perto os dados, pode-se ver que, a partir de 1970, a participa\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o n\u00e3o estava caindo nem a do g\u00e1s natural crescendo como esperado. Isto foi interpretado como uma oscila\u00e7\u00e3o, similar as j\u00e1 observadas no passado. Os anos seguintes mostrariam, entretanto, que a discrep\u00e2ncia nos anos 1970 n\u00e3o era uma oscila\u00e7\u00e3o, mas uma nova tend\u00eancia para os anos posteriores.<\/p>\n<p>Os dados da Figura 1 s\u00e3o mostrados na escala log\u00edstica que lineariza a curva nos trechos de ascens\u00e3o e descenso da participa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, nessa hip\u00f3tese da proje\u00e7\u00e3o de Marchetti, as curvas relativas a todas as fontes teriam formas similares, com \u201cinclina\u00e7\u00e3o\u201d de subida e descida semelhantes.<\/p>\n<p>A Figura 2 estende a compara\u00e7\u00e3o at\u00e9 2019, os dados acrescentados s\u00e3o os da compila\u00e7\u00e3o efetuada, anualmente, pela British Petroleum \u2013 BP\u00a0(Statistical Review of World Energy 2020, 2020).<\/p>\n<p>Os crit\u00e9rios de equival\u00eancia entre as energias, adotados por Marchetti e pela BP<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a><sup>,<\/sup> s\u00e3o diferentes. Para acoplar as curvas na transi\u00e7\u00e3o entre as duas s\u00e9ries, representadas na Figura 2, os dados de anos comuns nas duas s\u00e9ries (1965 a 1984) foram \u201crenormalizados\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> pela m\u00e9dia desses anos de maneira que houvesse continuidade nas curvas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5300\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura2_.png\" alt=\"\" width=\"1427\" height=\"1001\" data-wp-pid=\"5300\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura2_.png 1283w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura2_-300x210.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura2_-1024x718.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura2_-768x539.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura2_-1200x842.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura2_-600x421.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura 2: As mudan\u00e7as de participa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, GN e carv\u00e3o n\u00e3o seguem as proje\u00e7\u00f5es, permanecendo relativamente est\u00e1veis.<\/p>\n<p>A Figura 2 serve para ilustrar a discuss\u00e3o qualitativa sobre as diversas transi\u00e7\u00f5es entre energias prim\u00e1rias experimentadas no per\u00edodo. A renormaliza\u00e7\u00e3o efetuada, para \u201ccasar\u201d os dados das duas s\u00e9ries n\u00e3o permite conclus\u00f5es quantitativas.<\/p>\n<p><strong>Crit\u00e9rios de equival\u00eancia entre as energias prim\u00e1rias<\/strong><\/p>\n<p>Chamamos a aten\u00e7\u00e3o para o crit\u00e9rio adotado pela base de dados da BP para representar as energias renov\u00e1veis, inclusive a h\u00eddrica. Elas s\u00e3o valorizadas em fun\u00e7\u00e3o da energia t\u00e9rmica necess\u00e1ria para gerar eletricidade. Este procedimento atribui valor superior \u00e0s energias renov\u00e1veis frente \u00e0s energias convencionais e permite comparar melhor as fontes que simplesmente se us\u00e1ssemos o valor cal\u00f3rico da energia usada<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a><sup>.<\/sup> A escala do gr\u00e1fico \u00e9 a adequada para estudar essas transi\u00e7\u00f5es dentro do modelo adotado por Marchetti no qual se espera que os trechos, longe do ponto de m\u00e1ximo, sejam representados por retas.<\/p>\n<p>Adotar algum tipo de equival\u00eancia entre as diversas fontes \u00e9 uma necessidade quando se quer comparar sua participa\u00e7\u00e3o na matriz energ\u00e9tica<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>\u00a0(Feu Alvim, Campos Ferreira, Eidelman, &amp; Goldemberg, 2000). Dentro dessas equival\u00eancias, pode-se mostrar a evolu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o das energias no consumo mundial. A energia hidr\u00e1ulica, por sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica, \u00e9 representada em separado das energias denominadas renov\u00e1veis que surgiram ou, mais propriamente, reviveram a partir das preocupa\u00e7\u00f5es com o aquecimento global. No gr\u00e1fico de Marchetti, est\u00e1 inclu\u00edda a lenha, tamb\u00e9m renov\u00e1vel, n\u00e3o considerada nas estat\u00edsticas da BP que se ocupa apenas das energias comerciais.<\/p>\n<p>As participa\u00e7\u00f5es das energias prim\u00e1rias no consumo mundial, para dados posteriores a 1965, n\u00e3o seguiram as proje\u00e7\u00f5es de Marchetti. De modo geral, as participa\u00e7\u00f5es variaram menos que o previsto. Como j\u00e1 anunciavam os anos 1970, o carv\u00e3o e o petr\u00f3leo n\u00e3o ca\u00edram como se esperava nem o g\u00e1s natural subiu tanto. Para considera\u00e7\u00f5es de natureza quantitativa usaremos os dados da BP cuja evolu\u00e7\u00e3o, em escala linear, \u00e9 mostrada na Figura 3.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5304\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura3_.png\" alt=\"A Figura mostra curvas das energias prim\u00e1rias de 1965 a 2021\" width=\"648\" height=\"422\" data-wp-pid=\"5304\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura3_.png 648w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura3_-300x195.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura3_-600x391.png 600w\" sizes=\"(max-width: 648px) 100vw, 648px\" \/><\/p>\n<p>Figura 3: Evolu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o das energias prim\u00e1rias no consumo mundial<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc135480334\"><\/a><strong>As transi\u00e7\u00f5es entre as energias prim\u00e1rias<\/strong><\/h3>\n<p>Antes da an\u00e1lise quantitativa, vamos fazer uma passada qualitativa comparando os valores projetados e o efetivamente ocorrido, como mostrado na Figura 2. As duas primeiras transi\u00e7\u00f5es, lenha\/carv\u00e3o e carv\u00e3o\/petr\u00f3leo, se deram no sentido da substitui\u00e7\u00e3o de um combust\u00edvel por outro de maior densidade energ\u00e9tica e facilidade de transporte. Com as transi\u00e7\u00f5es posteriores, nem sempre ocorreu ou ocorre o mesmo.<\/p>\n<p><strong>Transi\u00e7\u00e3o lenha\/carv\u00e3o mineral<\/strong><\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o lenha\/carv\u00e3o mineral se deu entre dois combust\u00edveis s\u00f3lidos, sendo a substitui\u00e7\u00e3o quase direta, sem grandes modifica\u00e7\u00f5es nos equipamentos de uso. A BP n\u00e3o mostra o consumo da lenha e s\u00f3 passou a considerar os dados da biomassa quando seus combust\u00edveis passaram a participar do com\u00e9rcio formal de energia. O item \u201cRenov\u00e1veis\u201d abriu espa\u00e7o para este tipo de energia nas estat\u00edsticas da BP.<\/p>\n<p>\u00c9 bom chamar a aten\u00e7\u00e3o que, os dados relativos ao consumo de lenha n\u00e3o s\u00e3o, em geral, dispon\u00edveis para os diversos pa\u00edses. Os pr\u00f3prios dados sobre o carv\u00e3o mineral, anteriores a 1965 e mostrados na Figura 1, s\u00e3o dif\u00edceis de recuperar.<\/p>\n<p><strong>Transi\u00e7\u00e3o carv\u00e3o\/petr\u00f3leo<\/strong><\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o carv\u00e3o\/petr\u00f3leo \u00e9 a de um combust\u00edvel s\u00f3lido para um l\u00edquido de maior densidade energ\u00e9tica que re\u00fane, praticamente, todas as vantagens de armazenamento, transporte e uso. Al\u00e9m disto, os derivados de petr\u00f3leo s\u00e3o utiliz\u00e1veis diretamente em motores. Isso abriu caminho para a enorme expans\u00e3o dos ve\u00edculos automotores. Ou seja, a oferta de petr\u00f3leo deu lugar a sua utiliza\u00e7\u00e3o substituindo carv\u00e3o e lenha em muitas aplica\u00e7\u00f5es estacion\u00e1rias, mas deu tamb\u00e9m a oportunidade da cria\u00e7\u00e3o do motor de explos\u00e3o com dimens\u00f5es adequadas ao uso veicular e isso criou um mercado novo para a energia. Pode-se dizer que os \u00fanicos obst\u00e1culos \u00e0 transfer\u00eancia entre carv\u00e3o e petr\u00f3leo eram pre\u00e7o e disponibilidade. Estes dois fatores justificaram tamb\u00e9m a atual op\u00e7\u00e3o de China e \u00cdndia por carv\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Transi\u00e7\u00e3o petr\u00f3leo\/GN<\/strong><\/p>\n<p>O g\u00e1s natural \u00e9, na maioria das aplica\u00e7\u00f5es, vantajoso na substitui\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o e derivados de petr\u00f3leo quando usado para gerar calor. Isso \u00e9 v\u00e1lido, \u00e9 claro, desde que dispon\u00edvel no local. Ele emite menos quantidade de CO<sub>2<\/sub> por energia fornecida e, de modo geral, menos particulados. No entanto, sua transportabilidade \u00e9 menor do que a dos derivados l\u00edquidos de petr\u00f3leo que podem ser movimentados e armazenados a press\u00e3o e temperatura ambientes<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>O g\u00e1s natural tamb\u00e9m \u00e9 utilizado como for\u00e7a motriz em ve\u00edculos, inclusive em algumas cidades do Brasil, mas seu transporte em unidades m\u00f3veis exige tanques, capazes de suportar press\u00f5es de 200 a 250 bar<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>. No Brasil sua utiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 comum em algumas cidades e foi estabelecida dentro de pol\u00edtica concebida para estimular seu uso que tem pre\u00e7o competitivo para ve\u00edculos de grande quilometragem anual. A alternativa para liquefaz\u00ea-lo exige temperaturas muito baixas e containers criog\u00eanicos.<\/p>\n<p>A substitui\u00e7\u00e3o dos derivados de petr\u00f3leo no transporte \u00e9 a mais dif\u00edcil de ser concretizada. O de outras fontes prim\u00e1rias exigiria a produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel l\u00edquido como o \u00e1lcool e\/ou os \u00f3leos vegetais. Outra maneira \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de um vetor como o hidrog\u00eanio e a pr\u00f3pria eletricidade.<\/p>\n<p>Na verdade, mesmo a utiliza\u00e7\u00e3o desses vetores n\u00e3o envolve uma \u00fanica opera\u00e7\u00e3o. Para o uso da eletricidade em um ve\u00edculo automotor \u00e9 necess\u00e1rio acumul\u00e1-la, sob a forma de energia qu\u00edmica em uma bateria para, em seguida, reconvert\u00ea-la em eletricidade e da\u00ed em energia mec\u00e2nica. Em cada uma dessas mudan\u00e7as existe uma inevit\u00e1vel perda.<\/p>\n<p>O uso de hidrog\u00eanio exige uma forma especial de armazenamento porque \u00e9 altamente explosivo e para ser utilizado em um motor de combust\u00e3o interna tem que passar pela baixa efici\u00eancia intr\u00ednseca deste tipo de motor<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a><sup>.<\/sup> Ou seja, a equival\u00eancia que favorece a energia renov\u00e1vel, como a da BP, n\u00e3o se justifica nesse caso e n\u00e3o pode ser valorizado pela quantidade de combust\u00edvel necess\u00e1rio para gerar a eletricidade. O uso de <a href=\"https:\/\/www.cemig.com.br\/usina-do-conhecimento\/veja-como-funciona-e-quais-aplicacoes-da-celula-a-combustivel-de-hidrogenio\/\">c\u00e9lula de combust\u00edvel<\/a><a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> melhora a efici\u00eancia, mas tamb\u00e9m envolve perdas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/gasenergy.com.br\/os-desafios-da-armazenagem-e-transporte-de-hidrogenio-em-larga-escala\/\">O hidrog\u00eanio tem problemas de estocagem, transporte e abastecimento ainda n\u00e3o inteiramente resolvidos<\/a><a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>. O mesmo acontece com a eletricidade, como consequ\u00eancia, os ve\u00edculos puramente el\u00e9tricos n\u00e3o possuem ainda autonomia satisfat\u00f3ria, problema agravado por um tempo de reabastecimento muito longo. Consider\u00e1veis progressos tecnol\u00f3gicos foram alcan\u00e7ados nos \u00faltimos anos, mas persistem dificuldades para que essa contribui\u00e7\u00e3o seja estatisticamente significativa<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a><sup>.<\/sup><\/p>\n<p>Em 2021, os produtos petrol\u00edferos representaram cerca de 90% do uso total de energia do setor de transporte dos EUA. Os biocombust\u00edveis contribu\u00edram com cerca de 6%. O g\u00e1s natural representou cerca de 4%, a maioria dos quais foi usada em compressores de gasodutos de g\u00e1s natural. O uso de eletricidade por sistemas de transporte de massa forneceu menos de 1% do uso total de energia do setor de transporte&#8221;<\/p>\n<p><strong>Transi\u00e7\u00e3o P&amp;G\/nuclear<\/strong><\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o P&amp;G\/nuclear tamb\u00e9m vai no sentido de maior concentra\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel por unidade de massa, mas n\u00e3o no de maior portabilidade da energia.<\/p>\n<p>Para mostrar a concentra\u00e7\u00e3o da energia nuclear, costuma-se dizer que uma pastilha de aproximadamente 1 cm<sup>3<\/sup> e massa de 7 g, de \u00f3xido de ur\u00e2nio de um reator nuclear, fornece a energia de uma tonelada de carv\u00e3o ou tr\u00eas barris de petr\u00f3leo<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a> (NEI, s.d.).<\/p>\n<p>A imagem \u00e9 esclarecedora, mas, em verdade, essa pastilha contendo ur\u00e2nio s\u00f3 produz essa energia em um reator quando associada a cerca de 100 t de outras pastilhas. A forma comercial, atualmente utilizada para o uso da energia nuclear \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica em grandes usinas. Ou seja, a utiliza\u00e7\u00e3o da energia nuclear em ve\u00edculos tamb\u00e9m passa por um vetor energ\u00e9tico, normalmente a eletricidade, que tem que estar armazenada na forma de energia qu\u00edmica nas baterias ou, eventualmente, pelo hidrog\u00eanio.<\/p>\n<p>O reator nuclear \u00e9 usualmente grande, precisa de sistemas de vapor para gerar eletricidade e de blindagem pesada para reduzir a radia\u00e7\u00e3o, atualmente s\u00f3 grandes navios e submarinos s\u00e3o capazes de transport\u00e1-los. Para o espa\u00e7o, pequenos reatores usando, ur\u00e2nio altamente enriquecido, ou Pu<sub>239<\/sub>, podem ser utilizados em naves n\u00e3o tripuladas. Tamb\u00e9m existem geradores que usam a emiss\u00e3o de part\u00edculas carregadas ou o calor gerado no decaimento de radiois\u00f3topos, como o PU<sub>238<\/sub>, para produzir eletricidade\u00a0(WNA &#8211; World Nuclear Association, 2021).<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a><sup>.<\/sup><\/p>\n<p>Ou seja, o equipamento usado atualmente para extrair a energia nuclear para outros usos, \u00e9 de grande volume e peso; isso faz com que a energia nuclear tenha como vetor de uso praticamente \u00fanico a eletricidade, embora existam grandes possibilidades do uso do calor direto <a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>.<\/p>\n<p>Uma observa\u00e7\u00e3o importante se extrai do gr\u00e1fico da Figura 2. O uso da energia nuclear subiu, de in\u00edcio, mais rapidamente que o previsto na proje\u00e7\u00e3o de Marchetti, mas atingiu um m\u00e1ximo de participa\u00e7\u00e3o muito abaixo do projetado.<\/p>\n<p>Atribui-se a interrup\u00e7\u00e3o do crescimento de sua participa\u00e7\u00e3o no consumo aos problemas relacionados \u00e0 seguran\u00e7a de funcionamento dos reatores nucleares revelados pelos acidentes de Three Mile Island (1979), Chernobyl (1986) e Fukushima (2011). Tamb\u00e9m nos parece necess\u00e1rio considerar as restri\u00e7\u00f5es ao uso da energia nuclear para n\u00e3o favorecer sua dissemina\u00e7\u00e3o que poderia estimular a posse de explosivos nucleares para uso b\u00e9lico em mais pa\u00edses<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>. Um dos sinais dessa press\u00e3o \u00e9 a dificuldade internacional da aceita\u00e7\u00e3o da energia nuclear como alternativa aos combust\u00edveis f\u00f3sseis que s\u00f3 agora parece estar sendo removida. Ap\u00f3s uma queda, sua contribui\u00e7\u00e3o na matriz energ\u00e9tica mundial parou de cair e se manteve em cerca de 4% na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p><strong>Fus\u00e3o nuclear<\/strong><\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o da fus\u00e3o nuclear, apesar do esfor\u00e7o tecnol\u00f3gico internacional, ainda n\u00e3o se anuncia como realidade na gera\u00e7\u00e3o de eletricidade nos curto e m\u00e9dio prazos, embora tenha havido, ultimamente, alguns progressos tecnol\u00f3gicos<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><strong>Renov\u00e1veis<\/strong><\/p>\n<p>O item \u201crenov\u00e1veis\u201d apenas est\u00e1 presente na representa\u00e7\u00e3o de Marchetti (Figura 1), na forma de lenha cujo uso estaria praticamente esgotado. N\u00e3o havia, \u00e0 \u00e9poca, a perspectiva do ressurgimento do uso de renov\u00e1veis que estamos assistindo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na Figura 1, os dados da energia hidr\u00e1ulica n\u00e3o foram inclu\u00eddos apesar de j\u00e1 terem participa\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima da atual (7%). Podemos especular que \u00e9 porque seu comportamento n\u00e3o se adeque ao modelo de competi\u00e7\u00e3o adotado ou porque o universo representado seria somente o de combust\u00edveis.<\/p>\n<p>Na mesma escala da Figura 2, foram adicionados os dados de 1965 a 2021, da compila\u00e7\u00e3o da BP. Os gr\u00e1ficos mostram o consumo dos combust\u00edveis formalmente comercializados e isso n\u00e3o inclui a lenha. No Brasil, dispomos de dados sobre a lenha, que consta do Balan\u00e7o Energ\u00e9tico Nacional \u2013 BEN\/EPE\/MME do Brasil (Minist\u00e9rio de Minas e Energia, 2022), juntamente com o baga\u00e7o da cana de a\u00e7\u00facar que n\u00e3o s\u00e3o considerados na compila\u00e7\u00e3o da BP. Isto decorre, em parte, da relev\u00e2ncia da biomassa em nossa matriz energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>As energias denominadas renov\u00e1veis, hoje apresentadas como novidade, representam um retorno a energias tradicionais ligadas aos prim\u00f3rdios da civiliza\u00e7\u00e3o que foram \u201cressuscitadas\u201d pela tecnologia atualmente dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>Lembremos que a energia e\u00f3lica j\u00e1 \u00e9 usada, h\u00e1 s\u00e9culos nos moinhos e foi usada h\u00e1 mil\u00eanios, na propuls\u00e3o naval ao longo do Nilo. A energia solar, anteriormente usada na secagem artesanal e industrial, passou a ser usada em pain\u00e9is solares para a gera\u00e7\u00e3o de calor e, principalmente, de eletricidade. Outro exemplo de energia renov\u00e1vel \u00e9 a dos \u00e1lcoois (etanol e metanol) e \u00f3leos vegetais usados em motores a explos\u00e3o. Esses \u00f3leos e os de animais, como a baleia, portanto da biomassa, j\u00e1 foram importantes fontes de energia luminosa no passado. A base de dados da BP j\u00e1 contabiliza os combust\u00edveis l\u00edquidos de origem vegetal nos quais o Brasil \u00e9 pioneiro no uso comercial.<\/p>\n<p>Podemos considerar fracassado o modelo de substitui\u00e7\u00e3o adotado por Marchetti no caso das energias prim\u00e1rias?<\/p>\n<p>O comportamento em ciclos do uso de energia das diferentes fontes tem uma eleg\u00e2ncia que fascina a mente humana. \u00c9 natural, portanto, que procuremos emendar o modelo que \u00e9 muito \u00fatil para compreender e aceitar a inevit\u00e1vel substitui\u00e7\u00e3o entre as energias ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Est\u00e1 impl\u00edcito no modelo Marchetti uma intera\u00e7\u00e3o da sociedade com os fen\u00f4menos de penetra\u00e7\u00e3o de um combust\u00edvel no mercado. Uma das maneiras mais conhecidas dessa intera\u00e7\u00e3o s\u00e3o os pre\u00e7os e custos de mercadorias ou servi\u00e7os concorrentes. No caso da energia, o pre\u00e7o mais importante \u00e9 da energia dominante, o petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>O modelo Marchetti considera que as macrotend\u00eancias prevalecer\u00e3o no longo prazo. J\u00e1 comentamos, sobre a Figura 1, que, usando dados de at\u00e91948, as proje\u00e7\u00f5es funcionaram bem at\u00e9 1984. Para os dados at\u00e9 2021 verificamos que a velocidade das mudan\u00e7as foi muito menor do que a esperada.<\/p>\n<p>No entanto, as tend\u00eancias apontadas para o longo prazo estavam corretas, a saber:<\/p>\n<ul>\n<li>A lenha e carv\u00e3o mineral continuaram a decrescer,<\/li>\n<li>A participa\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo passou por um m\u00e1ximo bem localizado na Figura 1 (em 1973) e continuaria a decrescer,<\/li>\n<li>O g\u00e1s natural teria um uso crescente, possivelmente superando o petr\u00f3leo,<\/li>\n<li>Nuclear era a energia emergente e<\/li>\n<li>A fus\u00e3o s\u00f3 entraria na matriz mundial no longo prazo.