{"id":3754,"date":"2019-08-31T23:27:14","date_gmt":"2019-09-01T02:27:14","guid":{"rendered":"http:\/\/eee.org.br\/?p=3674"},"modified":"2021-03-19T14:53:54","modified_gmt":"2021-03-19T17:53:54","slug":"fake-crisis-dos-focos-de-incendio-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/eee.org.br\/?p=3754","title":{"rendered":"Fake Crisis dos Focos de Inc\u00eandio na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"3754\" class=\"elementor elementor-3754\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-section-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-a981920 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"a981920\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-row\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-fad5652\" data-id=\"fad5652\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-column-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-f5c9374 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"f5c9374\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n\t\t\t\t<p><strong>A Falsa Crise dos Focos de Inc\u00eandio na Amaz\u00f4nia<\/strong><\/p><p>Depois da <a href=\"http:\/\/ecen.com.br\/?page_id=4155#_Toc21351816\">Crise de Desmatamento<\/a> que teve origem em uma interpreta\u00e7\u00e3o equivocada de um indicador mensal, parece que estamos agora assistindo uma falsa crise de focos de inc\u00eandio florestal na Amaz\u00f4nia.<\/p><p>Apontamos no \u201cpost\u201d anterior que realmente existe uma retomada da \u00e1rea desmatada que, no entanto, n\u00e3o \u00e9 de agora, come\u00e7ou em 2015. Quase nada a ver com o aumento de quase 100% do alarme de desmatamento em junho.<\/p><p>J\u00e1 a crise dos focos de inc\u00eandio, n\u00e3o h\u00e1 sinal dela at\u00e9 esse 31 de agosto de 2019. Para desmentir essa crise n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio recorrer a Angela Merkel e seus sat\u00e9lites europeus. O INPE apresenta em seu <em>site<\/em> um belo aplicativo sobre queimadas no Brasil e no mundo.<\/p><p><a href=\"http:\/\/queimadas.dgi.inpe.br\/queimadas\/portal-static\/estatisticas_estados\/\">http:\/\/queimadas.dgi.inpe.br\/queimadas\/portal-static\/estatisticas_estados\/<\/a><\/p><p>O <em>site<\/em> mostra, praticamente em tempo real, dia a dia, o mapa de todos os focos de inc\u00eandio, escolhendo o sat\u00e9lite com melhor cobertura para a \u00e1rea. O <em>software<\/em> usado permite a classifica\u00e7\u00e3o de cada foco e, com dois dias de atraso, oferece a localiza\u00e7\u00e3o das nuvens. \u00c9 um mapa interativo que possibilita obter a localiza\u00e7\u00e3o de cada tipo de foco de inc\u00eandio.<\/p><p>O INPE\u00a0 faz parte de uma rede que inclui v\u00e1rios sat\u00e9lites que se revezam na medida dos pontos de inc\u00eandio cuja localiza\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica \u00e9 logicamente f\u00e1cil.\u00a0<\/p><p>Apresenta tabela com as estat\u00edsticas m\u00eas a m\u00eas desde 1989. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel comparar a situa\u00e7\u00e3o do Brasil com a de outros pa\u00edses e regi\u00f5es. Possibilita ainda tra\u00e7ar a curva sazonal dos inc\u00eandios e a de m\u00e1ximos e m\u00ednimos. A Figura 1, extra\u00edda do site do INPE, mostra a situa\u00e7\u00e3o\u00a0 para a Amaz\u00f4nia Legal comparando o ano atual com as m\u00e9dias, m\u00ednimas e m\u00e1ximas dos anos anteriores.<\/p><p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3676\" src=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/figura1i_104.png\" alt=\"\" width=\"591\" height=\"352\" data-wp-pid=\"3676\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\">Figura 1: Focos de Inc\u00eandio de 2019 comparado com os valores mensais m\u00e9dios, m\u00e1ximos e m\u00ednimos Fonte site INPE<\/p><p>Pode-se observar que os valores at\u00e9 agosto de focos de inc\u00eandio est\u00e3o dentro da normalidade sazonal. Essa compara\u00e7\u00e3o \u00e9 mais f\u00e1cil nos valores mensais acumulados mostrados na Figura 2.<\/p><p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3910\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/desmat_acumul.png\" alt=\"\" width=\"752\" height=\"537\" data-wp-pid=\"3910\" srcset=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/desmat_acumul.png 752w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/desmat_acumul-300x214.png 300w, http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/desmat_acumul-600x428.png 600w\" sizes=\"(max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\">Figura 2: Focos de inc\u00eandio, valores acumulados de 2019 comparados com as m\u00e9dias hist\u00f3ricas dos meses<\/p><p>At\u00e9 31 de agosto de 2019 o total acumulado era de 63.109 e o m\u00e9dio hist\u00f3rico 56.748, ou seja, o de 2019 est\u00e1 cerca de 11% maior que do ano m\u00e9dio. Isto est\u00e1 dentro da dispers\u00e3o normal esperada. \u00a0<\/p><p>A Figura 3 mostra os valores anuais de focos de inc\u00eandio detectados para cada ano. Para 2019 indicou-se tamb\u00e9m o valor esperado para 2019, se o restante do ano for normal. \u00c9 um valor 5% acima da m\u00e9dia.