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Os que trabalham com o modelo, inclusive o cientista Jos\u00e9 Israel Vargas que, no artigo j\u00e1 mencionado e em outros\u00a0(Vargas, Ci\u00eancia em tempo de crise 1974-2007, 2007), identificou que, em muitos casos, n\u00e3o existe um \u00fanico processo ao longo do tempo, mas podem existir v\u00e1rios ciclos que se sucedem. Como aprendemos nas pandemias, surgem no mesmo local diferentes ondas ao longo do tempo e\/ou ondas n\u00e3o simult\u00e2neas em diversas localiza\u00e7\u00f5es relativamente isoladas. Isso aconteceu na competi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica ao menos no caso do uso de carv\u00e3o como mostra a Figura 3.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise da evolu\u00e7\u00e3o por regi\u00f5es do mundo, percebemos que essa nova \u201conda\u201d do uso de carv\u00e3o mineral aconteceu, no in\u00edcio do s\u00e9culo atual em virtude das necessidades de energia para o r\u00e1pido desenvolvimento dos BRICS, como mostrado na Figura 4<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a><sup>.<\/sup><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5311\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura4_108.png\" alt=\"Figura sobre a evolu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o das energias prim\u00e1rias no BRICS\" width=\"1438\" height=\"862\" data-wp-pid=\"5311\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura4_108.png 1438w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura4_108-300x180.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura4_108-1024x614.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura4_108-768x460.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura4_108-1200x719.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura4_108-600x360.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura 4: O carv\u00e3o \u00e9 a principal fonte prim\u00e1ria usada pelos BRICS, existe uma segunda onda de participa\u00e7\u00e3o do seu consumo desencadeada pelo \u201cboom\u201d econ\u00f4mico de China e \u00cdndia.<\/p>\n<p>Em pr\u00f3ximo artigo, investigaremos a influ\u00eancia de pre\u00e7os da fonte energ\u00e9tica predominante (o petr\u00f3leo) como determinante no comportamento das transi\u00e7\u00f5es entre energ\u00e9ticos. Tamb\u00e9m ser\u00e3o abordados aspectos relativos ao problema da emiss\u00e3o de gases de efeito estufa que est\u00e1 estreitamente ligada ao consumo dos combust\u00edveis e de como as pol\u00edticas e acordos internacionais teriam influenciado objetivamente nesse consumo.<\/p>\n<p>Proximamente, aprofundaremos a abordagem sobre as diferen\u00e7as na participa\u00e7\u00e3o das energias prim\u00e1rias por conjuntos de pa\u00edses ao longo do tempo.<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc135480335\"><\/a><strong>Ajuste preliminar para chegar a proje\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h3>\n<p>A aspira\u00e7\u00e3o do modelo usado por Marchetti \u00e9 oferecer uma vis\u00e3o do futuro baseada no comportamento passado. A ideia \u00e9 que estamos lidando com um sistema de grande in\u00e9rcia que seguir\u00e1 seu rumo uma vez que, supostamente, \u00e9 capaz de identificar as for\u00e7as sociais, econ\u00f4micas e a pr\u00f3pria disponibilidade dos recursos naturais.<\/p>\n<p>\u00a0Revendo a Figura 2, mostrada na miniatura ao lado, verificamos que os acr\u00e9scimos de dados a partir de 1965 mostraram, quantitativamente, um comportamento do consumo, bem diverso da suposi\u00e7\u00e3o simplificadora de Marchetti. O que podemos deduzir do quadro de participa\u00e7\u00e3o dos diferentes tipos de energia prim\u00e1ria \u00e9 que a crise de abastecimento e pre\u00e7o de petr\u00f3leo e derivados dos anos 1970 estabeleceu um novo padr\u00e3o de evolu\u00e7\u00e3o de curva das participa\u00e7\u00f5es das fontes energ\u00e9ticas prim\u00e1rias, ao longo do tempo, em uma escala log\u00edstica. N\u00e3o obstante essa mudan\u00e7a na \u201cvelocidade\u201d das substitui\u00e7\u00f5es as macrotend\u00eancias, como j\u00e1 assinalamos, foram mantidas.<\/p>\n<p>O esquema na Figura 5 ilustra esse comportamento. O Carv\u00e3o (at\u00e9 1970) seria o exemplo t\u00edpico do comportamento anterior e o petr\u00f3leo o do novo. A globaliza\u00e7\u00e3o pode ter contribu\u00eddo para aumentar a in\u00e9rcia de substitui\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica na medida que o consumo intensivo de energia, antes concentrado em poucos pa\u00edses, se generalizou nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5312\" aria-describedby=\"caption-attachment-5312\" style=\"width: 526px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-5312\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura5_108.png\" alt=\"Tipos de Curvas anterior a 1970 , (sim\u00e9tricas no tempo e, ap\u00f3s 1970, decr\u00e9scimo mais lento.)(\" width=\"526\" height=\"261\" data-wp-pid=\"5312\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura5_108.png 526w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura5_108-300x149.png 300w\" sizes=\"(max-width: 526px) 100vw, 526px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5312\" class=\"wp-caption-text\">Participa\u00e7\u00e3o (F) das energias prim\u00e1rias comparadas com as de Marchetti<\/figcaption><\/figure>\n<p>Figura 5: Novo padr\u00e3o observado para a evolu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o de cada energia prim\u00e1ria no consumo mundial.<\/p>\n<p>Esta varia\u00e7\u00e3o na \u201cvelocidade\u201d da ocupa\u00e7\u00e3o do nicho j\u00e1 foi usada anteriormente pelo pr\u00f3prio Marchetti como pode ser acompanhado nos v\u00e1rios exemplos reunidos por Vargas (Vargas 2020) em artigo neste peri\u00f3dico j\u00e1 mencionado anteriormente.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a globaliza\u00e7\u00e3o favoreceu a divulga\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e facilitou a penetra\u00e7\u00e3o de novas fontes de energia e a implementa\u00e7\u00e3o delas em alguns \u201cnichos\u201d espec\u00edficos.<\/p>\n<p>A penetra\u00e7\u00e3o da energia nuclear, cuja curva parece seguir o novo padr\u00e3o, encontrou um nicho limitado, na produ\u00e7\u00e3o de eletricidade em substitui\u00e7\u00e3o ao carv\u00e3o mineral, \u00f3leo combust\u00edvel e diesel em pa\u00edses desenvolvidos. Este nicho teria sido esgotado. A r\u00e1pida expans\u00e3o do nuclear foi favorecida, em um primeiro momento, pela transfer\u00eancia de tecnologia entre esses pa\u00edses. J\u00e1 nos pa\u00edses do terceiro mundo, onde a transfer\u00eancia de tecnologia encontra obst\u00e1culos, ela n\u00e3o se desenvolveu. A ascens\u00e3o tecnoindustrial no in\u00edcio deste s\u00e9culo da China viabilizou a amplia\u00e7\u00e3o do nicho.<\/p>\n<p>O ajuste de retas, na Figura 6, permite extrapolar a participa\u00e7\u00e3o no consumo para os anos seguintes, com ajuda da escala log\u00edstica.<\/p>\n<p>Para as energias f\u00f3sseis (petr\u00f3leo, carv\u00e3o e g\u00e1s natural) e para a energia hidr\u00e1ulica (renov\u00e1vel) existe o tipo de comportamento hist\u00f3rico que d\u00e1 base para essa extrapola\u00e7\u00e3o. Mesmo para a energia \u201crenov\u00e1vel\u201d (e\u00f3lica e fotovoltaica principalmente) \u00e9 poss\u00edvel uma extrapola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso do nuclear, houve uma r\u00e1pida ascens\u00e3o e ela teria passado por um m\u00e1ximo de participa\u00e7\u00e3o no in\u00edcio do mil\u00eanio (6,7 % em 2001). Sua participa\u00e7\u00e3o teve uma trajet\u00f3ria de queda at\u00e9 2012 quando se estabilizou em torno de 4,3% nos \u00faltimos dez anos. Especula-se sobre a possibilidade de uma nova onda nuclear puxada pelos BRICS que prestigiaria a \u00fanica alternativa j\u00e1 testada como capaz de fornecer grandes blocos de energia n\u00e3o f\u00f3ssil. Face as incertezas, optou-se por extrapolar a participa\u00e7\u00e3o dessa energia considerando a manuten\u00e7\u00e3o da m\u00e9dia dos \u00faltimos dez anos (2012 a 2021). Ensaios de outros cen\u00e1rios de maior participa\u00e7\u00e3o da energia nuclear devem ainda ser explorados.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5313\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura6_108.png\" alt=\"Evolu\u00e7\u00e3o do consumo de energias em escala linear, mostrando os ajustes\" width=\"1438\" height=\"1038\" data-wp-pid=\"5313\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura6_108.png 1247w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura6_108-300x217.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura6_108-1024x739.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura6_108-768x554.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura6_108-1200x866.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura6_108-600x433.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura 6: Ajustes aos dados de consumo, em escala log\u00edstica, visando a extrapola\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o das energias prim\u00e1rias no consumo mundial.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s energias reunidas no t\u00edtulo renov\u00e1veis na colet\u00e2nea da BP, podemos considerar que elas j\u00e1 demonstraram sua viabilidade, embora exigindo, para sua implementa\u00e7\u00e3o, um ambiente de incentivo e at\u00e9 de subs\u00eddios.<\/p>\n<p>A energia hidroel\u00e9trica j\u00e1 h\u00e1 muito mostrou sua viabilidade embora exista crescente oposi\u00e7\u00e3o ambiental e econ\u00f4mica \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de usinas com grandes \u00e1reas inundadas e at\u00e9 mesmos de pequenas centrais, por diferentes raz\u00f5es. A proje\u00e7\u00e3o, feita a partir dos dados passados, sugere que a energia hidroel\u00e9trica mantenha a fra\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o observada nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o que parece ser, no quadro atual, uma hip\u00f3tese otimista.<\/p>\n<p>Sobre as outras renov\u00e1veis, a pr\u00f3pria figura mostra a in\u00e9rcia de penetra\u00e7\u00e3o que justifica os 40 anos para passar de 0,1% para 1%. Nos \u00faltimos 15 anos, sua participa\u00e7\u00e3o passou de 1% para 7%. Essa acelera\u00e7\u00e3o \u00e9 coerente com o processo esperado de uma energia em implanta\u00e7\u00e3o. A extrapola\u00e7\u00e3o da penetra\u00e7\u00e3o futura dessa fonte de energia considerou a \u201cinclina\u00e7\u00e3o\u201d para o per\u00edodo de 1990 a 2021. Para uma extrapola\u00e7\u00e3o at\u00e9 2041, o procedimento \u00e9 justific\u00e1vel. Para um per\u00edodo mais longo, dever\u00edamos considerar, como em outros casos, uma participa\u00e7\u00e3o m\u00e1xima que essa energia pode vir a atingir. A experi\u00eancia da Europa Ocidental, onde foi feito um grande esfor\u00e7o de instala\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica com energias renov\u00e1veis, sugere que esse limite estaria em cerca de 20% de participa\u00e7\u00e3o. Neste ensaio n\u00e3o foi considerada essa limita\u00e7\u00e3o e o valor da participa\u00e7\u00e3o das \u201cRenov\u00e1veis\u201d chega a 23% em 2041. Um ensaio que incorpora essa limita\u00e7\u00e3o \u00e9 mostrado no Anexo.<\/p>\n<p>Na Figura 7, est\u00e3o indicados os crit\u00e9rios de proje\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o mundial das energias prim\u00e1rias no consumo na escala log (F\/(1-F)) onde F \u00e9 o percentual de participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5314\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura7_108.png\" alt=\"Participa\u00e7\u00e3o por energia prim\u00e1ria no consumo mundial em escala log\u00edstica\" width=\"1438\" height=\"1087\" data-wp-pid=\"5314\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura7_108.png 1191w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura7_108-300x227.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura7_108-1024x774.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura7_108-768x581.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura7_108-1200x907.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura7_108-600x454.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura 7: Crit\u00e9rios de proje\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o das energias prim\u00e1rias no mundo, com destaque para o caso especial das energias nuclear e renov\u00e1vel.<\/p>\n<p>Fundamentalmente, apenas para a energia nuclear n\u00e3o foi poss\u00edvel uma direta aplica\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo.<\/p>\n<p>Na Figura 8 est\u00e3o representadas, em escala linear, os resultados das proje\u00e7\u00f5es de participa\u00e7\u00e3o indicadas na Figura 7. Al\u00e9m da convers\u00e3o dos dados da figura anterior (em escala logar\u00edtmica) para percentagens, foi aplicado um fator de normaliza\u00e7\u00e3o de maneira que a soma das participa\u00e7\u00f5es fosse 100%.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-5316\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura8_108-1.png\" alt=\"Proje\u00e7\u00f5es de participa\u00e7\u00e3o no consumo mundial\" width=\"1438\" height=\"986\" data-wp-pid=\"5316\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura8_108-1.png 1313w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura8_108-1-300x206.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura8_108-1-1024x702.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura8_108-1-768x527.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura8_108-1-1200x823.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura8_108-1-600x411.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura 8: Resultado da proje\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o da energia prim\u00e1ria para os pr\u00f3ximos vinte anos<\/p>\n<p>Essa simples extrapola\u00e7\u00e3o mostra que a energia f\u00f3ssil permaneceria largamente dominante nas duas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas o que n\u00e3o seria uma boa not\u00edcia para limitar o aumento da temperatura atmosf\u00e9rica. Alternativas de proje\u00e7\u00e3o usando o modelo, acoplado a valores m\u00e1ximos de participa\u00e7\u00e3o de cada energia prim\u00e1ria poderia fornecer uma avalia\u00e7\u00e3o mais realista para a futura matriz energ\u00e9tica mundial.<\/p>\n<p>Um resultado interessante \u00e9 que a extrapola\u00e7\u00e3o prev\u00ea, para o \u00faltimo ano, uma converg\u00eancia das que seriam as quatro principais energias igualadas em cerca de 22% de participa\u00e7\u00e3o: carv\u00e3o mineral, petr\u00f3leo, g\u00e1s natural e renov\u00e1vel.<\/p>\n<p>Do ponto de vista das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa provenientes do uso de energia, \u00e9 importante examinar como evoluiria a participa\u00e7\u00e3o de energias n\u00e3o f\u00f3sseis e seu complemento das f\u00f3sseis no cen\u00e1rio considerado.<\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o esperada para as participa\u00e7\u00f5es f\u00f3sseis X n\u00e3o f\u00f3sseis \u00e9 mostrada na Figuras 9 na escala linear.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5321 size-full\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura9_108.png\" alt=\"Figura com a participa\u00e7\u00e3o de f\u00f3sseis e n\u00e3o f\u00f3sseis no consumo de energia prim\u00e1riia, com proje\u00e7\u00e3o de 20 anos.\" width=\"1438\" height=\"903\" data-wp-pid=\"5321\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura9_108.png 1433w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura9_108-300x188.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura9_108-1024x643.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura9_108-768x482.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura9_108-1200x754.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura9_108-600x377.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/> Figura 9: Resultado da proje\u00e7\u00e3o das participa\u00e7\u00f5es dos f\u00f3sseis e n\u00e3o f\u00f3sseis em escala linear.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disto, como o total de consumo de energia continuar\u00e1 crescendo, essa mudan\u00e7a de participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 refletida, obrigatoriamente, em redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es. O efeito positivo de menor participa\u00e7\u00e3o de f\u00f3sseis ser\u00e1 provavelmente anulado pelo crescimento regular do consumo energ\u00e9tico como mostramos mais adiante.<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc135480336\"><\/a><strong>Evolu\u00e7\u00e3o da matriz energ\u00e9tica mundial expressa em exajoules<\/strong><\/h3>\n<p>A Figura 10 mostra o crescimento hist\u00f3rico do consumo mundial de energia total e de petr\u00f3leo e g\u00e1s (P&amp;G). Para a surpresa dos planejadores energ\u00e9ticos, o crescimento de consumo de energia mundial, ao longo do tempo, pode ser expresso por uma reta com um \u00edndice de correla\u00e7\u00e3o R2 = 99%<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\"><sup>[18]<\/sup><\/a><sup>.<\/sup> O valor \u00e9 muito pr\u00f3ximo do valor m\u00e1ximo desse coeficiente que \u00e9 1 ou 100%.<\/p>\n<p>No planejamento energ\u00e9tico, costumamos fazer proje\u00e7\u00f5es com dezenas de vari\u00e1veis para chegar a um coeficiente de correla\u00e7\u00e3o menor e uma express\u00e3o v\u00e1lida por um espa\u00e7o de tempo limitado. Chega a ser decepcionante descobrir que o consumo energ\u00e9tico mundial, ao longo de mais de meio s\u00e9culo (56 anos), possa ser descrito por uma equa\u00e7\u00e3o de primeiro grau, ou seja, uma simples reta. A correla\u00e7\u00e3o \u00e9 deveras surpreendente j\u00e1 que \u00e9 o resultado de quase duas centenas de pa\u00edses com diferentes trajet\u00f3rias econ\u00f4micas e diferentes matrizes energ\u00e9ticas em um per\u00edodo no qual houve grandes varia\u00e7\u00f5es no pre\u00e7o de energia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5322 size-full\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura10_108.png\" alt=\"A Figura mostra a evolu\u00e7\u00e3o do consumo de energia e de petr\u00f3leo e g\u00e1s que, surpreendentemente s\u00e3o lineares com o tempo\" width=\"1438\" height=\"918\" data-wp-pid=\"5322\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura10_108.png 1410w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura10_108-300x192.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura10_108-1024x654.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura10_108-768x490.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura10_108-1200x766.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura10_108-600x383.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura 10: Consumo de energia no mundo e ajuste linear para energia total e petr\u00f3leo e g\u00e1s.<\/p>\n<p>No caso da energia dominante, P&amp;G (petr\u00f3leo e g\u00e1s) encontramos o \u00edndice R2 = 98%. Podemos ver na Figura 10 que a correla\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda melhor a partir do ano de 1981, passada a turbul\u00eancia nos pre\u00e7os e disponibilidade de petr\u00f3leo dos anos 1970, quando alcan\u00e7a o valor de R2=99%.<\/p>\n<p>A extrapola\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia de crescimento, observada ao longo de quase seis d\u00e9cadas, para as duas seguintes, combina com a aproxima\u00e7\u00e3o adotada aqui para as participa\u00e7\u00f5es das fontes no consumo, onde a evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica tem forte influ\u00eancia na futura demanda.<\/p>\n<p>Acoplando a tend\u00eancia inercial de crescimento da energia total consumida no mundo (Figura 10), com a extrapola\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o das energias (Figura 8) chegamos \u00e0 Figura 12, em valores agregados.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5323\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108.png\" alt=\"\" width=\"1438\" height=\"1051\" data-wp-pid=\"5323\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108.png 1231w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108-300x219.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108-1024x748.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108-768x561.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108-1200x877.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108-600x439.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura 11: Expans\u00e3o do uso de energia no Mundo baseada na evolu\u00e7\u00e3o das participa\u00e7\u00f5es dos energ\u00e9ticos e no crescimento linear do consumo aqui projetados<\/p>\n<p>O resultado mostrado na Figura 11 projeta, at\u00e9 2041, a evolu\u00e7\u00e3o do consumo mundial de f\u00f3sseis, n\u00e3o f\u00f3sseis e destaca ainda o conjunto Petr\u00f3leo e G\u00e1s &#8211; P&amp;G. A Figura 12 mostra os valores extrapolados para cada tipo de energia prim\u00e1ria correspondente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5323\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108.png\" alt=\"\" width=\"1438\" height=\"1051\" data-wp-pid=\"5323\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108.png 1231w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108-300x219.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108-1024x748.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108-768x561.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108-1200x877.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108-600x439.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura 12: Expans\u00e3o do uso das energias prim\u00e1rias no Mundo baseada em um crescimento linear do consumo (Figura 10) e na evolu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o das energias prim\u00e1rias (Figura 8).<\/p>\n<p>Esses resultados nos levam a sensa\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias: De um lado, a proje\u00e7\u00e3o oferece uma perspectiva de estacionamento no uso da energia f\u00f3ssil, por outro lado, o resultado pode ser decepcionante porque prev\u00ea que o consumo de f\u00f3sseis n\u00e3o ser\u00e1 reduzido, apesar de sua menor participa\u00e7\u00e3o na matriz energ\u00e9tica e da perspectiva (otimista) de expans\u00e3o das energias renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Ora, sabemos que o n\u00edvel de emiss\u00e3o aproximadamente constante de gases de efeito estufa, ou seja, a estabiliza\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es n\u00e3o reduz a concentra\u00e7\u00e3o de CO<sub>2<\/sub> na atmosfera. A raz\u00e3o disso \u00e9 que a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa \u00e9, j\u00e1 atualmente, muito superior \u00e0 capacidade de sua absor\u00e7\u00e3o na natureza.<\/p>\n<p>Para deter o aumento da temperatura global, seria necess\u00e1rio reduzir substancialmente as emiss\u00f5es anuais.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese aqui considerada j\u00e1 contempla uma r\u00e1pida expans\u00e3o das energias renov\u00e1veis e isto sup\u00f5e uma ampla generaliza\u00e7\u00e3o de seu uso, a exemplo do que ocorreu na Europa Ocidental, onde a participa\u00e7\u00e3o dos renov\u00e1veis chegou a um limite que parece dif\u00edcil de expandir no n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p>Numa vis\u00e3o mais realista, a expans\u00e3o das energias renov\u00e1veis (solar e e\u00f3lica principalmente), no ritmo de crescimento mostrado na Figura 12, n\u00e3o parece condizente com a disposi\u00e7\u00e3o de pa\u00edses menos ricos para adotar fontes renov\u00e1veis, sabidamente intensivas em capital. Ou seja, muitos pa\u00edses teriam que alcan\u00e7ar um \u00edndice muito superior a 25% de participa\u00e7\u00e3o de \u201crenov\u00e1veis\u201d para que a m\u00e9dia atingisse esse valor.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disto, em cada pa\u00eds onde essas energias alcan\u00e7am este limite aparece o problema da inevit\u00e1vel descontinuidade, na produ\u00e7\u00e3o de eletricidade a partir das fontes solar e e\u00f3lica ao longo de, praticamente cada dia. Isso implica na necessidade de um mecanismo de estocagem da energia el\u00e9trica ou na capacidade adicional instalada baseada em outro tipo de gera\u00e7\u00e3o (normalmente t\u00e9rmica) que tamb\u00e9m exige investimentos em instala\u00e7\u00f5es de armazenamento ou de gera\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o que limitam a capacidade instalada deste tipo de energia. Apesar disto, a presente extrapola\u00e7\u00e3o n\u00e3o adotou, em nossa abordagem, um limite para a penetra\u00e7\u00e3o das \u201crenov\u00e1veis\u201d. \u00a0<\/p>\n<p>A energia hidroel\u00e9trica e nuclear, tamb\u00e9m n\u00e3o f\u00f3sseis e intensivas em capital, poderiam suprir parte das necessidades que possivelmente n\u00e3o possam ser atendidas pelas \u201crenov\u00e1veis\u201d (e\u00f3lica + solar). Teriam que ser vencidas limita\u00e7\u00f5es que atualmente freiam o crescimento das energias nuclear e hidro. Mesmo o pequeno crescimento projetado para o nuclear significa ainda grandes investimentos em novas usinas e na atualiza\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o das antigas para extens\u00e3o de vida \u00fatil s\u00f3 para manter a atual participa\u00e7\u00e3o. O aumento previsto na produ\u00e7\u00e3o hidroel\u00e9trica \u00e9 de menor monta e parece fact\u00edvel mesmo em um quadro de restri\u00e7\u00f5es ambientais como as atualmente existentes.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o quadro mostra um cen\u00e1rio claramente insuficiente para conten\u00e7\u00e3o do efeito estufa. A redu\u00e7\u00e3o na participa\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis \u00e9 bastante significativa, mas n\u00e3o impede que cerca de 70% do consumo mundial de energia ainda seria de combust\u00edvel f\u00f3ssil daqui a duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o que resulta das hip\u00f3teses aqui expostas n\u00e3o difere muito da previs\u00e3o da U.S. <em>Energy Information Administration<\/em> para o consumo de energia at\u00e9 2050\u00a0(EIA U.S. Energy Information Administration, 2020). Essas previs\u00f5es aparecem acopladas ao hist\u00f3rico dos dados da BP para os anos anteriores na Figura 13.<\/p>\n<p>Para comparar as duas proje\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria EIA e a nossa (com dados da BP) \u00e9 preciso que as unidades nas duas bases de dados de sejam coerentes. A possibilidade da utiliza\u00e7\u00e3o de um fator \u00fanico, para as diferentes energias prim\u00e1rias, mostra coer\u00eancia entre os dois conjuntos de dados, salvo para \u00a0as renov\u00e1veis. Para essas energias, nesse caso incluindo a hidr\u00e1ulica, \u00e9 necess\u00e1rio adotar uma equival\u00eancia onde os valores da EIA s\u00e3o 22% superiores aos valores adotados pela BP, ou seja, a EIA adota uma equival\u00eancia onde a energia renov\u00e1vel \u00e9 mais valorizada que na da BP.<\/p>\n<p>Resumindo, para que os dados hist\u00f3ricos coincidissem no gr\u00e1fico foi necess\u00e1rio, usar o fator de convers\u00e3o entre as unidades. No caso das renov\u00e1veis, foi necess\u00e1rio usar um fator para a convers\u00e3o multiplicado por 1,22. A evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e a proje\u00e7\u00e3o dos consumos por energia prim\u00e1ria da EIA, est\u00e3o mostradas na Figura 13.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5325\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura13_108.png\" alt=\"\" width=\"653\" height=\"507\" data-wp-pid=\"5325\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura13_108.png 653w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura13_108-300x233.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura13_108-600x466.png 600w\" sizes=\"(max-width: 653px) 100vw, 653px\" \/><\/p>\n<p>Figura 13: Hist\u00f3rico do uso das energias prim\u00e1rias no Mundo e proje\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o Internacional de Energia \u2013 EIA dos EUA<\/p>\n<p>Na Figura 13, a designa\u00e7\u00e3o de cores no gr\u00e1fico \u00e9 a do relat\u00f3rio da EIA. Os dados da EIA foram acoplados aos da BP de 1965 a 2000, expressos em exajoule por ano.<\/p>\n<p>Feitas essas corre\u00e7\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel comparar nossas proje\u00e7\u00f5es, em linha pontilhada, com as da EIA na Figura 14.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5326\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura14_108.png\" alt=\"\" width=\"1438\" height=\"1051\" data-wp-pid=\"5326\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura14_108.png 1231w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura14_108-300x219.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura14_108-1024x748.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura14_108-768x561.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura14_108-1200x877.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura14_108-600x439.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura 14 Compara\u00e7\u00e3o das proje\u00e7\u00f5es EIA-US e deste trabalho (pontilhada).<\/p>\n<p>Grosso modo, as previs\u00f5es s\u00e3o semelhantes j\u00e1 que eles tamb\u00e9m preveem um consumo parecido nas renov\u00e1veis, bastante coincidente para g\u00e1s natural, carv\u00e3o mineral e nuclear. A maior discord\u00e2ncia vem da previs\u00e3o para petr\u00f3leo que na nossa \u00e9 de baixa e a da EIA-US \u00e9 de alta.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante refor\u00e7ar as coincid\u00eancias j\u00e1 que elas confirmam progn\u00f3sticos que parecem surpreendentes como a relev\u00e2ncia do consumo de carv\u00e3o, em particular, e dos f\u00f3sseis de modo geral. Tamb\u00e9m \u00e9 projetada, pela EIA, uma retomada maior do uso da energia nuclear que superaria em 2041 o consumo energ\u00e9tico m\u00e1ximo j\u00e1 verificado.<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc135480337\"><\/a><strong>A m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o da energia entre pa\u00edses e pessoas<\/strong><\/h3>\n<p>\u00a0A desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o de energia entre a popula\u00e7\u00e3o dos diferentes pa\u00edses acompanha a desigualdade da distribui\u00e7\u00e3o das riquezas.<\/p>\n<p>No conjunto de pa\u00edses analisados, os da OCDE podem ser encarados como o grupo dos pa\u00edses ricos<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\"><sup>[19]<\/sup><\/a>. Uma boa medida do desequil\u00edbrio de consumo energ\u00e9tico \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o do consumo per capita dos pa\u00edses da OCDE relativo ao dos demais pa\u00edses (n\u00e3o OCDE) cuja evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 mostrada na Figura 15.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5327\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura15_108.png\" alt=\"\" width=\"1438\" height=\"931\" data-wp-pid=\"5327\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura15_108.png 1390w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura15_108-300x194.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura15_108-1024x663.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura15_108-768x497.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura15_108-1200x777.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura15_108-600x388.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura 15: Redu\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o o consumo per capta OCDE \/ N\u00e3o OCDE ao longo de meio s\u00e9culo<\/p>\n<p>Em n\u00fameros redondos, um residente da OCDE consome tr\u00eas vezes a energia de um \u201cn\u00e3o OCDE\u201d (dados de 2020). Em 1965, o habitante da OCDE tinha, em m\u00e9dia, um consumo energ\u00e9tico de sete vezes o do habitante da \u201cn\u00e3o OCDE\u201d. Para tomar dois grandes pa\u00edses s\u00edmbolo como exemplo, o consumo per capta de energia dos EUA, em 1973, era 66 vezes o da \u00cdndia e; em 2020, ainda \u00e9 11 vezes maior que o indiano.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que essa distribui\u00e7\u00e3o melhorou ao longo dos 56 anos, como mostrado na Figura 15. A desigualdade que pode ser medida pelo quociente [consumo per capta da OCDE] \/ [consumo per capta n\u00e3o OCDE] vem reduzindo ao longo dos anos e temos que encarar isto como um progresso, embora persistam grandes desigualdades internas de acesso \u00e0 energia entre pessoas de cada pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante observar que a queda come\u00e7ou com o choque no pre\u00e7o do petr\u00f3leo, em 1973, e foi interrompida em 1990 quando foi estabelecida a unipolaridade no poder mundial. A partir do in\u00edcio deste s\u00e9culo, houve uma queda significativa do diferencial de consumo entre os pa\u00edses ricos (OCDE) e os demais (n\u00e3o OCDE) que foi puxada pela ascens\u00e3o econ\u00f4mica dos BRICS (principalmente da China).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc135480338\"><\/a><strong>Conclus\u00f5es Preliminares<\/strong><\/h3>\n<p>Uma extrapola\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia da participa\u00e7\u00e3o das energias prim\u00e1rias no consumo mundial at\u00e9 2021, para as duas d\u00e9cadas seguintes foi feita, com base na metodologia sugerida por Marchetti e Vargas, adaptada \u00e0 natureza do mercado energ\u00e9tico. A tend\u00eancia do consumo das fontes prim\u00e1rias, mesmo mantida a forte penetra\u00e7\u00e3o das renov\u00e1veis nos \u00faltimos vinte anos (at\u00e9 2021), n\u00e3o parece ser capaz de reduzir, em termos absolutos, o uso das energias f\u00f3sseis e o aumento do teor de CO<sub>2 <\/sub>na atmosfera.<\/p>\n<p>Petr\u00f3leo e G\u00e1s Natural seguir\u00e3o como energias dominantes nas pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas. Os dados hist\u00f3ricos mostram uma forte resili\u00eancia das energias f\u00f3sseis, inclusive do carv\u00e3o mineral que apresenta o maior coeficiente de emiss\u00e3o de CO<sub>2<\/sub> por unidade de energia usada. Um resultado surpreendente e preocupante \u00e9 que a tend\u00eancia observada ao longo das \u00faltimas cinco d\u00e9cadas mostra que o consumo mundial de carv\u00e3o mineral poder\u00e1, de novo, superar o do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 um problema menor. No \u00e2mbito dos f\u00f3sseis, havia um movimento de ascens\u00e3o do g\u00e1s natural e queda de carv\u00e3o e petr\u00f3leo. Este movimento favorecia a redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de CO<sub>2<\/sub> no \u00e2mbito dos f\u00f3sseis. A revers\u00e3o desta tend\u00eancia agrava o quadro das emiss\u00f5es causadoras do efeito estufa.<\/p>\n<p>O consumo mundial de energia dobrou, desde a confer\u00eancia Rio 92 que constatou, de forma definitiva, o problema do crescimento de CO<sub>2<\/sub> e outros gases que contribuem para a eleva\u00e7\u00e3o do efeito estufa na atmosfera terrestre e o consequente aquecimento esperado da atmosfera.<\/p>\n<p>\u00a0A boa not\u00edcia no que se refere a esse maior consumo de energia veio no sentido de que foi reduzido o desequil\u00edbrio de uso de energia por habitante entre os pa\u00edses e isso significou uma aproxima\u00e7\u00e3o nas condi\u00e7\u00f5es de vida entre pa\u00edses ricos e pobres.<\/p>\n<p>Na segunda metade da d\u00e9cada de 1970 e na primeira da de 1980, o mundo j\u00e1 passou por um grande esfor\u00e7o de redu\u00e7\u00e3o do consumo de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural que se seguiu \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do uso de carv\u00e3o mineral por raz\u00f5es de depend\u00eancia de m\u00e3o de obra que dificultava a regularidade do abastecimento. Um grande esfor\u00e7o econ\u00f4mico, tecnol\u00f3gico e industrial foi realizado para possibilitar essa mudan\u00e7a. A mudan\u00e7a da matriz energ\u00e9tica n\u00e3o foi dram\u00e1tica como a antecipada pelas expectativas \u00e0quela \u00e9poca.<\/p>\n<p>A imagina\u00e7\u00e3o humana aceita, sem muita cr\u00edtica, a possibilidade de grandes mudan\u00e7as \u00a0A li\u00e7\u00e3o que podemos extrair do passado \u00e9 que as mudan\u00e7as nuca s\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pidas como desejamos e a realidade n\u00e3o se adequa a nossas proje\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Vamos lembrar apenas um aspecto curioso: no final dos anos setenta, fazia furor nos congressos sobre energia, dirigidos ao terceiro mundo, o uso dos biodigestores de dejetos animais e at\u00e9 humanos. A d\u00favida no Brasil estava entre a ado\u00e7\u00e3o do modelo indiano ou do chin\u00eas e fazia sucesso a foto de um menino chin\u00eas levando os dejetos da fam\u00edlia para o digestor em uma esp\u00e9cie de peneira. Hoje, China e \u00cdndia parecem haver alcan\u00e7ado seu caminho de desenvolvimento e t\u00eam como energia dominante o carv\u00e3o mineral que muitos acreditavam estar caminhando para a extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O verdadeiro desafio mundial \u00e9 propiciar a melhoria da condi\u00e7\u00e3o de vida dos mais pobres (que implica aumento do uso de energia) sem romper o equil\u00edbrio clim\u00e1tico. Isto s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ado aumentando a propor\u00e7\u00e3o de n\u00e3o f\u00f3sseis na matriz energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 um bom exemplo de que isso \u00e9 poss\u00edvel, muito em fun\u00e7\u00e3o de seus recursos naturais e de medidas tomadas no final da d\u00e9cada de 1970 e in\u00edcio da de 1980 quando substituir petr\u00f3leo era uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Usando unidades mais amig\u00e1veis que o exajoule, o mundo emite 2,4 toneladas de CO<sub>2<\/sub> por tonelada equivalente de petr\u00f3leo (toe ou tep) de energia prim\u00e1ria utilizada; j\u00e1 o Brasil emite apenas 1,4 (t de CO2\/toe). Ou seja, o Brasil emite 58% de CO<sub>2<\/sub> do que o mundo emite por unidade de energia utilizada. Entre os grandes pa\u00edses s\u00f3 a Fran\u00e7a apresenta um \u00edndice melhor (1,3) devido \u00e0 grande participa\u00e7\u00e3o da energia nuclear em sua matriz.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise de casos de Brasil e Fran\u00e7a talvez esteja a chave para encontrar o caminho para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica que o mundo precisa.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>ANEXO 1<\/p>\n<p><strong>Hip\u00f3tese alternativa e, possivelmente, mais realista de evolu\u00e7\u00e3o do consumo mundial de fontes prim\u00e1rias<\/strong><\/p>\n<p>As energias renov\u00e1veis v\u00eam se difundido com maior facilidade nos pa\u00edses com maior capacidade de investimento e uma rede de transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o j\u00e1 estruturada. Deve-se supor que, a exemplo de todas as outras energias, exista um nicho espec\u00edfico para as energias renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>No que se segue, procuramos preencher essa lacuna adotando a hip\u00f3tese que esse nicho existe e esteja limitado a, 25% de participa\u00e7\u00e3o no total.<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a> Quanto ao carv\u00e3o, a hip\u00f3tese adotada \u00e9 de que as oscila\u00e7\u00f5es no consumo de carv\u00e3o s\u00e3o, na verdade, diferentes ciclos e que dever\u00edamos considerar que a participa\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o seguiria caindo conforme a tend\u00eancia dos anos mais recentes.<\/p>\n<p>Na Figura A1 mostramos o ajuste feito para os \u00faltimos 21 anos e a extrapola\u00e7\u00e3o indicada.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5328\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA1_108.png\" alt=\"\" width=\"1438\" height=\"1069\" data-wp-pid=\"5328\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA1_108.png 1211w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA1_108-300x223.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA1_108-1024x761.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA1_108-768x571.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA1_108-1200x892.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA1_108-600x446.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura A1: Proje\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o de renov\u00e1veis (F) no consumo mundial sendo F* = F\/Fmax e Fmax = 0,25<\/p>\n<p>A Figura A2 mostra os crit\u00e9rios adotadas para a extrapola\u00e7\u00e3o, por 20 anos, para esta proje\u00e7\u00e3o alternativa.\u00a0<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5332\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108.png\" alt=\"\" width=\"1438\" height=\"1147\" data-wp-pid=\"5332\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108.png 1128w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108-300x239.