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3690\" src=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/figura3ii_104.png\" alt=\"\" width=\"864\" height=\"560\" data-wp-pid=\"3690\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\">Figura 3: Focos de inc\u00eandio por ano, com valor extrapolado para final de 2019<\/p><p>Ou seja, definitivamente os inc\u00eandios florestais de 2019 est\u00e3o dentro da normalidade. <strong>A crise \u00e9 falsa<\/strong>. Pelo menos, at\u00e9 agora. Isto \u00e9 que se pode deduzir dos resultados at\u00e9 o final do m\u00eas de agosto, devendo-se prestar a aten\u00e7\u00e3o no m\u00eas de setembro, usualmente o pico anual em focos de inc\u00eandio.<\/p><p>Os que desejam criar um alarme, perderam uma bela oportunidade com um fundo de realidade: o m\u00eas de mar\u00e7o de 2019 apresentou recorde hist\u00f3rico de focos de inc\u00eandio para o m\u00eas. Os meses seguintes trouxeram o total acumulado no ano para a m\u00e9dia dos 20 anos que se disp\u00f5e da medida.<\/p><p>Ainda no assunto de compara\u00e7\u00f5es pontuais, se o aumento de focos for tomado em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado (2018) pode-se estar cometendo um engano metodol\u00f3gico. O gr\u00e1fico mostra que 2018 est\u00e1 muito abaixo da m\u00e9dia. Por exemplo, se confirmado valor para 2019 (pr\u00f3ximo ao m\u00e9dio hist\u00f3rico), o valor deste ano ser\u00e1 73% maior que o do ano passado que, justamente por estar muito abaixo da m\u00e9dia, n\u00e3o deve ser tomado como refer\u00eancia.\u00a0<\/p><p>Sem um crit\u00e9rio de an\u00e1lise objetivo, a interpreta\u00e7\u00e3o das estat\u00edsticas passa por subjetivismos, muitas vezes apaixonados. Por essa raz\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1ria uma intermedia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, como a frequentemente usada na divulga\u00e7\u00e3o de not\u00edcias econ\u00f4mico-financeiras, para dar a conhecer as not\u00edcias ambientais.<\/p><p><strong>Focos de Inc\u00eandio X Desmatamento<\/strong><\/p><p>O desmatamento pode, eventualmente, resultar de uma trag\u00e9dia ambiental, causada por inc\u00eandios acidentais ou n\u00e3o,\u00a0 facilitada por condi\u00e7\u00f5es excepcionais para sua propaga\u00e7\u00e3o. Para estes casos, resta o esfor\u00e7o de debelar os focos perigosos, as vezes sem \u00eaxito, conforme acompanhamos na cobertura mundial desses eventos nos pa\u00edses centrais. O desmatamento que mais preocupa \u00e9 o que resulta da a\u00e7\u00e3o deliberada. Esse tipo de a\u00e7\u00e3o \u00e9 a que persiste e se estende nos anos seguintes porque traz retorno econ\u00f4mico para seus autores.<\/p><p>As a\u00e7\u00f5es para se contrapor a um tipo ou outro de desmatamento s\u00e3o de diferente natureza, embora ambas se aproveitem dos alertas aos focos de inc\u00eandio. A partir de 1998, existem as duas estat\u00edsticas, de focos de inc\u00eandio e do desmatamento, e a compara\u00e7\u00e3o entre elas fornece informa\u00e7\u00f5es \u00fateis. Na Figura 1 est\u00e1 indicada a evolu\u00e7\u00e3o dos dois tipos de evento a partir de 1998.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3696\" src=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Figura1_dxf.png\" alt=\"\" width=\"652\" height=\"510\" data-wp-pid=\"3696\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\">Figura 4: Desmatamento anual e focos de inc\u00eandio na Amaz\u00f4nia Legal Fonte: <em>site<\/em> do INPE; os valores para 2019 s\u00e3o projetados.<\/p><p>A menos do per\u00edodo em torno do pico de desmatamento de 2004, n\u00e3o h\u00e1 uma correla\u00e7\u00e3o muito vis\u00edvel entre as duas vari\u00e1veis. Chama a aten\u00e7\u00e3o o ano de 2018 cujo \u00edndice de focos de inc\u00eandio est\u00e1 40% abaixo da do ano anterior e da m\u00e9dia hist\u00f3rica e que, no entanto, registrou aumento do desmatamento. A maioria das compara\u00e7\u00f5es feitas na imprensa \u00e9 com o ano de 2018, visivelmente um ano at\u00edpico que n\u00e3o serve de refer\u00eancia. \u00a0<\/p><p>A tentativa de estabelecer alguma correla\u00e7\u00e3o entre o n\u00famero de focos de inc\u00eandio durante o ano com o desmatamento estimado para o mesmo ano mostra uma correla\u00e7\u00e3o muito fraca (R2 pouco menor que 0,2).<\/p><p>Ou seja, nem o \u00edndice de focos inc\u00eandio de 2019 est\u00e1 fora do normal hist\u00f3rico, nem ele \u00e9 um indicativo v\u00e1lido para monitorar o desmatamento. O importante na avalia\u00e7\u00e3o de desmatamento s\u00e3o os indicadores espec\u00edficos de desmatamentos divulgados pelo INPE que j\u00e1 acumulou uma bagagem experimental de testes no terreno que outras fontes n\u00e3o t\u00eam para o Brasil e cuja seriedade \u00e9 a melhor defesa do Pa\u00eds contra os mal informados e mal intencionados.\u00a0<\/p><p style=\"text-align: right;\"><em>Carlos Feu Alvim<\/em><\/p>\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Falsa Crise dos Focos de Inc\u00eandio na Amaz\u00f4nia Depois da Crise de Desmatamento que teve origem em uma interpreta\u00e7\u00e3o equivocada de um indicador mensal, parece que estamos agora assistindo uma falsa crise de focos de inc\u00eandio florestal na Amaz\u00f4nia. 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