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108-1024x817.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108-768x613.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108-1200x957.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108-600x479.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura A2: Crit\u00e9rios alternativos de proje\u00e7\u00e3o do consumo de fontes prim\u00e1rias adotado nesse exemplo<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o do resultado das participa\u00e7\u00f5es das diferentes fontes prim\u00e1rias, j\u00e1 renormalizadas para que a soma das participa\u00e7\u00f5es seja igual a 100%, pode ser visto na Figura A3.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5332\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108.png\" alt=\"\" width=\"1438\" height=\"1147\" data-wp-pid=\"5332\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108.png 1128w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108-300x239.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108-1024x817.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108-768x613.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108-1200x957.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108-600x479.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura A3: Expans\u00e3o do uso das energias prim\u00e1rias no Mundo baseada em um crescimento linear do consumo e na evolu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o das energias prim\u00e1rias limitando a participa\u00e7\u00e3o de renov\u00e1veis a 25% e supondo a redu\u00e7\u00e3o do uso do carv\u00e3o mineral.<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as fundamentais entre o resultado das duas \u201crodadas\u201d s\u00e3o o consumo de petr\u00f3leo constante e queda no consumo de carv\u00e3o mineral. A expans\u00e3o do uso dos renov\u00e1veis \u00e9 menor assim como a do carv\u00e3o mineral e registra-se um pequeno acr\u00e9scimo do consumo da energia hidroel\u00e9trica e nuclear.<\/p>\n<p>A Figura A4 mostra as extrapola\u00e7\u00f5es do uso das energias prim\u00e1rias f\u00f3sseis e n\u00e3o-f\u00f3sseis no mundo e a do petr\u00f3leo e g\u00e1s natural P&amp;G, inclu\u00edda nas f\u00f3sseis.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5334\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA4_108.png\" alt=\"\" width=\"1438\" height=\"1208\" data-wp-pid=\"5334\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA4_108.png 1071w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA4_108-300x252.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA4_108-1024x860.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA4_108-768x645.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA4_108-1200x1008.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA4_108-600x504.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura A4: Proje\u00e7\u00e3o do consumo de energias agrupadas em f\u00f3sseis e n\u00e3o f\u00f3sseis, mostrando ainda a evolu\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5335\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA5_108.png\" alt=\"\" width=\"1438\" height=\"1091\" data-wp-pid=\"5335\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA5_108.png 1186w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA5_108-300x228.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA5_108-1024x777.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA5_108-768x583.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA5_108-1200x910.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA5_108-600x455.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura A5: Melhor aproxima\u00e7\u00e3o das proje\u00e7\u00f5es nesta hip\u00f3tese com as da EIA-US e a deste cen\u00e1rio.<\/p>\n<p><em>\u00a0&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/em><\/p>\n<h1><a name=\"_Toc135480339\"><\/a>Bibliografia:<\/h1>\n<p>EIA U.S. Energy Information Administration. (2020, Jan. 3). <em>Today in Energy EIA projects nearly 50% increase in world energy usage by 2050, led by growth in Asia.<\/em> Retrieved from EIA: https:\/\/www.eia.gov\/todayinenergy\/detail.php?id=42342<\/p>\n<p>Feu Alvim, C., Campos Ferreira, O., Eidelman, F., &amp; Goldemberg, J. (2000, jan). Energia Final e Equivalente &#8211; Procedimento Simplificado de Convers\u00e3o. <em>Economia e Energia E&amp;E, 18<\/em>. Retrieved from http:\/\/ecen.com\/eee18\/enerequi.htm#energiaeq<\/p>\n<p>Handwerk, B. (2021, February). An Evolutionary Timeline of Homo Sapiens. <em>Science | Smithonson Magasine<\/em>. Retrieved from https:\/\/www.smithsonianmag.com\/science-nature\/essential-timeline-understanding-evolution-homo-sapiens-180976807\/#:~:text=300%2C000%20Years%20Ago%3A%20Fossils%20Found%20of%20Oldest%20Homo%20sapiens&amp;text=While%20human%20remains%20can%20survive,different%20s<\/p>\n<p>Kondratiev, N. D. (1935). The Long waves in Economic Life. <em>The Review of Economic Statistics, 17<\/em>, pp. 105-115.<\/p>\n<p>Marchetti, C. (1979, dec). <em>Cesare Marchetti.<\/em> Retrieved from The Dynamics of Energy Systems and the Logistic Substitution Model: http:\/\/www.cesaremarchetti.org\/archive\/scan\/MARCHETTI-028_pt.1.pdf<\/p>\n<p>Marchetti, C. (1985, Dec). <em>Cesare Marchetti.<\/em> Retrieved from cesaremarchetti.org: http:\/\/www.cesaremarchetti.org\/archive\/scan\/MARCHETTI-036.pdf<\/p>\n<p>Minist\u00e9rio de Minas e Energia. (2022). <em>Balan\u00e7o Energ\u00e9tico Nacional 2022 &#8211; Ano Base 2021.<\/em> Empresa de Pesquisas Energ\u00e9ticas. Bras\u00edlia: EPE. Retrieved 2022, from https:\/\/www.epe.gov.br\/sites-pt\/publicacoes-dados-abertos\/publicacoes\/PublicacoesArquivos\/publicacao-675\/topico-638\/BEN2022.pdf<\/p>\n<p>NEI. (n.d.). <em>Nuclear Fuel<\/em>. Retrieved March 2023, from Nuclear Energy Institute: https:\/\/www.nei.org\/fundamentals\/nuclear-fuel<\/p>\n<p>Samuel, M. (2013, fev 28\/02). The Earliest Sailboats in Egypt and Their Influence on the Development of Trade, Seafaring in the Red Sea, and State Development. <em>Journal of Ancient Egyptian Interconnections, 5<\/em>, pp. 28-37. doi:10.2458\/azu_jaei_v05i1_mark<\/p>\n<p><em>Statistical Review of World Energy 2020.<\/em> (2020). Retrieved from British Petroleum: https:\/\/www.bp.com\/content\/dam\/bp\/business-sites\/en\/global\/corporate\/xlsx\/energy-economics\/statistical-review\/bp-stats-review-2020-all-data.xlsx<\/p>\n<p>Vargas, J. I. (2004, Setembro). A Prospectiva Tecnol\u00f3gica: Previs\u00e3o com um Simples Modelo Matem\u00e1tico. <em>Economia e Energia &#8211; E&amp;E, 45<\/em>, pp. 02-37. Retrieved 2021, from http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/eee45p_folheto_portugues_220904ccapa.pdf<\/p>\n<p>Vargas, J. I. (2007). <em>Ci\u00eancia em tempo de crise 1974-2007.<\/em> Belo Horizonte: Editora UFMG.<\/p>\n<p>WNA &#8211; World Nuclear Association. (2021, May). <em>Nuclear Reactors and Radioisotopes for Space.<\/em> Retrieved from WNA: https:\/\/world-nuclear.org\/information-library\/non-power-nuclear-applications\/transport\/nuclear-reactors-for-space.aspx<\/p>\n<p>________________________________<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> https:\/\/www.smithsonianmag.com\/science-nature\/essential-timeline-understanding-evolution-homo-sapiens-180976807\/#:~:text=300%2C000%20Years%20Ago%3A%20Fossils%20Found%20of%20Oldest%20Homo%20sapiens&amp;text=While%20human%20remains%20can%20survive,different%20species%20of%20human%20relatives.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Os dados sobre a lenha n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis na compila\u00e7\u00e3o da BP que considera apenas as energias ditas comerciais. J\u00e1 os dados da energia h\u00eddrica n\u00e3o constam das s\u00e9ries dos trabalhos de Marchetti<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Os dados usados s\u00e3o [k+Log(f\/(1-f)] onde f \u00e9 a fra\u00e7\u00e3o do consumo atendida pela fonte prim\u00e1ria e k uma constante de normaliza\u00e7\u00e3o para fazer coincidir o per\u00edodo 1965 e 1984 para o qual se disp\u00f5e do gr\u00e1fico original e os dados da BP. For\u00e7ando a sobreposi\u00e7\u00e3o dos anos 1982 a 1984, foi poss\u00edvel obter uma boa coincid\u00eancia entre as duas s\u00e9ries em todo o intervalo 1965 a 1884.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Isto \u00e9 particularmente v\u00e1lido no caso da energia hidr\u00e1ulica, no caso da energia solar pode ocorrer o inverso caso tomemos, como energia prim\u00e1ria, a energia solar incidente no coletor.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Desenvolvemos, em estudos publicados nessa Revista, a no\u00e7\u00e3o de energia equivalente que foi aplicada em proje\u00e7\u00f5es oficiais no Brasil. <a href=\"http:\/\/www.ecen.com\/eee18\/enerequi.htm\">http:\/\/www.ecen.com\/eee18\/enerequi.htm<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Mesmo o g\u00e1s liquefeito de petr\u00f3leo \u2013 GLP, que \u00e9 gasoso a temperatura ambiente, tem seu transporte facilitado por poder ser liquefeito \u00e0 temperatura ambiente.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> O Brasil teria em 2017 1,8 milh\u00f5es de ve\u00edculos de um total mundial de 24 milh\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/gazeo.com\/up-to-date\/news\/2018\/How-many-NGVs-are-there-and-where,news,10074.html\">https:\/\/gazeo.com\/up-to-date\/news\/2018\/How-many-NGVs-are-there-and-where,news,10074.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Esses motores, como os que funcionam nos ve\u00edculos automotores comuns, t\u00eam sua efici\u00eancia limitada pela Termodin\u00e2mica, e isso d\u00e1 origem ao fator pr\u00f3ximo a tr\u00eas que favorece as energias renov\u00e1veis.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> https:\/\/www.cemig.com.br\/usina-do-conhecimento\/veja-como-funciona-e-quais-aplicacoes-da-celula-a-combustivel-de-hidrogenio\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> <a href=\"https:\/\/gasenergy.com.br\/os-desafios-da-armazenagem-e-transporte-de-hidrogenio-em-larga-escala\/\">https:\/\/gasenergy.com.br\/os-desafios-da-armazenagem-e-transporte-de-hidrogenio-em-larga-escala\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Em Abril de 2022 a EIA informava que o uso do eletricidade no transporte correspondia a 1% da energia usada em transporte nos EUA sendo a maior parte usada no transporte coletivo (trens, metr\u00f4s, etc.), a contribui\u00e7\u00e3o do biocombust\u00edvel, em compara\u00e7\u00e3o correspondia a 5%. <br \/>\u201cIn 2021, petroleum products accounted for about 90% of the total U.S. transportation sector energy use. Biofuels contributed about 6%. Natural gas accounted for about 4%, most of which was used in natural gas pipeline compressors. Electricity use by mass transit systems provided less than 1% of total transportation sector energy use\u201d. <a href=\"https:\/\/www.eia.gov\/energyexplained\/use-of-energy\/transportation.php\">https:\/\/www.eia.gov\/energyexplained\/use-of-energy\/transportation.php<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.nei.org\/fundamentals\/nuclear-fuel\">https:\/\/www.nei.org\/fundamentals\/nuclear-fuel<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> <a href=\"https:\/\/world-nuclear.org\/information-library\/non-power-nuclear-applications\/transport\/nuclear-reactors-for-space.aspx\">https:\/\/world-nuclear.org\/information-library\/non-power-nuclear-applications\/transport\/nuclear-reactors-for-space.aspx<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> O uso do calor direto do calor gerado pela energia nuclear \u00e9 poss\u00edvel, mas ainda relativamente raro. As possibilidades e limita\u00e7\u00f5es desse uso, inclusive para gera\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio est\u00e3o resumidas em https:\/\/www.iaea.org\/publications\/8692\/advances-in-nuclear-power-process-heat-applications<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Esta hip\u00f3tese nunca foi verificada na pr\u00e1tica; EUA, antiga URSS, Inglaterra, Fran\u00e7a, China, Israel, \u00cdndia, Paquist\u00e3o e Coreia do Norte desenvolveram diretamente sua capacidade militar, antes de se engajar na gera\u00e7\u00e3o de energia para fins energ\u00e9ticos.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> https:\/\/www.bbc.com\/news\/science-environment-63950962<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Uma an\u00e1lise no consumo por pa\u00eds mostra que a China e a \u00cdndia s\u00e3o os respons\u00e1veis por esse comportamento dos BRICS.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> R2 \u00e9 o desvio quadr\u00e1tico m\u00e9dio.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Embora da organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m fa\u00e7am parte pa\u00edses menos ricos como Chile e M\u00e9xico.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Sup\u00f5e-se que Fmax=0,25 e, ao inv\u00e9s de realizar o ajuste com F, vamos faz\u00ea-lo com F* = F\/Fmax onde F \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o dos renov\u00e1veis no consumo mundial; o ajuste foi feito pelo ajuste de reta em uma escala log((F*\/(1-F*)).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d211921 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"d211921\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n\t\t\t\t<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-dc93a2e elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"dc93a2e\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-row\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-d9da5ac\" data-id=\"d9da5ac\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-column-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-f8a6ec6 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"f8a6ec6\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n\t\t\t\t<p><strong>Editorial:<\/strong><\/p>\n<h2>Ciclo do Petr\u00f3leo no Brasil?<\/h2>\n<p>A descoberta do Pr\u00e9-Sal despertou a esperan\u00e7a de que estar\u00edamos iniciando, nesta terceira d\u00e9cada do s\u00e9culo 21, um novo ciclo de riqueza no Brasil, alavancado pelo petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Nosso sonho era que o ciclo de petr\u00f3leo n\u00e3o seria como os demais ciclos econ\u00f4micos de nossa Hist\u00f3ria. Neles, na fase de ascens\u00e3o, os excedentes gerados enriqueciam uns poucos e, na decad\u00eancia, fic\u00e1vamos expostos a um problema duplo: a queda nos excedentes e os problemas sociais da m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de renda gerada no ciclo. Al\u00e9m disso, em quase todos os ciclos a maior parte da riqueza foi acumulada no exterior.<\/p>\n<p>Um bom exemplo hist\u00f3rico \u00e9 o do ciclo do ouro que durou todo o s\u00e9culo dezoito. O uruguaio Eduardo Galeano sintetizou bem esse ciclo na frase: \u201cO ouro brasileiro deixou buracos no Brasil, templos em Portugal e f\u00e1bricas na Inglaterra.\u201d<\/p>\n<p>O n\u00ba 108 da Revista E&amp;E pretende reabrir o debate sobre as perspectivas para o Ciclo de Petr\u00f3leo no qual supostamente estamos ingressando. O modelo, concebido para a explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo do Pr\u00e9-Sal, foi exposto nesta revista em v\u00e1rios artigos.<\/p>\n<p>Uma compila\u00e7\u00e3o do que publicamos est\u00e1 reunida no livro \u201cO Pr\u00e9-Sal e o desenvolvimento do Brasil: Rompendo as Amarras\u201d dispon\u00edvel no site Brasil 2049. Este modelo influenciou o arcabou\u00e7o legal constru\u00eddo para o Setor que, nesses anos de obscurantismo, vem sendo criminosamente desmontado.<\/p>\n<p>Com o petr\u00f3leo do Pr\u00e9-Sal podia e ainda pode ser diferente. Esse petr\u00f3leo de \u00e1guas e solos profundos n\u00e3o \u00e9 uma <em>commoditie<\/em> qualquer. Exige a montante e a jusante uma sofisticada tecnologia na qual a Petrobr\u00e1s \u00e9 internacionalmente reconhecida como pioneira. Na linguagem da ind\u00fastria do petr\u00f3leo, a Petrobras dominou as fases <em>upstream, midstream e downstream <\/em>ou seja, todas as fases da cadeia do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Isso quer dizer que a empresa petrol\u00edfera brasileira domina o cerne da tecnologia. Com isso, \u00e9 capaz de especificar suas necessidades a fornecedores aqui e no exterior e, quando necess\u00e1rio, de formar uma rede industrial local de fornecedores e s\u00f3cios privados para atender suas necessidades. Para isso, conta tamb\u00e9m com excelente Centro de Pesquisa associado a redes tecnol\u00f3gicas universit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Como exemplo dessa capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o, est\u00e1 a ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o Naval que teve uma fase de ouro com as encomendas realizadas a partir da exig\u00eancia de conte\u00fado local e est\u00e1 hoje quase inteiramente ociosa.<\/p>\n<p>Na explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal est\u00e1vamos diante de dois modelos: o da Noruega e o da Holanda. No primeiro pa\u00eds, a explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo serviu de base para instalar uma ind\u00fastria petrol\u00edfera pujante, sob a lideran\u00e7a da estatal Statoiol (hoje Equinor). Na expans\u00e3o da extra\u00e7\u00e3o a prefer\u00eancia foi dada para empresa nacional. A Equinor hoje exerce atividade mundial, inclusive no Brasil. No segundo, o afluxo de divisas tornou n\u00e3o competitiva a produ\u00e7\u00e3o local e provocou uma crise social. Terminada a entrada de recursos oriundos do petr\u00f3leo, a Holanda se viu mais pobre que antes. Imagin\u00e1vamos que o Brasil seria a Noruega dos tr\u00f3picos. Enquanto isso, do outro lado do Atl\u00e2ntico, a Nig\u00e9ria e outros pa\u00edses, beneficiados com excelentes reservas, tomavam o caminho contr\u00e1rio, radicalizando a \u201cdoen\u00e7a holandesa\u201d.<\/p>\n<p>De 2015 para c\u00e1, demos passos catastr\u00f3ficos para anular esse sonho que parece estar acabando justamente quando o petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal j\u00e1 \u00e9 uma realidade e domina a produ\u00e7\u00e3o nacional. Esse petr\u00f3leo, que ainda pode ser nosso, \u00e9 um definitivo caminho para romper as amarras para o desenvolvimento.<\/p>\n<p>O Petr\u00f3leo e a Eletricidade foram energias, em torno das quais se uniram todas as for\u00e7as da brasilidade, civil e militar e os capitais p\u00fablicos e privados.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s das empresas mistas Petrobras e Eletrobras, o Brasil alcan\u00e7ou o dom\u00ednio de toda a cadeia produtiva do Petr\u00f3leo e G\u00e1s e estabeleceu a maior rede mundial integrada de energia el\u00e9trica. Na verdade, Petrobras e Eletrobras foram pontes que atravessaram, em trajet\u00f3ria surpreendente e quase inexplic\u00e1vel, a rota que come\u00e7ou com Vargas, se consolidou no Regime Militar, chegando at\u00e9 tempos mais democr\u00e1ticos, consagrada na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988.<\/p>\n<p>Nestes tempos dif\u00edceis, a brasilidade ainda resiste \u00e0 obscuridade e aos que querem entregar por uma ninharia o controle do patrim\u00f4nio constru\u00eddo com nosso capital a n\u00e3o residentes e at\u00e9 estatais de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>L\u00e1 se v\u00e3o, ardilosamente, peda\u00e7os da Petrobras. J\u00e1 a Eletrobras, est\u00e1 por pouco de ser varrida da hist\u00f3ria nacional. Em ambos os casos, deixando lugar a monop\u00f3lios ou oligop\u00f3lios que tendem a ficar sob controle de n\u00e3o residentes.<\/p>\n<p>S\u00f3 em torno da brasilidade podemos reunir de novo os brasileiros que, nascidos aqui ou n\u00e3o, escolheram construir aqui sua vida, fam\u00edlia e resid\u00eancia.<\/p>\n<p><em>Carlos Feu Alvim<\/em><\/p>\n<p>Livro dispon\u00edvel na internet:\u00a0<br \/><a href=\"https:\/\/brasil2049.com\/o-pre-sal-e-o-desenvolvimento-do-brasil\/\"><strong>O Pr\u00e9-Sal e o desenvolvimento do Brasil: <br \/>Rompendo as Amarras<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Fantine e Carlos Feu Alvim<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/brasil2049.com\/o-pre-sal-e-o-desenvolvimento-do-brasil\/\">https:\/\/brasil2049.com\/o-pre-sal-e-o-desenvolvimento-do-brasil\/<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-4953 size-full\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/presal.png\" alt=\"\" width=\"1254\" height=\"860\" data-wp-pid=\"4953\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/presal.png 1254w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/presal-300x206.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/presal-1024x702.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/presal-768x527.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/presal-1200x823.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/presal-600x411.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Sum\u00e1rio deste N\u00famero<\/p>\n<p><a href=\"#_Toc135480333\"><strong>Os ciclos dos energ\u00e9ticos e\u00a0 a resili\u00eancia dos f\u00f3sseis<\/strong>. <\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc135480334\"><strong>As transi\u00e7\u00f5es entre as energias prim\u00e1rias<\/strong>. <\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc135480335\"><strong>Ajuste preliminar para chegar a proje\u00e7\u00f5es<\/strong>. <\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc135480336\"><strong>Evolu\u00e7\u00e3o da matriz energ\u00e9tica mundial expressa em exajoules<\/strong>.<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc135480337\"><strong>A m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o da energia entre pa\u00edses e pessoas<\/strong>. <\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc135480338\"><strong>Conclus\u00f5es Preliminares<\/strong>.<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_Toc135480339\">Bibliografia<\/a><\/p>\n<p><a name=\"_Toc75356364\"><\/a><a name=\"_Toc68733050\"><\/a><strong>Nota da revis\u00e3o deste n\u00famero da E&amp;E em Abril de 2023<\/strong>:<\/p>\n<p>Esta apresenta\u00e7\u00e3o teve como ponto de partida palestra sobre o ciclo do petr\u00f3leo apresentada no \u201cWebin\u00e1rio\u201d do Cembra \u2013 Centro de Excel\u00eancia para o Mar Brasileiro em 18 de mar\u00e7o de 2021 como prepara\u00e7\u00e3o para a 3\u00aa Edi\u00e7\u00e3o do livro Brasil e o Mar no S\u00e9culo XXI. Nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentar uma vers\u00e3o completa e ampliada de toda a palestra. Outros pontos dever\u00e3o ser aprofundados em pr\u00f3ximos artigos.<\/p>\n<p>V\u00eddeo Cembra Energia nos oceanos: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ce43-jG7FbU&amp;t=10997s<\/p>\n<p><strong>Artigo:<\/strong><\/p>\n<p>Os ciclos de energia no mundo<\/p>\n<p><em>Carlos Feu Alvim, Olga Mafra e Jos\u00e9 Israel Vargas<\/em><\/p>\n<p><a name=\"_Toc68733054\"><\/a>Resumo:<\/p>\n<p>Praticamente em toda a exist\u00eancia humana (<em>homo sapiens<\/em>), estimada em 300 mil anos<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0(Handwerk, 2021), a fonte energ\u00e9tica quase exclusiva foi a diretamente dispon\u00edvel na natureza, a energia solar; seja na forma direta (luz e calor) seja na acumulada pela biomassa (alimentos e lenha).<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o das fontes h\u00eddrica e e\u00f3lica, fundamentalmente energia solar acumulada na natureza, remonta ao in\u00edcio da civiliza\u00e7\u00e3o, ou seja, h\u00e1 cerca cinco a dez mil\u00eanios\u00a0(Samuel, 2013).<\/p>\n<p>Somente a partir da segunda metade do s\u00e9culo XVII, h\u00e1 cerca de 250 anos, foram introduzidas, com maior intensidade, as chamadas fontes f\u00f3sseis: carv\u00e3o mineral, petr\u00f3leo e g\u00e1s natural, que propiciaram a eclos\u00e3o da era industrial. Vale lembrar que as fontes f\u00f3sseis s\u00e3o, a rigor, essencialmente energia solar, acumulada h\u00e1 mil\u00eanios no solo terrestre.<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de 70 anos, a energia nuclear come\u00e7ou a ser utilizada na gera\u00e7\u00e3o de eletricidade. Esta \u00faltima \u00e9 a \u00fanica fonte, com participa\u00e7\u00e3o significativa, que n\u00e3o prov\u00eam diretamente da energia solar que incide sobre o Planeta Terra.<\/p>\n<p>As fontes de energia v\u00eam se sucedendo em ciclos, cujo comportamento mundial e regional, \u00e9 necess\u00e1rio conhecer para orientar o planejamento energ\u00e9tico dos pa\u00edses, principalmente para aqueles ditos em desenvolvimento como o Brasil.<\/p>\n<p>A ideia de ciclos relacionados a atividades socioecon\u00f4micas \u00e9 atrativa na medida que permite uma vis\u00e3o macro de fen\u00f4menos muito complexos que envolvem a sociedade humana. S\u00e3o famosos os ciclos de Kondratiev no trabalho pioneiro <em>The Long Waves in Economic Live<\/em> (Kondratiev, 1935) que pretendem descrever os ciclos econ\u00f4micos. Cesare Marchetti\u00a0(Marchetti C. , 1979) estendeu a an\u00e1lise de ciclos a diversos fen\u00f4menos socioecon\u00f4micos a maioria relacionados ao hemisf\u00e9rio ocidental e Jos\u00e9 Israel Vargas (Vargas, A Prospectiva Tecnol\u00f3gica: Previs\u00e3o com um Simples Modelo Matem\u00e1tico, 2004) aplicou estas ideias a v\u00e1rios casos, muitos deles envolvendo fen\u00f4menos brasileiros.<\/p>\n<p>Neste artigo, comparamos as proje\u00e7\u00f5es feitas para as participa\u00e7\u00f5es das diferentes energias no consumo mundial, baseados em dados at\u00e9 1985 e extrapolados at\u00e9 2050. As proje\u00e7\u00f5es da \u00e9poca s\u00e3o comparadas com o efetivamente ocorrido no per\u00edodo 1965 a 2021.<\/p>\n<p>Como resultado, conclui-se que o processo de substitui\u00e7\u00e3o entre energ\u00e9ticos persiste, mas a dura\u00e7\u00e3o dos ciclos dos combust\u00edveis f\u00f3sseis parece superar, em muito, \u00e0s proje\u00e7\u00f5es que se faziam logo ap\u00f3s \u00e0 crise mundial de pre\u00e7os de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Para os que levam a s\u00e9rio alega\u00e7\u00e3o que a queda da demanda de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural justificaria apressar a produ\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal, mostramos que o argumento n\u00e3o se sustenta frente ao comportamento da demanda mundial onde o petr\u00f3leo e g\u00e1s natural seguir\u00e3o predominantes por v\u00e1rias d\u00e9cadas. \u00c9 o que mostra a in\u00e9rcia do comportamento do consumo das fontes energ\u00e9ticas ao longo de mais de meio s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Esse comportamento tamb\u00e9m nos leva a encarar, com algum ceticismo, os resultados dos esfor\u00e7os mundiais acumulados na conten\u00e7\u00e3o do efeito estufa quando se constata o pouco que foi feito neste sentido, ao longo dos quase 30 anos, desde a Confer\u00eancia Rio 92.<\/p>\n<p>Palavras-Chave:<\/p>\n<p>Energia prim\u00e1ria, energia, ciclos energ\u00e9ticos, carv\u00e3o, petr\u00f3leo, g\u00e1s natural, energias renov\u00e1veis, hidroeletricidade, energia nuclear. combust\u00edveis f\u00f3sseis, combust\u00edveis n\u00e3o-f\u00f3sseis<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5298 size-full\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/kondratievilustr1.png\" alt=\"Cirvas de Kondratiev produ\u00e7\u00e3o e consumo de carv\u00e3o e gusa na Fran\u00e7a e Inglaterra \" width=\"476\" height=\"626\" data-wp-pid=\"5298\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/kondratievilustr1.png 476w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/kondratievilustr1-228x300.png 228w\" sizes=\"(max-width: 476px) 100vw, 476px\" \/><\/p>\n<p><em>Ilustra\u00e7\u00e3o 1. Ciclos de carv\u00e3o e de gusa no trabalho pioneiro de Kondratiev <\/em>(Kondratiev, 1935)<em> sobre as Ondas de Longa Dura\u00e7\u00e3o na Economia<\/em><em><br \/><\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<pre>O Petr\u00f3leo e g\u00e1s natural seguem predominantes<\/pre>\n<h3><a name=\"_Toc135480333\"><\/a><strong>Os ciclos dos energ\u00e9ticos e <br \/>a resili\u00eancia dos f\u00f3sseis<\/strong><\/h3>\n<p>As fontes prim\u00e1rias de energia concorrem entre si tanto no n\u00edvel nacional como no global. Nessa competi\u00e7\u00e3o, influem as caracter\u00edsticas das fontes, sua disponibilidade em cada pa\u00eds e seu custo. Ultimamente, as quest\u00f5es sobre o impacto ambiental t\u00eam alcan\u00e7ado maior relev\u00e2ncia, por outro lado, o risco de desabastecimento voltou a ser considerado explicitamente pelos pa\u00edses na elei\u00e7\u00e3o dos energ\u00e9ticos.<\/p>\n<p>O petr\u00f3leo, como energia finita, esgotar\u00e1 seu ciclo. As estat\u00edsticas indicam que ele <strong>passou pelo m\u00e1ximo de participa\u00e7\u00e3o no consumo mundial<\/strong> quando atingiu 50% do mercado em 1973. Neste mesmo ano, a participa\u00e7\u00e3o do conjunto Petr\u00f3leo e G\u00e1s &#8211; P&amp;G atingiu 67%. Ou seja, o petr\u00f3leo atendia a metade das necessidades de consumo global e o conjunto P&amp;G atendia dois ter\u00e7os dessa demanda.<\/p>\n<p>Em 1973, eclodiu a Guerra do Yom Kipur, envolvendo primariamente \u00e1rabes e israelenses. A interven\u00e7\u00e3o do Ocidente em favor de Israel provocou restri\u00e7\u00f5es de exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e o choque de pre\u00e7os que quadriplicou o valor de seu barril. A exist\u00eancia da OPEP &#8211; Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo &#8211; OPEP, fundada em 1960, permitiu, pela primeira vez, uma a\u00e7\u00e3o comum de um cartel de pa\u00edses que conseguiu impor pre\u00e7os de uma <em>commodity<\/em> na escala mundial. O mundo se convenceu que a depend\u00eancia de um \u00fanico tipo de produto, concentrado em uma regi\u00e3o conflituosa era um risco e, sob a lideran\u00e7a dos pa\u00edses ricos da OCDE, foi estabelecida uma pol\u00edtica de diversificar geograficamente as reservas e de reduzir a depend\u00eancia mundial de P&amp;G.<\/p>\n<p>A Figura 1 mostra as previs\u00f5es de Marchetti (Marchetti C. , 1979) para a substitui\u00e7\u00e3o entre as fontes prim\u00e1rias de energia, <strong>baseada nos dados at\u00e9 1948<\/strong>\u00a0(Marchetti C. , 1985). A participa\u00e7\u00e3o F dos combust\u00edveis no consumo mundial \u00e9 representado em uma escala, dita log\u00edstica, log(F\/(1-F)).<\/p>\n<p>Podemos ver, claramente, os ciclos energ\u00e9ticos acoplando os valores hist\u00f3ricos de consumo e a suposta continuidade para os anos seguintes. Essas proje\u00e7\u00f5es com dados at\u00e9 1948 s\u00e3o comparadas com o consumo efetivo por fonte prim\u00e1ria de 1958 a 1980. Petr\u00f3leo e g\u00e1s natural (GN) seguiam trajet\u00f3rias paralelas que refletem o fato de que o GN esteve, em uma primeira fase, associado \u00e0 extra\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>O g\u00e1s natural, associado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, era inicialmente queimado no local de extra\u00e7\u00e3o. Aos poucos, foi criada uma estrutura de transporte e distribui\u00e7\u00e3o que gerou um mercado pr\u00f3prio para o g\u00e1s natural. Adicionalmente, algumas instala\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas ao local de extra\u00e7\u00e3o tornaram poss\u00edvel seu maior aproveitamento j\u00e1 na origem.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5299\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/figura1_108.png\" alt=\"Participa\u00e7\u00e3o das Energias Prim\u00e1rias no Consumo Mundial; Proje\u00e7\u00e3o Marchetti 1948\" width=\"1438\" height=\"1045\" data-wp-pid=\"5299\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/figura1_108.png 1238w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/figura1_108-300x218.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/figura1_108-1024x744.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/figura1_108-768x558.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/figura1_108-1200x872.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/figura1_108-600x436.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/strong><\/p>\n<p>Figura 1: Proje\u00e7\u00f5es de Marchetti (com dados at\u00e9 1948) e compara\u00e7\u00e3o com dados de consumo at\u00e9 1984<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de um mercado espec\u00edfico para o g\u00e1s natural, inicialmente associado, possibilitou a explora\u00e7\u00e3o do GN n\u00e3o associado e isso vem ampliando sua participa\u00e7\u00e3o na matriz energ\u00e9tica mundial. Esse g\u00e1s (n\u00e3o associado) \u00e9 extra\u00eddo em po\u00e7os em que ele \u00e9 principal produto, com isto passou a ter um crescimento independente do petr\u00f3leo e tenderia a super\u00e1-lo em participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Marchetti considerou que teria havido uma coincid\u00eancia satisfat\u00f3ria entre as proje\u00e7\u00f5es e o consumo efetivo no per\u00edodo por ele estudado. Com efeito, o comportamento das participa\u00e7\u00f5es de lenha, carv\u00e3o, petr\u00f3leo e g\u00e1s natural foi previsto corretamente. Particularmente estava certa a previs\u00e3o que a participa\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo passaria por um m\u00e1ximo nos anos setenta. A energia nuclear penetrava em ritmo superior ao previsto, mas isso pode ser considerado normal nessa fase inicial do ciclo.<\/p>\n<p>Ou seja, na maior parte dos casos, as tend\u00eancias apontadas se confirmaram como mostra o gr\u00e1fico. A concord\u00e2ncia torna-se mais not\u00e1vel, quando se considera que o per\u00edodo de previs\u00e3o (1948 a 1984) foi de mudan\u00e7as relevantes na composi\u00e7\u00e3o do mercado de combust\u00edveis.<\/p>\n<p>No entanto, olhando-se mais de perto os dados, pode-se ver que, a partir de 1970, a participa\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o n\u00e3o estava caindo nem a do g\u00e1s natural crescendo como esperado. Isto foi interpretado como uma oscila\u00e7\u00e3o, similar as j\u00e1 observadas no passado. Os anos seguintes mostrariam, entretanto, que a discrep\u00e2ncia nos anos 1970 n\u00e3o era uma oscila\u00e7\u00e3o, mas uma nova tend\u00eancia para os anos posteriores.<\/p>\n<p>Os dados da Figura 1 s\u00e3o mostrados na escala log\u00edstica que lineariza a curva nos trechos de ascens\u00e3o e descenso da participa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, nessa hip\u00f3tese da proje\u00e7\u00e3o de Marchetti, as curvas relativas a todas as fontes teriam formas similares, com \u201cinclina\u00e7\u00e3o\u201d de subida e descida semelhantes.<\/p>\n<p>A Figura 2 estende a compara\u00e7\u00e3o at\u00e9 2019, os dados acrescentados s\u00e3o os da compila\u00e7\u00e3o efetuada, anualmente, pela British Petroleum \u2013 BP\u00a0(Statistical Review of World Energy 2020, 2020).<\/p>\n<p>Os crit\u00e9rios de equival\u00eancia entre as energias, adotados por Marchetti e pela BP<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a><sup>,<\/sup> s\u00e3o diferentes. Para acoplar as curvas na transi\u00e7\u00e3o entre as duas s\u00e9ries, representadas na Figura 2, os dados de anos comuns nas duas s\u00e9ries (1965 a 1984) foram \u201crenormalizados\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> pela m\u00e9dia desses anos de maneira que houvesse continuidade nas curvas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5300\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura2_.png\" alt=\"\" width=\"1427\" height=\"1001\" data-wp-pid=\"5300\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura2_.png 1283w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura2_-300x210.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura2_-1024x718.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura2_-768x539.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura2_-1200x842.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura2_-600x421.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura 2: As mudan\u00e7as de participa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, GN e carv\u00e3o n\u00e3o seguem as proje\u00e7\u00f5es, permanecendo relativamente est\u00e1veis.<\/p>\n<p>A Figura 2 serve para ilustrar a discuss\u00e3o qualitativa sobre as diversas transi\u00e7\u00f5es entre energias prim\u00e1rias experimentadas no per\u00edodo. A renormaliza\u00e7\u00e3o efetuada, para \u201ccasar\u201d os dados das duas s\u00e9ries n\u00e3o permite conclus\u00f5es quantitativas.<\/p>\n<p><strong>Crit\u00e9rios de equival\u00eancia entre as energias prim\u00e1rias<\/strong><\/p>\n<p>Chamamos a aten\u00e7\u00e3o para o crit\u00e9rio adotado pela base de dados da BP para representar as energias renov\u00e1veis, inclusive a h\u00eddrica. Elas s\u00e3o valorizadas em fun\u00e7\u00e3o da energia t\u00e9rmica necess\u00e1ria para gerar eletricidade. Este procedimento atribui valor superior \u00e0s energias renov\u00e1veis frente \u00e0s energias convencionais e permite comparar melhor as fontes que simplesmente se us\u00e1ssemos o valor cal\u00f3rico da energia usada<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a><sup>.<\/sup> A escala do gr\u00e1fico \u00e9 a adequada para estudar essas transi\u00e7\u00f5es dentro do modelo adotado por Marchetti no qual se espera que os trechos, longe do ponto de m\u00e1ximo, sejam representados por retas.<\/p>\n<p>Adotar algum tipo de equival\u00eancia entre as diversas fontes \u00e9 uma necessidade quando se quer comparar sua participa\u00e7\u00e3o na matriz energ\u00e9tica<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>\u00a0(Feu Alvim, Campos Ferreira, Eidelman, &amp; Goldemberg, 2000). Dentro dessas equival\u00eancias, pode-se mostrar a evolu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o das energias no consumo mundial. A energia hidr\u00e1ulica, por sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica, \u00e9 representada em separado das energias denominadas renov\u00e1veis que surgiram ou, mais propriamente, reviveram a partir das preocupa\u00e7\u00f5es com o aquecimento global. No gr\u00e1fico de Marchetti, est\u00e1 inclu\u00edda a lenha, tamb\u00e9m renov\u00e1vel, n\u00e3o considerada nas estat\u00edsticas da BP que se ocupa apenas das energias comerciais.<\/p>\n<p>As participa\u00e7\u00f5es das energias prim\u00e1rias no consumo mundial, para dados posteriores a 1965, n\u00e3o seguiram as proje\u00e7\u00f5es de Marchetti. De modo geral, as participa\u00e7\u00f5es variaram menos que o previsto. Como j\u00e1 anunciavam os anos 1970, o carv\u00e3o e o petr\u00f3leo n\u00e3o ca\u00edram como se esperava nem o g\u00e1s natural subiu tanto. Para considera\u00e7\u00f5es de natureza quantitativa usaremos os dados da BP cuja evolu\u00e7\u00e3o, em escala linear, \u00e9 mostrada na Figura 3.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5304\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura3_.png\" alt=\"A Figura mostra curvas das energias prim\u00e1rias de 1965 a 2021\" width=\"648\" height=\"422\" data-wp-pid=\"5304\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura3_.png 648w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura3_-300x195.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura3_-600x391.png 600w\" sizes=\"(max-width: 648px) 100vw, 648px\" \/><\/p>\n<p>Figura 3: Evolu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o das energias prim\u00e1rias no consumo mundial<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc135480334\"><\/a><strong>As transi\u00e7\u00f5es entre as energias prim\u00e1rias<\/strong><\/h3>\n<p>Antes da an\u00e1lise quantitativa, vamos fazer uma passada qualitativa comparando os valores projetados e o efetivamente ocorrido, como mostrado na Figura 2. As duas primeiras transi\u00e7\u00f5es, lenha\/carv\u00e3o e carv\u00e3o\/petr\u00f3leo, se deram no sentido da substitui\u00e7\u00e3o de um combust\u00edvel por outro de maior densidade energ\u00e9tica e facilidade de transporte. Com as transi\u00e7\u00f5es posteriores, nem sempre ocorreu ou ocorre o mesmo.<\/p>\n<p><strong>Transi\u00e7\u00e3o lenha\/carv\u00e3o mineral<\/strong><\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o lenha\/carv\u00e3o mineral se deu entre dois combust\u00edveis s\u00f3lidos, sendo a substitui\u00e7\u00e3o quase direta, sem grandes modifica\u00e7\u00f5es nos equipamentos de uso. A BP n\u00e3o mostra o consumo da lenha e s\u00f3 passou a considerar os dados da biomassa quando seus combust\u00edveis passaram a participar do com\u00e9rcio formal de energia. O item \u201cRenov\u00e1veis\u201d abriu espa\u00e7o para este tipo de energia nas estat\u00edsticas da BP.<\/p>\n<p>\u00c9 bom chamar a aten\u00e7\u00e3o que, os dados relativos ao consumo de lenha n\u00e3o s\u00e3o, em geral, dispon\u00edveis para os diversos pa\u00edses. Os pr\u00f3prios dados sobre o carv\u00e3o mineral, anteriores a 1965 e mostrados na Figura 1, s\u00e3o dif\u00edceis de recuperar.<\/p>\n<p><strong>Transi\u00e7\u00e3o carv\u00e3o\/petr\u00f3leo<\/strong><\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o carv\u00e3o\/petr\u00f3leo \u00e9 a de um combust\u00edvel s\u00f3lido para um l\u00edquido de maior densidade energ\u00e9tica que re\u00fane, praticamente, todas as vantagens de armazenamento, transporte e uso. Al\u00e9m disto, os derivados de petr\u00f3leo s\u00e3o utiliz\u00e1veis diretamente em motores. Isso abriu caminho para a enorme expans\u00e3o dos ve\u00edculos automotores. Ou seja, a oferta de petr\u00f3leo deu lugar a sua utiliza\u00e7\u00e3o substituindo carv\u00e3o e lenha em muitas aplica\u00e7\u00f5es estacion\u00e1rias, mas deu tamb\u00e9m a oportunidade da cria\u00e7\u00e3o do motor de explos\u00e3o com dimens\u00f5es adequadas ao uso veicular e isso criou um mercado novo para a energia. Pode-se dizer que os \u00fanicos obst\u00e1culos \u00e0 transfer\u00eancia entre carv\u00e3o e petr\u00f3leo eram pre\u00e7o e disponibilidade. Estes dois fatores justificaram tamb\u00e9m a atual op\u00e7\u00e3o de China e \u00cdndia por carv\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Transi\u00e7\u00e3o petr\u00f3leo\/GN<\/strong><\/p>\n<p>O g\u00e1s natural \u00e9, na maioria das aplica\u00e7\u00f5es, vantajoso na substitui\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o e derivados de petr\u00f3leo quando usado para gerar calor. Isso \u00e9 v\u00e1lido, \u00e9 claro, desde que dispon\u00edvel no local. Ele emite menos quantidade de CO<sub>2<\/sub> por energia fornecida e, de modo geral, menos particulados. No entanto, sua transportabilidade \u00e9 menor do que a dos derivados l\u00edquidos de petr\u00f3leo que podem ser movimentados e armazenados a press\u00e3o e temperatura ambientes<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>O g\u00e1s natural tamb\u00e9m \u00e9 utilizado como for\u00e7a motriz em ve\u00edculos, inclusive em algumas cidades do Brasil, mas seu transporte em unidades m\u00f3veis exige tanques, capazes de suportar press\u00f5es de 200 a 250 bar<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>. No Brasil sua utiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 comum em algumas cidades e foi estabelecida dentro de pol\u00edtica concebida para estimular seu uso que tem pre\u00e7o competitivo para ve\u00edculos de grande quilometragem anual. A alternativa para liquefaz\u00ea-lo exige temperaturas muito baixas e containers criog\u00eanicos.<\/p>\n<p>A substitui\u00e7\u00e3o dos derivados de petr\u00f3leo no transporte \u00e9 a mais dif\u00edcil de ser concretizada. O de outras fontes prim\u00e1rias exigiria a produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel l\u00edquido como o \u00e1lcool e\/ou os \u00f3leos vegetais. Outra maneira \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de um vetor como o hidrog\u00eanio e a pr\u00f3pria eletricidade.<\/p>\n<p>Na verdade, mesmo a utiliza\u00e7\u00e3o desses vetores n\u00e3o envolve uma \u00fanica opera\u00e7\u00e3o. Para o uso da eletricidade em um ve\u00edculo automotor \u00e9 necess\u00e1rio acumul\u00e1-la, sob a forma de energia qu\u00edmica em uma bateria para, em seguida, reconvert\u00ea-la em eletricidade e da\u00ed em energia mec\u00e2nica. Em cada uma dessas mudan\u00e7as existe uma inevit\u00e1vel perda.<\/p>\n<p>O uso de hidrog\u00eanio exige uma forma especial de armazenamento porque \u00e9 altamente explosivo e para ser utilizado em um motor de combust\u00e3o interna tem que passar pela baixa efici\u00eancia intr\u00ednseca deste tipo de motor<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a><sup>.<\/sup> Ou seja, a equival\u00eancia que favorece a energia renov\u00e1vel, como a da BP, n\u00e3o se justifica nesse caso e n\u00e3o pode ser valorizado pela quantidade de combust\u00edvel necess\u00e1rio para gerar a eletricidade. O uso de <a href=\"https:\/\/www.cemig.com.br\/usina-do-conhecimento\/veja-como-funciona-e-quais-aplicacoes-da-celula-a-combustivel-de-hidrogenio\/\">c\u00e9lula de combust\u00edvel<\/a><a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> melhora a efici\u00eancia, mas tamb\u00e9m envolve perdas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/gasenergy.com.br\/os-desafios-da-armazenagem-e-transporte-de-hidrogenio-em-larga-escala\/\">O hidrog\u00eanio tem problemas de estocagem, transporte e abastecimento ainda n\u00e3o inteiramente resolvidos<\/a><a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>. O mesmo acontece com a eletricidade, como consequ\u00eancia, os ve\u00edculos puramente el\u00e9tricos n\u00e3o possuem ainda autonomia satisfat\u00f3ria, problema agravado por um tempo de reabastecimento muito longo. Consider\u00e1veis progressos tecnol\u00f3gicos foram alcan\u00e7ados nos \u00faltimos anos, mas persistem dificuldades para que essa contribui\u00e7\u00e3o seja estatisticamente significativa<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a><sup>.<\/sup><\/p>\n<p>Em 2021, os produtos petrol\u00edferos representaram cerca de 90% do uso total de energia do setor de transporte dos EUA. Os biocombust\u00edveis contribu\u00edram com cerca de 6%. O g\u00e1s natural representou cerca de 4%, a maioria dos quais foi usada em compressores de gasodutos de g\u00e1s natural. O uso de eletricidade por sistemas de transporte de massa forneceu menos de 1% do uso total de energia do setor de transporte&#8221;<\/p>\n<p><strong>Transi\u00e7\u00e3o P&amp;G\/nuclear<\/strong><\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o P&amp;G\/nuclear tamb\u00e9m vai no sentido de maior concentra\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel por unidade de massa, mas n\u00e3o no de maior portabilidade da energia.<\/p>\n<p>Para mostrar a concentra\u00e7\u00e3o da energia nuclear, costuma-se dizer que uma pastilha de aproximadamente 1 cm<sup>3<\/sup> e massa de 7 g, de \u00f3xido de ur\u00e2nio de um reator nuclear, fornece a energia de uma tonelada de carv\u00e3o ou tr\u00eas barris de petr\u00f3leo<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a> (NEI, s.d.).<\/p>\n<p>A imagem \u00e9 esclarecedora, mas, em verdade, essa pastilha contendo ur\u00e2nio s\u00f3 produz essa energia em um reator quando associada a cerca de 100 t de outras pastilhas. A forma comercial, atualmente utilizada para o uso da energia nuclear \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica em grandes usinas. Ou seja, a utiliza\u00e7\u00e3o da energia nuclear em ve\u00edculos tamb\u00e9m passa por um vetor energ\u00e9tico, normalmente a eletricidade, que tem que estar armazenada na forma de energia qu\u00edmica nas baterias ou, eventualmente, pelo hidrog\u00eanio.<\/p>\n<p>O reator nuclear \u00e9 usualmente grande, precisa de sistemas de vapor para gerar eletricidade e de blindagem pesada para reduzir a radia\u00e7\u00e3o, atualmente s\u00f3 grandes navios e submarinos s\u00e3o capazes de transport\u00e1-los. Para o espa\u00e7o, pequenos reatores usando, ur\u00e2nio altamente enriquecido, ou Pu<sub>239<\/sub>, podem ser utilizados em naves n\u00e3o tripuladas. Tamb\u00e9m existem geradores que usam a emiss\u00e3o de part\u00edculas carregadas ou o calor gerado no decaimento de radiois\u00f3topos, como o PU<sub>238<\/sub>, para produzir eletricidade\u00a0(WNA &#8211; World Nuclear Association, 2021).<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a><sup>.<\/sup><\/p>\n<p>Ou seja, o equipamento usado atualmente para extrair a energia nuclear para outros usos, \u00e9 de grande volume e peso; isso faz com que a energia nuclear tenha como vetor de uso praticamente \u00fanico a eletricidade, embora existam grandes possibilidades do uso do calor direto <a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>.<\/p>\n<p>Uma observa\u00e7\u00e3o importante se extrai do gr\u00e1fico da Figura 2. O uso da energia nuclear subiu, de in\u00edcio, mais rapidamente que o previsto na proje\u00e7\u00e3o de Marchetti, mas atingiu um m\u00e1ximo de participa\u00e7\u00e3o muito abaixo do projetado.<\/p>\n<p>Atribui-se a interrup\u00e7\u00e3o do crescimento de sua participa\u00e7\u00e3o no consumo aos problemas relacionados \u00e0 seguran\u00e7a de funcionamento dos reatores nucleares revelados pelos acidentes de Three Mile Island (1979), Chernobyl (1986) e Fukushima (2011). Tamb\u00e9m nos parece necess\u00e1rio considerar as restri\u00e7\u00f5es ao uso da energia nuclear para n\u00e3o favorecer sua dissemina\u00e7\u00e3o que poderia estimular a posse de explosivos nucleares para uso b\u00e9lico em mais pa\u00edses<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>. Um dos sinais dessa press\u00e3o \u00e9 a dificuldade internacional da aceita\u00e7\u00e3o da energia nuclear como alternativa aos combust\u00edveis f\u00f3sseis que s\u00f3 agora parece estar sendo removida. Ap\u00f3s uma queda, sua contribui\u00e7\u00e3o na matriz energ\u00e9tica mundial parou de cair e se manteve em cerca de 4% na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p><strong>Fus\u00e3o nuclear<\/strong><\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o da fus\u00e3o nuclear, apesar do esfor\u00e7o tecnol\u00f3gico internacional, ainda n\u00e3o se anuncia como realidade na gera\u00e7\u00e3o de eletricidade nos curto e m\u00e9dio prazos, embora tenha havido, ultimamente, alguns progressos tecnol\u00f3gicos<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><strong>Renov\u00e1veis<\/strong><\/p>\n<p>O item \u201crenov\u00e1veis\u201d apenas est\u00e1 presente na representa\u00e7\u00e3o de Marchetti (Figura 1), na forma de lenha cujo uso estaria praticamente esgotado. N\u00e3o havia, \u00e0 \u00e9poca, a perspectiva do ressurgimento do uso de renov\u00e1veis que estamos assistindo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na Figura 1, os dados da energia hidr\u00e1ulica n\u00e3o foram inclu\u00eddos apesar de j\u00e1 terem participa\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima da atual (7%). Podemos especular que \u00e9 porque seu comportamento n\u00e3o se adeque ao modelo de competi\u00e7\u00e3o adotado ou porque o universo representado seria somente o de combust\u00edveis.<\/p>\n<p>Na mesma escala da Figura 2, foram adicionados os dados de 1965 a 2021, da compila\u00e7\u00e3o da BP. Os gr\u00e1ficos mostram o consumo dos combust\u00edveis formalmente comercializados e isso n\u00e3o inclui a lenha. No Brasil, dispomos de dados sobre a lenha, que consta do Balan\u00e7o Energ\u00e9tico Nacional \u2013 BEN\/EPE\/MME do Brasil (Minist\u00e9rio de Minas e Energia, 2022), juntamente com o baga\u00e7o da cana de a\u00e7\u00facar que n\u00e3o s\u00e3o considerados na compila\u00e7\u00e3o da BP. Isto decorre, em parte, da relev\u00e2ncia da biomassa em nossa matriz energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>As energias denominadas renov\u00e1veis, hoje apresentadas como novidade, representam um retorno a energias tradicionais ligadas aos prim\u00f3rdios da civiliza\u00e7\u00e3o que foram \u201cressuscitadas\u201d pela tecnologia atualmente dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>Lembremos que a energia e\u00f3lica j\u00e1 \u00e9 usada, h\u00e1 s\u00e9culos nos moinhos e foi usada h\u00e1 mil\u00eanios, na propuls\u00e3o naval ao longo do Nilo. A energia solar, anteriormente usada na secagem artesanal e industrial, passou a ser usada em pain\u00e9is solares para a gera\u00e7\u00e3o de calor e, principalmente, de eletricidade. Outro exemplo de energia renov\u00e1vel \u00e9 a dos \u00e1lcoois (etanol e metanol) e \u00f3leos vegetais usados em motores a explos\u00e3o. Esses \u00f3leos e os de animais, como a baleia, portanto da biomassa, j\u00e1 foram importantes fontes de energia luminosa no passado. A base de dados da BP j\u00e1 contabiliza os combust\u00edveis l\u00edquidos de origem vegetal nos quais o Brasil \u00e9 pioneiro no uso comercial.<\/p>\n<p>Podemos considerar fracassado o modelo de substitui\u00e7\u00e3o adotado por Marchetti no caso das energias prim\u00e1rias?<\/p>\n<p>O comportamento em ciclos do uso de energia das diferentes fontes tem uma eleg\u00e2ncia que fascina a mente humana. \u00c9 natural, portanto, que procuremos emendar o modelo que \u00e9 muito \u00fatil para compreender e aceitar a inevit\u00e1vel substitui\u00e7\u00e3o entre as energias ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Est\u00e1 impl\u00edcito no modelo Marchetti uma intera\u00e7\u00e3o da sociedade com os fen\u00f4menos de penetra\u00e7\u00e3o de um combust\u00edvel no mercado. Uma das maneiras mais conhecidas dessa intera\u00e7\u00e3o s\u00e3o os pre\u00e7os e custos de mercadorias ou servi\u00e7os concorrentes. No caso da energia, o pre\u00e7o mais importante \u00e9 da energia dominante, o petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>O modelo Marchetti considera que as macrotend\u00eancias prevalecer\u00e3o no longo prazo. J\u00e1 comentamos, sobre a Figura 1, que, usando dados de at\u00e91948, as proje\u00e7\u00f5es funcionaram bem at\u00e9 1984. Para os dados at\u00e9 2021 verificamos que a velocidade das mudan\u00e7as foi muito menor do que a esperada.<\/p>\n<p>No entanto, as tend\u00eancias apontadas para o longo prazo estavam corretas, a saber:<\/p>\n<ul>\n<li>A lenha e carv\u00e3o mineral continuaram a decrescer,<\/li>\n<li>A participa\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo passou por um m\u00e1ximo bem localizado na Figura 1 (em 1973) e continuaria a decrescer,<\/li>\n<li>O g\u00e1s natural teria um uso crescente, possivelmente superando o petr\u00f3leo,<\/li>\n<li>Nuclear era a energia emergente e<\/li>\n<li>A fus\u00e3o s\u00f3 entraria na matriz mundial no longo prazo.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Os que trabalham com o modelo, inclusive o cientista Jos\u00e9 Israel Vargas que, no artigo j\u00e1 mencionado e em outros\u00a0(Vargas, Ci\u00eancia em tempo de crise 1974-2007, 2007), identificou que, em muitos casos, n\u00e3o existe um \u00fanico processo ao longo do tempo, mas podem existir v\u00e1rios ciclos que se sucedem. Como aprendemos nas pandemias, surgem no mesmo local diferentes ondas ao longo do tempo e\/ou ondas n\u00e3o simult\u00e2neas em diversas localiza\u00e7\u00f5es relativamente isoladas. Isso aconteceu na competi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica ao menos no caso do uso de carv\u00e3o como mostra a Figura 3.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise da evolu\u00e7\u00e3o por regi\u00f5es do mundo, percebemos que essa nova \u201conda\u201d do uso de carv\u00e3o mineral aconteceu, no in\u00edcio do s\u00e9culo atual em virtude das necessidades de energia para o r\u00e1pido desenvolvimento dos BRICS, como mostrado na Figura 4<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a><sup>.<\/sup><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5311\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura4_108.png\" alt=\"Figura sobre a evolu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o das energias prim\u00e1rias no BRICS\" width=\"1438\" height=\"862\" data-wp-pid=\"5311\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura4_108.png 1438w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura4_108-300x180.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura4_108-1024x614.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura4_108-768x460.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura4_108-1200x719.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura4_108-600x360.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura 4: O carv\u00e3o \u00e9 a principal fonte prim\u00e1ria usada pelos BRICS, existe uma segunda onda de participa\u00e7\u00e3o do seu consumo desencadeada pelo \u201cboom\u201d econ\u00f4mico de China e \u00cdndia.<\/p>\n<p>Em pr\u00f3ximo artigo, investigaremos a influ\u00eancia de pre\u00e7os da fonte energ\u00e9tica predominante (o petr\u00f3leo) como determinante no comportamento das transi\u00e7\u00f5es entre energ\u00e9ticos. Tamb\u00e9m ser\u00e3o abordados aspectos relativos ao problema da emiss\u00e3o de gases de efeito estufa que est\u00e1 estreitamente ligada ao consumo dos combust\u00edveis e de como as pol\u00edticas e acordos internacionais teriam influenciado objetivamente nesse consumo.<\/p>\n<p>Proximamente, aprofundaremos a abordagem sobre as diferen\u00e7as na participa\u00e7\u00e3o das energias prim\u00e1rias por conjuntos de pa\u00edses ao longo do tempo.<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc135480335\"><\/a><strong>Ajuste preliminar para chegar a proje\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h3>\n<p>A aspira\u00e7\u00e3o do modelo usado por Marchetti \u00e9 oferecer uma vis\u00e3o do futuro baseada no comportamento passado. A ideia \u00e9 que estamos lidando com um sistema de grande in\u00e9rcia que seguir\u00e1 seu rumo uma vez que, supostamente, \u00e9 capaz de identificar as for\u00e7as sociais, econ\u00f4micas e a pr\u00f3pria disponibilidade dos recursos naturais.<\/p>\n<p>\u00a0Revendo a Figura 2, mostrada na miniatura ao lado, verificamos que os acr\u00e9scimos de dados a partir de 1965 mostraram, quantitativamente, um comportamento do consumo, bem diverso da suposi\u00e7\u00e3o simplificadora de Marchetti. O que podemos deduzir do quadro de participa\u00e7\u00e3o dos diferentes tipos de energia prim\u00e1ria \u00e9 que a crise de abastecimento e pre\u00e7o de petr\u00f3leo e derivados dos anos 1970 estabeleceu um novo padr\u00e3o de evolu\u00e7\u00e3o de curva das participa\u00e7\u00f5es das fontes energ\u00e9ticas prim\u00e1rias, ao longo do tempo, em uma escala log\u00edstica. N\u00e3o obstante essa mudan\u00e7a na \u201cvelocidade\u201d das substitui\u00e7\u00f5es as macrotend\u00eancias, como j\u00e1 assinalamos, foram mantidas.<\/p>\n<p>O esquema na Figura 5 ilustra esse comportamento. O Carv\u00e3o (at\u00e9 1970) seria o exemplo t\u00edpico do comportamento anterior e o petr\u00f3leo o do novo. A globaliza\u00e7\u00e3o pode ter contribu\u00eddo para aumentar a in\u00e9rcia de substitui\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica na medida que o consumo intensivo de energia, antes concentrado em poucos pa\u00edses, se generalizou nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5312\" aria-describedby=\"caption-attachment-5312\" style=\"width: 526px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-5312\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura5_108.png\" alt=\"Tipos de Curvas anterior a 1970 , (sim\u00e9tricas no tempo e, ap\u00f3s 1970, decr\u00e9scimo mais lento.)(\" width=\"526\" height=\"261\" data-wp-pid=\"5312\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura5_108.png 526w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura5_108-300x149.png 300w\" sizes=\"(max-width: 526px) 100vw, 526px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5312\" class=\"wp-caption-text\">Participa\u00e7\u00e3o (F) das energias prim\u00e1rias comparadas com as de Marchetti<\/figcaption><\/figure>\n<p>Figura 5: Novo padr\u00e3o observado para a evolu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o de cada energia prim\u00e1ria no consumo mundial.<\/p>\n<p>Esta varia\u00e7\u00e3o na \u201cvelocidade\u201d da ocupa\u00e7\u00e3o do nicho j\u00e1 foi usada anteriormente pelo pr\u00f3prio Marchetti como pode ser acompanhado nos v\u00e1rios exemplos reunidos por Vargas (Vargas 2020) em artigo neste peri\u00f3dico j\u00e1 mencionado anteriormente.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a globaliza\u00e7\u00e3o favoreceu a divulga\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e facilitou a penetra\u00e7\u00e3o de novas fontes de energia e a implementa\u00e7\u00e3o delas em alguns \u201cnichos\u201d espec\u00edficos.<\/p>\n<p>A penetra\u00e7\u00e3o da energia nuclear, cuja curva parece seguir o novo padr\u00e3o, encontrou um nicho limitado, na produ\u00e7\u00e3o de eletricidade em substitui\u00e7\u00e3o ao carv\u00e3o mineral, \u00f3leo combust\u00edvel e diesel em pa\u00edses desenvolvidos. Este nicho teria sido esgotado. A r\u00e1pida expans\u00e3o do nuclear foi favorecida, em um primeiro momento, pela transfer\u00eancia de tecnologia entre esses pa\u00edses. J\u00e1 nos pa\u00edses do terceiro mundo, onde a transfer\u00eancia de tecnologia encontra obst\u00e1culos, ela n\u00e3o se desenvolveu. A ascens\u00e3o tecnoindustrial no in\u00edcio deste s\u00e9culo da China viabilizou a amplia\u00e7\u00e3o do nicho.<\/p>\n<p>O ajuste de retas, na Figura 6, permite extrapolar a participa\u00e7\u00e3o no consumo para os anos seguintes, com ajuda da escala log\u00edstica.<\/p>\n<p>Para as energias f\u00f3sseis (petr\u00f3leo, carv\u00e3o e g\u00e1s natural) e para a energia hidr\u00e1ulica (renov\u00e1vel) existe o tipo de comportamento hist\u00f3rico que d\u00e1 base para essa extrapola\u00e7\u00e3o. Mesmo para a energia \u201crenov\u00e1vel\u201d (e\u00f3lica e fotovoltaica principalmente) \u00e9 poss\u00edvel uma extrapola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso do nuclear, houve uma r\u00e1pida ascens\u00e3o e ela teria passado por um m\u00e1ximo de participa\u00e7\u00e3o no in\u00edcio do mil\u00eanio (6,7 % em 2001). Sua participa\u00e7\u00e3o teve uma trajet\u00f3ria de queda at\u00e9 2012 quando se estabilizou em torno de 4,3% nos \u00faltimos dez anos. Especula-se sobre a possibilidade de uma nova onda nuclear puxada pelos BRICS que prestigiaria a \u00fanica alternativa j\u00e1 testada como capaz de fornecer grandes blocos de energia n\u00e3o f\u00f3ssil. Face as incertezas, optou-se por extrapolar a participa\u00e7\u00e3o dessa energia considerando a manuten\u00e7\u00e3o da m\u00e9dia dos \u00faltimos dez anos (2012 a 2021). Ensaios de outros cen\u00e1rios de maior participa\u00e7\u00e3o da energia nuclear devem ainda ser explorados.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5313\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura6_108.png\" alt=\"Evolu\u00e7\u00e3o do consumo de energias em escala linear, mostrando os ajustes\" width=\"1438\" height=\"1038\" data-wp-pid=\"5313\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura6_108.png 1247w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura6_108-300x217.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura6_108-1024x739.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura6_108-768x554.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura6_108-1200x866.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura6_108-600x433.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura 6: Ajustes aos dados de consumo, em escala log\u00edstica, visando a extrapola\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o das energias prim\u00e1rias no consumo mundial.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s energias reunidas no t\u00edtulo renov\u00e1veis na colet\u00e2nea da BP, podemos considerar que elas j\u00e1 demonstraram sua viabilidade, embora exigindo, para sua implementa\u00e7\u00e3o, um ambiente de incentivo e at\u00e9 de subs\u00eddios.<\/p>\n<p>A energia hidroel\u00e9trica j\u00e1 h\u00e1 muito mostrou sua viabilidade embora exista crescente oposi\u00e7\u00e3o ambiental e econ\u00f4mica \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de usinas com grandes \u00e1reas inundadas e at\u00e9 mesmos de pequenas centrais, por diferentes raz\u00f5es. A proje\u00e7\u00e3o, feita a partir dos dados passados, sugere que a energia hidroel\u00e9trica mantenha a fra\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o observada nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o que parece ser, no quadro atual, uma hip\u00f3tese otimista.<\/p>\n<p>Sobre as outras renov\u00e1veis, a pr\u00f3pria figura mostra a in\u00e9rcia de penetra\u00e7\u00e3o que justifica os 40 anos para passar de 0,1% para 1%. Nos \u00faltimos 15 anos, sua participa\u00e7\u00e3o passou de 1% para 7%. Essa acelera\u00e7\u00e3o \u00e9 coerente com o processo esperado de uma energia em implanta\u00e7\u00e3o. A extrapola\u00e7\u00e3o da penetra\u00e7\u00e3o futura dessa fonte de energia considerou a \u201cinclina\u00e7\u00e3o\u201d para o per\u00edodo de 1990 a 2021. Para uma extrapola\u00e7\u00e3o at\u00e9 2041, o procedimento \u00e9 justific\u00e1vel. Para um per\u00edodo mais longo, dever\u00edamos considerar, como em outros casos, uma participa\u00e7\u00e3o m\u00e1xima que essa energia pode vir a atingir. A experi\u00eancia da Europa Ocidental, onde foi feito um grande esfor\u00e7o de instala\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica com energias renov\u00e1veis, sugere que esse limite estaria em cerca de 20% de participa\u00e7\u00e3o. Neste ensaio n\u00e3o foi considerada essa limita\u00e7\u00e3o e o valor da participa\u00e7\u00e3o das \u201cRenov\u00e1veis\u201d chega a 23% em 2041. Um ensaio que incorpora essa limita\u00e7\u00e3o \u00e9 mostrado no Anexo.<\/p>\n<p>Na Figura 7, est\u00e3o indicados os crit\u00e9rios de proje\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o mundial das energias prim\u00e1rias no consumo na escala log (F\/(1-F)) onde F \u00e9 o percentual de participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5314\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura7_108.png\" alt=\"Participa\u00e7\u00e3o por energia prim\u00e1ria no consumo mundial em escala log\u00edstica\" width=\"1438\" height=\"1087\" data-wp-pid=\"5314\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura7_108.png 1191w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura7_108-300x227.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura7_108-1024x774.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura7_108-768x581.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura7_108-1200x907.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura7_108-600x454.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura 7: Crit\u00e9rios de proje\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o das energias prim\u00e1rias no mundo, com destaque para o caso especial das energias nuclear e renov\u00e1vel.<\/p>\n<p>Fundamentalmente, apenas para a energia nuclear n\u00e3o foi poss\u00edvel uma direta aplica\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo.<\/p>\n<p>Na Figura 8 est\u00e3o representadas, em escala linear, os resultados das proje\u00e7\u00f5es de participa\u00e7\u00e3o indicadas na Figura 7. Al\u00e9m da convers\u00e3o dos dados da figura anterior (em escala logar\u00edtmica) para percentagens, foi aplicado um fator de normaliza\u00e7\u00e3o de maneira que a soma das participa\u00e7\u00f5es fosse 100%.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-5316\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura8_108-1.png\" alt=\"Proje\u00e7\u00f5es de participa\u00e7\u00e3o no consumo mundial\" width=\"1438\" height=\"986\" data-wp-pid=\"5316\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura8_108-1.png 1313w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura8_108-1-300x206.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura8_108-1-1024x702.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura8_108-1-768x527.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura8_108-1-1200x823.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura8_108-1-600x411.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura 8: Resultado da proje\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o da energia prim\u00e1ria para os pr\u00f3ximos vinte anos<\/p>\n<p>Essa simples extrapola\u00e7\u00e3o mostra que a energia f\u00f3ssil permaneceria largamente dominante nas duas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas o que n\u00e3o seria uma boa not\u00edcia para limitar o aumento da temperatura atmosf\u00e9rica. Alternativas de proje\u00e7\u00e3o usando o modelo, acoplado a valores m\u00e1ximos de participa\u00e7\u00e3o de cada energia prim\u00e1ria poderia fornecer uma avalia\u00e7\u00e3o mais realista para a futura matriz energ\u00e9tica mundial.<\/p>\n<p>Um resultado interessante \u00e9 que a extrapola\u00e7\u00e3o prev\u00ea, para o \u00faltimo ano, uma converg\u00eancia das que seriam as quatro principais energias igualadas em cerca de 22% de participa\u00e7\u00e3o: carv\u00e3o mineral, petr\u00f3leo, g\u00e1s natural e renov\u00e1vel.<\/p>\n<p>Do ponto de vista das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa provenientes do uso de energia, \u00e9 importante examinar como evoluiria a participa\u00e7\u00e3o de energias n\u00e3o f\u00f3sseis e seu complemento das f\u00f3sseis no cen\u00e1rio considerado.<\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o esperada para as participa\u00e7\u00f5es f\u00f3sseis X n\u00e3o f\u00f3sseis \u00e9 mostrada na Figuras 9 na escala linear.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5321 size-full\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura9_108.png\" alt=\"Figura com a participa\u00e7\u00e3o de f\u00f3sseis e n\u00e3o f\u00f3sseis no consumo de energia prim\u00e1riia, com proje\u00e7\u00e3o de 20 anos.\" width=\"1438\" height=\"903\" data-wp-pid=\"5321\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura9_108.png 1433w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura9_108-300x188.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura9_108-1024x643.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura9_108-768x482.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura9_108-1200x754.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura9_108-600x377.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/> Figura 9: Resultado da proje\u00e7\u00e3o das participa\u00e7\u00f5es dos f\u00f3sseis e n\u00e3o f\u00f3sseis em escala linear.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disto, como o total de consumo de energia continuar\u00e1 crescendo, essa mudan\u00e7a de participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 refletida, obrigatoriamente, em redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es. O efeito positivo de menor participa\u00e7\u00e3o de f\u00f3sseis ser\u00e1 provavelmente anulado pelo crescimento regular do consumo energ\u00e9tico como mostramos mais adiante.<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc135480336\"><\/a><strong>Evolu\u00e7\u00e3o da matriz energ\u00e9tica mundial expressa em exajoules<\/strong><\/h3>\n<p>A Figura 10 mostra o crescimento hist\u00f3rico do consumo mundial de energia total e de petr\u00f3leo e g\u00e1s (P&amp;G). Para a surpresa dos planejadores energ\u00e9ticos, o crescimento de consumo de energia mundial, ao longo do tempo, pode ser expresso por uma reta com um \u00edndice de correla\u00e7\u00e3o R2 = 99%<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\"><sup>[18]<\/sup><\/a><sup>.<\/sup> O valor \u00e9 muito pr\u00f3ximo do valor m\u00e1ximo desse coeficiente que \u00e9 1 ou 100%.<\/p>\n<p>No planejamento energ\u00e9tico, costumamos fazer proje\u00e7\u00f5es com dezenas de vari\u00e1veis para chegar a um coeficiente de correla\u00e7\u00e3o menor e uma express\u00e3o v\u00e1lida por um espa\u00e7o de tempo limitado. Chega a ser decepcionante descobrir que o consumo energ\u00e9tico mundial, ao longo de mais de meio s\u00e9culo (56 anos), possa ser descrito por uma equa\u00e7\u00e3o de primeiro grau, ou seja, uma simples reta. A correla\u00e7\u00e3o \u00e9 deveras surpreendente j\u00e1 que \u00e9 o resultado de quase duas centenas de pa\u00edses com diferentes trajet\u00f3rias econ\u00f4micas e diferentes matrizes energ\u00e9ticas em um per\u00edodo no qual houve grandes varia\u00e7\u00f5es no pre\u00e7o de energia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5322 size-full\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura10_108.png\" alt=\"A Figura mostra a evolu\u00e7\u00e3o do consumo de energia e de petr\u00f3leo e g\u00e1s que, surpreendentemente s\u00e3o lineares com o tempo\" width=\"1438\" height=\"918\" data-wp-pid=\"5322\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura10_108.png 1410w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura10_108-300x192.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura10_108-1024x654.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura10_108-768x490.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura10_108-1200x766.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura10_108-600x383.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura 10: Consumo de energia no mundo e ajuste linear para energia total e petr\u00f3leo e g\u00e1s.<\/p>\n<p>No caso da energia dominante, P&amp;G (petr\u00f3leo e g\u00e1s) encontramos o \u00edndice R2 = 98%. Podemos ver na Figura 10 que a correla\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda melhor a partir do ano de 1981, passada a turbul\u00eancia nos pre\u00e7os e disponibilidade de petr\u00f3leo dos anos 1970, quando alcan\u00e7a o valor de R2=99%.<\/p>\n<p>A extrapola\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia de crescimento, observada ao longo de quase seis d\u00e9cadas, para as duas seguintes, combina com a aproxima\u00e7\u00e3o adotada aqui para as participa\u00e7\u00f5es das fontes no consumo, onde a evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica tem forte influ\u00eancia na futura demanda.<\/p>\n<p>Acoplando a tend\u00eancia inercial de crescimento da energia total consumida no mundo (Figura 10), com a extrapola\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o das energias (Figura 8) chegamos \u00e0 Figura 12, em valores agregados.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5323\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108.png\" alt=\"\" width=\"1438\" height=\"1051\" data-wp-pid=\"5323\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108.png 1231w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108-300x219.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108-1024x748.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108-768x561.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108-1200x877.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108-600x439.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura 11: Expans\u00e3o do uso de energia no Mundo baseada na evolu\u00e7\u00e3o das participa\u00e7\u00f5es dos energ\u00e9ticos e no crescimento linear do consumo aqui projetados<\/p>\n<p>O resultado mostrado na Figura 11 projeta, at\u00e9 2041, a evolu\u00e7\u00e3o do consumo mundial de f\u00f3sseis, n\u00e3o f\u00f3sseis e destaca ainda o conjunto Petr\u00f3leo e G\u00e1s &#8211; P&amp;G. A Figura 12 mostra os valores extrapolados para cada tipo de energia prim\u00e1ria correspondente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5323\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108.png\" alt=\"\" width=\"1438\" height=\"1051\" data-wp-pid=\"5323\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108.png 1231w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108-300x219.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108-1024x748.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108-768x561.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108-1200x877.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura12_108-600x439.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura 12: Expans\u00e3o do uso das energias prim\u00e1rias no Mundo baseada em um crescimento linear do consumo (Figura 10) e na evolu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o das energias prim\u00e1rias (Figura 8).<\/p>\n<p>Esses resultados nos levam a sensa\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias: De um lado, a proje\u00e7\u00e3o oferece uma perspectiva de estacionamento no uso da energia f\u00f3ssil, por outro lado, o resultado pode ser decepcionante porque prev\u00ea que o consumo de f\u00f3sseis n\u00e3o ser\u00e1 reduzido, apesar de sua menor participa\u00e7\u00e3o na matriz energ\u00e9tica e da perspectiva (otimista) de expans\u00e3o das energias renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Ora, sabemos que o n\u00edvel de emiss\u00e3o aproximadamente constante de gases de efeito estufa, ou seja, a estabiliza\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es n\u00e3o reduz a concentra\u00e7\u00e3o de CO<sub>2<\/sub> na atmosfera. A raz\u00e3o disso \u00e9 que a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa \u00e9, j\u00e1 atualmente, muito superior \u00e0 capacidade de sua absor\u00e7\u00e3o na natureza.<\/p>\n<p>Para deter o aumento da temperatura global, seria necess\u00e1rio reduzir substancialmente as emiss\u00f5es anuais.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese aqui considerada j\u00e1 contempla uma r\u00e1pida expans\u00e3o das energias renov\u00e1veis e isto sup\u00f5e uma ampla generaliza\u00e7\u00e3o de seu uso, a exemplo do que ocorreu na Europa Ocidental, onde a participa\u00e7\u00e3o dos renov\u00e1veis chegou a um limite que parece dif\u00edcil de expandir no n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p>Numa vis\u00e3o mais realista, a expans\u00e3o das energias renov\u00e1veis (solar e e\u00f3lica principalmente), no ritmo de crescimento mostrado na Figura 12, n\u00e3o parece condizente com a disposi\u00e7\u00e3o de pa\u00edses menos ricos para adotar fontes renov\u00e1veis, sabidamente intensivas em capital. Ou seja, muitos pa\u00edses teriam que alcan\u00e7ar um \u00edndice muito superior a 25% de participa\u00e7\u00e3o de \u201crenov\u00e1veis\u201d para que a m\u00e9dia atingisse esse valor.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disto, em cada pa\u00eds onde essas energias alcan\u00e7am este limite aparece o problema da inevit\u00e1vel descontinuidade, na produ\u00e7\u00e3o de eletricidade a partir das fontes solar e e\u00f3lica ao longo de, praticamente cada dia. Isso implica na necessidade de um mecanismo de estocagem da energia el\u00e9trica ou na capacidade adicional instalada baseada em outro tipo de gera\u00e7\u00e3o (normalmente t\u00e9rmica) que tamb\u00e9m exige investimentos em instala\u00e7\u00f5es de armazenamento ou de gera\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o que limitam a capacidade instalada deste tipo de energia. Apesar disto, a presente extrapola\u00e7\u00e3o n\u00e3o adotou, em nossa abordagem, um limite para a penetra\u00e7\u00e3o das \u201crenov\u00e1veis\u201d. \u00a0<\/p>\n<p>A energia hidroel\u00e9trica e nuclear, tamb\u00e9m n\u00e3o f\u00f3sseis e intensivas em capital, poderiam suprir parte das necessidades que possivelmente n\u00e3o possam ser atendidas pelas \u201crenov\u00e1veis\u201d (e\u00f3lica + solar). Teriam que ser vencidas limita\u00e7\u00f5es que atualmente freiam o crescimento das energias nuclear e hidro. Mesmo o pequeno crescimento projetado para o nuclear significa ainda grandes investimentos em novas usinas e na atualiza\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o das antigas para extens\u00e3o de vida \u00fatil s\u00f3 para manter a atual participa\u00e7\u00e3o. O aumento previsto na produ\u00e7\u00e3o hidroel\u00e9trica \u00e9 de menor monta e parece fact\u00edvel mesmo em um quadro de restri\u00e7\u00f5es ambientais como as atualmente existentes.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o quadro mostra um cen\u00e1rio claramente insuficiente para conten\u00e7\u00e3o do efeito estufa. A redu\u00e7\u00e3o na participa\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis \u00e9 bastante significativa, mas n\u00e3o impede que cerca de 70% do consumo mundial de energia ainda seria de combust\u00edvel f\u00f3ssil daqui a duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o que resulta das hip\u00f3teses aqui expostas n\u00e3o difere muito da previs\u00e3o da U.S. <em>Energy Information Administration<\/em> para o consumo de energia at\u00e9 2050\u00a0(EIA U.S. Energy Information Administration, 2020). Essas previs\u00f5es aparecem acopladas ao hist\u00f3rico dos dados da BP para os anos anteriores na Figura 13.<\/p>\n<p>Para comparar as duas proje\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria EIA e a nossa (com dados da BP) \u00e9 preciso que as unidades nas duas bases de dados de sejam coerentes. A possibilidade da utiliza\u00e7\u00e3o de um fator \u00fanico, para as diferentes energias prim\u00e1rias, mostra coer\u00eancia entre os dois conjuntos de dados, salvo para \u00a0as renov\u00e1veis. Para essas energias, nesse caso incluindo a hidr\u00e1ulica, \u00e9 necess\u00e1rio adotar uma equival\u00eancia onde os valores da EIA s\u00e3o 22% superiores aos valores adotados pela BP, ou seja, a EIA adota uma equival\u00eancia onde a energia renov\u00e1vel \u00e9 mais valorizada que na da BP.<\/p>\n<p>Resumindo, para que os dados hist\u00f3ricos coincidissem no gr\u00e1fico foi necess\u00e1rio, usar o fator de convers\u00e3o entre as unidades. No caso das renov\u00e1veis, foi necess\u00e1rio usar um fator para a convers\u00e3o multiplicado por 1,22. A evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e a proje\u00e7\u00e3o dos consumos por energia prim\u00e1ria da EIA, est\u00e3o mostradas na Figura 13.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5325\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura13_108.png\" alt=\"\" width=\"653\" height=\"507\" data-wp-pid=\"5325\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura13_108.png 653w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura13_108-300x233.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura13_108-600x466.png 600w\" sizes=\"(max-width: 653px) 100vw, 653px\" \/><\/p>\n<p>Figura 13: Hist\u00f3rico do uso das energias prim\u00e1rias no Mundo e proje\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o Internacional de Energia \u2013 EIA dos EUA<\/p>\n<p>Na Figura 13, a designa\u00e7\u00e3o de cores no gr\u00e1fico \u00e9 a do relat\u00f3rio da EIA. Os dados da EIA foram acoplados aos da BP de 1965 a 2000, expressos em exajoule por ano.<\/p>\n<p>Feitas essas corre\u00e7\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel comparar nossas proje\u00e7\u00f5es, em linha pontilhada, com as da EIA na Figura 14.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5326\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura14_108.png\" alt=\"\" width=\"1438\" height=\"1051\" data-wp-pid=\"5326\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura14_108.png 1231w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura14_108-300x219.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura14_108-1024x748.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura14_108-768x561.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura14_108-1200x877.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura14_108-600x439.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura 14 Compara\u00e7\u00e3o das proje\u00e7\u00f5es EIA-US e deste trabalho (pontilhada).<\/p>\n<p>Grosso modo, as previs\u00f5es s\u00e3o semelhantes j\u00e1 que eles tamb\u00e9m preveem um consumo parecido nas renov\u00e1veis, bastante coincidente para g\u00e1s natural, carv\u00e3o mineral e nuclear. A maior discord\u00e2ncia vem da previs\u00e3o para petr\u00f3leo que na nossa \u00e9 de baixa e a da EIA-US \u00e9 de alta.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante refor\u00e7ar as coincid\u00eancias j\u00e1 que elas confirmam progn\u00f3sticos que parecem surpreendentes como a relev\u00e2ncia do consumo de carv\u00e3o, em particular, e dos f\u00f3sseis de modo geral. Tamb\u00e9m \u00e9 projetada, pela EIA, uma retomada maior do uso da energia nuclear que superaria em 2041 o consumo energ\u00e9tico m\u00e1ximo j\u00e1 verificado.<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc135480337\"><\/a><strong>A m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o da energia entre pa\u00edses e pessoas<\/strong><\/h3>\n<p>\u00a0A desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o de energia entre a popula\u00e7\u00e3o dos diferentes pa\u00edses acompanha a desigualdade da distribui\u00e7\u00e3o das riquezas.<\/p>\n<p>No conjunto de pa\u00edses analisados, os da OCDE podem ser encarados como o grupo dos pa\u00edses ricos<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\"><sup>[19]<\/sup><\/a>. Uma boa medida do desequil\u00edbrio de consumo energ\u00e9tico \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o do consumo per capita dos pa\u00edses da OCDE relativo ao dos demais pa\u00edses (n\u00e3o OCDE) cuja evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 mostrada na Figura 15.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5327\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura15_108.png\" alt=\"\" width=\"1438\" height=\"931\" data-wp-pid=\"5327\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura15_108.png 1390w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura15_108-300x194.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura15_108-1024x663.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura15_108-768x497.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura15_108-1200x777.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Figura15_108-600x388.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura 15: Redu\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o o consumo per capta OCDE \/ N\u00e3o OCDE ao longo de meio s\u00e9culo<\/p>\n<p>Em n\u00fameros redondos, um residente da OCDE consome tr\u00eas vezes a energia de um \u201cn\u00e3o OCDE\u201d (dados de 2020). Em 1965, o habitante da OCDE tinha, em m\u00e9dia, um consumo energ\u00e9tico de sete vezes o do habitante da \u201cn\u00e3o OCDE\u201d. Para tomar dois grandes pa\u00edses s\u00edmbolo como exemplo, o consumo per capta de energia dos EUA, em 1973, era 66 vezes o da \u00cdndia e; em 2020, ainda \u00e9 11 vezes maior que o indiano.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que essa distribui\u00e7\u00e3o melhorou ao longo dos 56 anos, como mostrado na Figura 15. A desigualdade que pode ser medida pelo quociente [consumo per capta da OCDE] \/ [consumo per capta n\u00e3o OCDE] vem reduzindo ao longo dos anos e temos que encarar isto como um progresso, embora persistam grandes desigualdades internas de acesso \u00e0 energia entre pessoas de cada pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante observar que a queda come\u00e7ou com o choque no pre\u00e7o do petr\u00f3leo, em 1973, e foi interrompida em 1990 quando foi estabelecida a unipolaridade no poder mundial. A partir do in\u00edcio deste s\u00e9culo, houve uma queda significativa do diferencial de consumo entre os pa\u00edses ricos (OCDE) e os demais (n\u00e3o OCDE) que foi puxada pela ascens\u00e3o econ\u00f4mica dos BRICS (principalmente da China).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc135480338\"><\/a><strong>Conclus\u00f5es Preliminares<\/strong><\/h3>\n<p>Uma extrapola\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia da participa\u00e7\u00e3o das energias prim\u00e1rias no consumo mundial at\u00e9 2021, para as duas d\u00e9cadas seguintes foi feita, com base na metodologia sugerida por Marchetti e Vargas, adaptada \u00e0 natureza do mercado energ\u00e9tico. A tend\u00eancia do consumo das fontes prim\u00e1rias, mesmo mantida a forte penetra\u00e7\u00e3o das renov\u00e1veis nos \u00faltimos vinte anos (at\u00e9 2021), n\u00e3o parece ser capaz de reduzir, em termos absolutos, o uso das energias f\u00f3sseis e o aumento do teor de CO<sub>2 <\/sub>na atmosfera.<\/p>\n<p>Petr\u00f3leo e G\u00e1s Natural seguir\u00e3o como energias dominantes nas pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas. Os dados hist\u00f3ricos mostram uma forte resili\u00eancia das energias f\u00f3sseis, inclusive do carv\u00e3o mineral que apresenta o maior coeficiente de emiss\u00e3o de CO<sub>2<\/sub> por unidade de energia usada. Um resultado surpreendente e preocupante \u00e9 que a tend\u00eancia observada ao longo das \u00faltimas cinco d\u00e9cadas mostra que o consumo mundial de carv\u00e3o mineral poder\u00e1, de novo, superar o do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 um problema menor. No \u00e2mbito dos f\u00f3sseis, havia um movimento de ascens\u00e3o do g\u00e1s natural e queda de carv\u00e3o e petr\u00f3leo. Este movimento favorecia a redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de CO<sub>2<\/sub> no \u00e2mbito dos f\u00f3sseis. A revers\u00e3o desta tend\u00eancia agrava o quadro das emiss\u00f5es causadoras do efeito estufa.<\/p>\n<p>O consumo mundial de energia dobrou, desde a confer\u00eancia Rio 92 que constatou, de forma definitiva, o problema do crescimento de CO<sub>2<\/sub> e outros gases que contribuem para a eleva\u00e7\u00e3o do efeito estufa na atmosfera terrestre e o consequente aquecimento esperado da atmosfera.<\/p>\n<p>\u00a0A boa not\u00edcia no que se refere a esse maior consumo de energia veio no sentido de que foi reduzido o desequil\u00edbrio de uso de energia por habitante entre os pa\u00edses e isso significou uma aproxima\u00e7\u00e3o nas condi\u00e7\u00f5es de vida entre pa\u00edses ricos e pobres.<\/p>\n<p>Na segunda metade da d\u00e9cada de 1970 e na primeira da de 1980, o mundo j\u00e1 passou por um grande esfor\u00e7o de redu\u00e7\u00e3o do consumo de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural que se seguiu \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do uso de carv\u00e3o mineral por raz\u00f5es de depend\u00eancia de m\u00e3o de obra que dificultava a regularidade do abastecimento. Um grande esfor\u00e7o econ\u00f4mico, tecnol\u00f3gico e industrial foi realizado para possibilitar essa mudan\u00e7a. A mudan\u00e7a da matriz energ\u00e9tica n\u00e3o foi dram\u00e1tica como a antecipada pelas expectativas \u00e0quela \u00e9poca.<\/p>\n<p>A imagina\u00e7\u00e3o humana aceita, sem muita cr\u00edtica, a possibilidade de grandes mudan\u00e7as \u00a0A li\u00e7\u00e3o que podemos extrair do passado \u00e9 que as mudan\u00e7as nuca s\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pidas como desejamos e a realidade n\u00e3o se adequa a nossas proje\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Vamos lembrar apenas um aspecto curioso: no final dos anos setenta, fazia furor nos congressos sobre energia, dirigidos ao terceiro mundo, o uso dos biodigestores de dejetos animais e at\u00e9 humanos. A d\u00favida no Brasil estava entre a ado\u00e7\u00e3o do modelo indiano ou do chin\u00eas e fazia sucesso a foto de um menino chin\u00eas levando os dejetos da fam\u00edlia para o digestor em uma esp\u00e9cie de peneira. Hoje, China e \u00cdndia parecem haver alcan\u00e7ado seu caminho de desenvolvimento e t\u00eam como energia dominante o carv\u00e3o mineral que muitos acreditavam estar caminhando para a extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O verdadeiro desafio mundial \u00e9 propiciar a melhoria da condi\u00e7\u00e3o de vida dos mais pobres (que implica aumento do uso de energia) sem romper o equil\u00edbrio clim\u00e1tico. Isto s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ado aumentando a propor\u00e7\u00e3o de n\u00e3o f\u00f3sseis na matriz energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 um bom exemplo de que isso \u00e9 poss\u00edvel, muito em fun\u00e7\u00e3o de seus recursos naturais e de medidas tomadas no final da d\u00e9cada de 1970 e in\u00edcio da de 1980 quando substituir petr\u00f3leo era uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Usando unidades mais amig\u00e1veis que o exajoule, o mundo emite 2,4 toneladas de CO<sub>2<\/sub> por tonelada equivalente de petr\u00f3leo (toe ou tep) de energia prim\u00e1ria utilizada; j\u00e1 o Brasil emite apenas 1,4 (t de CO2\/toe). Ou seja, o Brasil emite 58% de CO<sub>2<\/sub> do que o mundo emite por unidade de energia utilizada. Entre os grandes pa\u00edses s\u00f3 a Fran\u00e7a apresenta um \u00edndice melhor (1,3) devido \u00e0 grande participa\u00e7\u00e3o da energia nuclear em sua matriz.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise de casos de Brasil e Fran\u00e7a talvez esteja a chave para encontrar o caminho para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica que o mundo precisa.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>ANEXO 1<\/p>\n<p><strong>Hip\u00f3tese alternativa e, possivelmente, mais realista de evolu\u00e7\u00e3o do consumo mundial de fontes prim\u00e1rias<\/strong><\/p>\n<p>As energias renov\u00e1veis v\u00eam se difundido com maior facilidade nos pa\u00edses com maior capacidade de investimento e uma rede de transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o j\u00e1 estruturada. Deve-se supor que, a exemplo de todas as outras energias, exista um nicho espec\u00edfico para as energias renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>No que se segue, procuramos preencher essa lacuna adotando a hip\u00f3tese que esse nicho existe e esteja limitado a, 25% de participa\u00e7\u00e3o no total.<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a> Quanto ao carv\u00e3o, a hip\u00f3tese adotada \u00e9 de que as oscila\u00e7\u00f5es no consumo de carv\u00e3o s\u00e3o, na verdade, diferentes ciclos e que dever\u00edamos considerar que a participa\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o seguiria caindo conforme a tend\u00eancia dos anos mais recentes.<\/p>\n<p>Na Figura A1 mostramos o ajuste feito para os \u00faltimos 21 anos e a extrapola\u00e7\u00e3o indicada.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5328\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA1_108.png\" alt=\"\" width=\"1438\" height=\"1069\" data-wp-pid=\"5328\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA1_108.png 1211w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA1_108-300x223.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA1_108-1024x761.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA1_108-768x571.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA1_108-1200x892.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA1_108-600x446.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura A1: Proje\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o de renov\u00e1veis (F) no consumo mundial sendo F* = F\/Fmax e Fmax = 0,25<\/p>\n<p>A Figura A2 mostra os crit\u00e9rios adotadas para a extrapola\u00e7\u00e3o, por 20 anos, para esta proje\u00e7\u00e3o alternativa.\u00a0<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5332\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108.png\" alt=\"\" width=\"1438\" height=\"1147\" data-wp-pid=\"5332\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108.png 1128w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108-300x239.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108-1024x817.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108-768x613.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108-1200x957.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108-600x479.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura A2: Crit\u00e9rios alternativos de proje\u00e7\u00e3o do consumo de fontes prim\u00e1rias adotado nesse exemplo<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o do resultado das participa\u00e7\u00f5es das diferentes fontes prim\u00e1rias, j\u00e1 renormalizadas para que a soma das participa\u00e7\u00f5es seja igual a 100%, pode ser visto na Figura A3.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5332\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108.png\" alt=\"\" width=\"1438\" height=\"1147\" data-wp-pid=\"5332\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108.png 1128w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108-300x239.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108-1024x817.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108-768x613.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108-1200x957.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA2_108-600x479.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura A3: Expans\u00e3o do uso das energias prim\u00e1rias no Mundo baseada em um crescimento linear do consumo e na evolu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o das energias prim\u00e1rias limitando a participa\u00e7\u00e3o de renov\u00e1veis a 25% e supondo a redu\u00e7\u00e3o do uso do carv\u00e3o mineral.<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as fundamentais entre o resultado das duas \u201crodadas\u201d s\u00e3o o consumo de petr\u00f3leo constante e queda no consumo de carv\u00e3o mineral. A expans\u00e3o do uso dos renov\u00e1veis \u00e9 menor assim como a do carv\u00e3o mineral e registra-se um pequeno acr\u00e9scimo do consumo da energia hidroel\u00e9trica e nuclear.<\/p>\n<p>A Figura A4 mostra as extrapola\u00e7\u00f5es do uso das energias prim\u00e1rias f\u00f3sseis e n\u00e3o-f\u00f3sseis no mundo e a do petr\u00f3leo e g\u00e1s natural P&amp;G, inclu\u00edda nas f\u00f3sseis.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5334\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA4_108.png\" alt=\"\" width=\"1438\" height=\"1208\" data-wp-pid=\"5334\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA4_108.png 1071w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA4_108-300x252.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA4_108-1024x860.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA4_108-768x645.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA4_108-1200x1008.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA4_108-600x504.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura A4: Proje\u00e7\u00e3o do consumo de energias agrupadas em f\u00f3sseis e n\u00e3o f\u00f3sseis, mostrando ainda a evolu\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5335\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA5_108.png\" alt=\"\" width=\"1438\" height=\"1091\" data-wp-pid=\"5335\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA5_108.png 1186w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA5_108-300x228.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA5_108-1024x777.png 1024w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA5_108-768x583.png 768w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA5_108-1200x910.png 1200w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FiguraA5_108-600x455.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Figura A5: Melhor aproxima\u00e7\u00e3o das proje\u00e7\u00f5es nesta hip\u00f3tese com as da EIA-US e a deste cen\u00e1rio.<\/p>\n<p><em>\u00a0&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/em><\/p>\n<h1><a name=\"_Toc135480339\"><\/a>Bibliografia:<\/h1>\n<p>EIA U.S. Energy Information Administration. (2020, Jan. 3). <em>Today in Energy EIA projects nearly 50% increase in world energy usage by 2050, led by growth in Asia.<\/em> Retrieved from EIA: https:\/\/www.eia.gov\/todayinenergy\/detail.php?id=42342<\/p>\n<p>Feu Alvim, C., Campos Ferreira, O., Eidelman, F., &amp; Goldemberg, J. (2000, jan). Energia Final e Equivalente &#8211; Procedimento Simplificado de Convers\u00e3o. <em>Economia e Energia E&amp;E, 18<\/em>. Retrieved from http:\/\/ecen.com\/eee18\/enerequi.htm#energiaeq<\/p>\n<p>Handwerk, B. (2021, February). An Evolutionary Timeline of Homo Sapiens. <em>Science | Smithonson Magasine<\/em>. Retrieved from https:\/\/www.smithsonianmag.com\/science-nature\/essential-timeline-understanding-evolution-homo-sapiens-180976807\/#:~:text=300%2C000%20Years%20Ago%3A%20Fossils%20Found%20of%20Oldest%20Homo%20sapiens&amp;text=While%20human%20remains%20can%20survive,different%20s<\/p>\n<p>Kondratiev, N. D. (1935). The Long waves in Economic Life. <em>The Review of Economic Statistics, 17<\/em>, pp. 105-115.<\/p>\n<p>Marchetti, C. (1979, dec). <em>Cesare Marchetti.<\/em> Retrieved from The Dynamics of Energy Systems and the Logistic Substitution Model: http:\/\/www.cesaremarchetti.org\/archive\/scan\/MARCHETTI-028_pt.1.pdf<\/p>\n<p>Marchetti, C. (1985, Dec). <em>Cesare Marchetti.<\/em> Retrieved from cesaremarchetti.org: http:\/\/www.cesaremarchetti.org\/archive\/scan\/MARCHETTI-036.pdf<\/p>\n<p>Minist\u00e9rio de Minas e Energia. (2022). <em>Balan\u00e7o Energ\u00e9tico Nacional 2022 &#8211; Ano Base 2021.<\/em> Empresa de Pesquisas Energ\u00e9ticas. Bras\u00edlia: EPE. Retrieved 2022, from https:\/\/www.epe.gov.br\/sites-pt\/publicacoes-dados-abertos\/publicacoes\/PublicacoesArquivos\/publicacao-675\/topico-638\/BEN2022.pdf<\/p>\n<p>NEI. (n.d.). <em>Nuclear Fuel<\/em>. Retrieved March 2023, from Nuclear Energy Institute: https:\/\/www.nei.org\/fundamentals\/nuclear-fuel<\/p>\n<p>Samuel, M. (2013, fev 28\/02). The Earliest Sailboats in Egypt and Their Influence on the Development of Trade, Seafaring in the Red Sea, and State Development. <em>Journal of Ancient Egyptian Interconnections, 5<\/em>, pp. 28-37. doi:10.2458\/azu_jaei_v05i1_mark<\/p>\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economia e Energia\u00a0 N\u00ba 108, janeiro a junho de 2021- Ano XXIVDispon\u00edvel em: http:\/\/ecen.com.br e http:\/\/ecen.com (n\u00fameros anteriores) Revis\u00e3o de Abril de 2023 \u00a0 Editorial: Ciclo do Petr\u00f3leo no Brasil? A descoberta do Pr\u00e9-Sal despertou a esperan\u00e7a de que estar\u00edamos iniciando, nesta terceira d\u00e9cada do s\u00e9culo 21, um novo ciclo de riqueza no Brasil, alavancado &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"http:\/\/eee.org.br\/?page_id=5296\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;E&#038;E 108&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/5296"}],"collection":[{"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5296"}],"version-history":[{"count":49,"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/5296\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5409,"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/5296\/revisions\/5409"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/eee.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5296"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}